Agosto casamenteiro (13)


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O bolo de casamento aqui proposto sugere a situação muito específica em que o noivo tem a sorte de casar com a mais desejada das mulheres, a avaliar pelo número de pretendentes que chegam em cima da hora (coitado do que chega de avioneta) para tentar que o enlace não se realize. A situação pode ser ligeiramente mais complicada se o noivo não souber a história completa dela com os ex-namorados.

Sabia que… (46)


jmmcc,

… recentemente e com um intervalo de poucas semanas, apareceu um jacaré a nadar nas imediações de Chicago e outro nas margens de Nova Iorque? Pois pode acreditar: dois-jacarés-dois encontrados bem longe do seu habitat natural.

Claro que não tardaram a aparecer também ambientalistas a dissertar sobre o aquecimento global, as graves consequências para a fauna do planeta e todas essas coisas. Porém, desta vez, gente mais atenta e menos apressada chegou-se à frente com uma outra verdade mais objectiva e fundamentada: eram jacarés de estimação abandonados por proprietários idiotas, que devem ter-lhes achado muita gracinha enquanto os bichos eram pequenos e serviam de corta-unhas, mas descobriram depois que se tornam uma maçada quando esticam e deixam de caber no bolso e quando é preciso dar-lhes comida e a banheira já não chega para o banho. Ainda por cima, parecem surdos e pouco inteligentes, porque nem aprendem a responder quando os chamam pelo nome e estragam tudo quando se põem a abanar o rabo. Sobretudo, são chatos. Mas mesmo chatos.

O caso ilustra bem a pressa habitual dos ambientalistas, portugueses incluídos. No nosso país, por exemplo, quando os ambientalistas se apressam a considerar que uma área do território nacional tem de ser preservada por lei como reserva natural devemos ficar logo de pé atrás: é sinal de que essa área é excelente para alterar a legislação e construir um outlet em grande.

Agosto casamenteiro (12)


jmmcc,

             

As propostas de hoje para bolos de noivos são dedicadas aos enlaces que não deviam existir, mas existem. Desde o casamento em que ele ainda está na fase das serenatas ao casamento em que ela já canta vitória antes da chegada dele, não faltam situações que nada auguram de bom. Excepto comer o bolo, claro.

Agosto casamenteiro (11)


jmmcc,

O bolo de casamento hoje sugerido não é para todos, mas vai certamente ao encontro de globe-trotters e easy-riders. Pode o enlace nem durar muito tempo, mas há-de ser um tempo movimentado e divertido para ambos. O problema maior destas uniões em duas rodas é que ele está sempre debaixo de olho, ao passo que ela não tem as mensagens visuais controladas.

A diferença: direito e dever


jmmcc,

Há um mês (foi a 26 de Julho), numa manifestação em Indianápolis, a posição pública assumida pela National Organization for Marriage  One Man, One Woman nada teve de compreensão ou sequer de tolerância, como se percebe pela imagem. Nem se esperava que tivesse: vinda, como vinha, de uma organização que se opõe fortemente ao casamento homossexual, sabia-se de antemão que a mensagem poderia ser tudo menos pacífica. Mas também não era preciso ostentar tal radicalismo, ou ainda haverá pela frente novas versões da tenebrosa Ku Klux Klan de outros tempos, agora contra os homossexuais.

No fundo, isto tem uma explicação e não vale a pena ficar-se a pensar se a liberdade de expressão e de manifestação tem balizas, porque não é disso que se trata. O problema continua a ser o mesmo de sempre: não manter diferente aquilo que representa diferenças sociais que entroncam na moral individual e colectiva (ou cultural) costuma ter consequências. Não querer perceber a tempo e aceitar que se está perante uma fractura da sociedade, desperdiçar a criação de laços entre as duas partes e optar por acentuar essa fractura à pressa e à força não é apenas desinteligente: acarreta resultados perversos.

Invariavelmente, o fundamentalismo exacerba-se quando se passa por cima dessa regra básica que é consagrar a diferença como um direito, para que o respeito pela diferença seja um dever. Ignorar esta regra é, afinal, desafiar os outros. Escusadamente. A violência é o passo seguinte.

A verdade versus o azeite


jmmcc,

Quando acabei de ver A Verdade e Só a Verdade (Nothing But the Truth, de 2008) dei por mim a pensar por que motivo o filme não acaba bem. Concluí que a verdade não tem de ser sempre como o azeite — e muitas vezes não é.

A crítica (internacional) não foi especialmente favorável ao filme. Os mais rancorosos disseram que “misturava”, a partir de certa altura, emoções e dúvidas de consciência com deontologia e exercício profissional. Como se uma boa história em torno do comportamento de pessoas comuns tivesse de alhear-se da própria complexidade do ser humano — e da massa íntima de que são feitos os retratados, por maioria de razão.

