Estou-me nas tintas para os segredos de alcova. Nada me atrai do que seja da vida privada de qualquer um. Nem quero duvidar das decisões judiciais sobre a ausência de matéria criminal deste ou daquele. Mas interessa-me muito tudo o que diga respeito à gestão da coisa pública feita atrás da porta. Mesmo que isso se esconda numa falsa privacidade interceptada. Interessa-me como interessa aos que recorrem às escutas institucionalizadas. Interessa-me para que eu possa fazer o meu próprio juízo. De carácter também.
Interessa-me que se faça justiça. Interessa-me que as escutas institucionalizadas sirvam para fazê-la. Interessa-me saber em que medida elas permitem culpar alguém. Interessa-me ajuizar por e para mim próprio. Por isso é que pode interessar-me o mesmo nos casos inversos. O meu juízo sobre o carácter de alguém que gere a coisa pública atrás da porta não é jurídico nem incriminatório. Apenas me interessa para participar com mais consciência na vida colectiva e no exercício individual da cidadania como parte do todo.
Isto interessa pelo menos a um: a mim.

Não há alternativas credíveis ao Governo PS. Há muitos que fazem diagnósticos, alguns extremamente pessimistas, mas poucos que indiquem as terapêuticas possíveis e que tenham a coragem de meter a mão na massa e, em sentido figurado, oferecer o peito às balas.
Aliás, novos líderes políticos demoram tempo a aparecer. Não se arranjam, já feitos, na antiga fábrica do Bordalo, nas Caldas da Rainha. Já o diziam alguns políticos sensatos do liberalismo, em que se viveram também tempos difíceis…’ Mário Soares
Não falei em alternativas. Apenas disse o que me interessa e por quê.
Mas não acredite nisso, meu caro: as alternativas sempre saltaram das pedras quando foram precisas. Outro assunto é saber escolher.
Isto interessa pelo menos a um: a mim.
E vão dois.
… Amanhã seremos muitos.
Tem piada. Quando os jornais trouxeram em primeira página as escutas a António Preto, facto de que o PS tirou imediatos dividendos políticos, compreensivelmente, não me lembro de ver a actual brigada de guarda-costas de Sócrates acorrer aos gritos contra o “jornalismo de buraco de fechadura”.
Tens razão. Também não me lembro. Se calhar ainda não se tinha inventado o buraco de fechadura. O que era um desatino para quem usava chaves e fechaduras.
O PS é que anda à procura da chave para o sarilho em que está metido.