Quando a jornalista Rachel Armstrong (Kate Beckinsale) do ‘Capital Sun-Times’ divulga o que era para se manter como segredo de Estado — de evidente interesse público, pelos sombrios contornos políticos, pela gravidade dos factos e pela avaliação do carácter dos decisores de topo envolvidos — e é ameaçada pelas autoridades judiciais e confrontada com a prisão por não divulgar a sua fonte de informação, só há mesmo duas saídas: ou é um “heróico” déjà vu que vai acabar com a vitória do bem e da razão sobre o mal e a força do poder, ou é um argumento assumidamente realista e o caso não poderá ter um desfecho fácil.

Supostamente baseado em casos reais (ou num caso real de 2005, pelo menos), a narrativa do realizador Rod Lurie, também ele um crítico de cinema, desemboca intencionalmente num mar de dificuldades que são óbvias, ao invés de meter a martelo umas quantas ingenuidades facilitadoras que nada teriam que ver com a realidade tantas vezes tenebrosa dos nossos dias, aquela em que a protecção das fontes de informação do jornalista faz parte dos princípios mais pantanosos do jornalismo de investigação — um campo da actividade que entrou em declínio quando mais necessário era (e é). Misturar sentimentos em debate a um guião assim tão actual é apenas valorizar o lado humano de uma reflexão sobre liberdade de expressão e direito à informação.

Com o poder político e o sistema judiciário de mãos dadas, o primeiro confortavelmente recolhido enquanto o segundo se faz representar pelo “procurador especial” Patton Dubois (Matt Dillon), nomeado com uma máquina para arrasar os meios que lhe tolherem os fins, as normas do regime democrático estão viciadas. As armas são desiguais e ninguém que se queira sério pode desenhar a vitória da cidadania com os simples recursos de que os cidadãos dispõem (jornalistas incluídos, claro).

Não é difícil conservar escondida a verdade que for controlada pela conjugação de poderes, quando estes atropelam o princípio da separação das águas e violam a regra segundo a qual o seu exercício deve ser feito em nome do povo. Nem o azeite é para aqui chamado, nem a verdade há-de vir acima — pelo menos, em tempo útil — em tais condições.

A vitória é impossível e a luta desigual é inglória? Nem por sombras: a vitória está na resistência, na abnegação, no sacrifício do bem-estar. Mesmo quando a consciência é abalada por dúvidas próprias da fragilidade humana, ainda é ela que pode garantir a vitória. E deter o poder continuará a ser uma coisa efémera, por muito que os investidos tudo façam para prolongar a estadia — mais por obscuros interesses pessoais e menos pela transparência da missão de serviço público.

Agosto casamenteiro (8)


jmmcc,

Este bolo de casamento é para os que já sabem que a vida de um casal se faz de equilíbrios. Difíceis, muitas vezes. Cortar a primeira fatia deste bolo a duas mãos é o primeiro teste. Dispensa-se a tradicional representação do casal no topo. Só por causa das coisas, não vá começar tudo com um valente trambolhão.

Peanuts


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«Vamos ficar a conhecer os rostos das três múmias que pertencem à colecção do Museu Nacional de Arqueologia (MNA). E, mais do que isso, vamos ficar a saber tudo – ou pelo menos muito – sobre a sua condição física na altura da morte, as técnicas usadas para o embalsamamento, o estado de conservação dos corpos e outros segredos que possam ter guardado durante mais de dois mil anos.»

Com a nova tecnologia ao serviço do MNA, há-de ser peanuts a partir de agora saber tudo — das impressões digitais dos pés às matrículas dos automóveis — sobre corruptos, pedófilos, homicidas, contribuintes fraudulentos e outras figuras dos nossos dias, cuja segunda actividade, por ordem de importância, tem sido conseguir arrastar processos-crimes até lado nenhum.

Portugal respira de alívio, mesmo que demore mais um tempinho a descobrir se as múmias eram boas ou más a Português e Matemática.

O inglês técnico


jmmcc,

Na sua recente visita aos EUA, o primeiro-ministro e respectiva comitiva hospedaram-se num luxuoso hotel.

Ao fim da tarde, instalado no quarto 222 e reunido com um dos seus assessores, o primeiro-ministro pega no telefone, liga ao serviço de quartos e diz:

— Tu ti tu tu tu tu.

A funcionária não compreende o que o primeiro-ministro quer dizer e, pensando que se trata de uma mensagem cifrada, avisa o FBI. Num ápice, apresentam-se dois agentes que, postos ao corrente, não conseguem decifrar a mensagem e decidem chamar a CIA. Os serviços secretos mandam também dois agentes ao hotel, os quais começam logo a tentar decifrar a mensagem, mas sem qualquer resultado.

Entretanto, o primeiro-ministro volta a telefonar para o room service e todos o ouvem repetir:

— Tu ti tu tu tu tu.

Desesperados, os agentes resolvem recorrer ao tradutor oficial da embaixada norte-americana do outro lado do Atlântico. Um caça do Pentágono atravessa o oceano para ir buscar o tradutor e, à chegada e sem mais delongas, este é conduzido ao hotel e posto ao corrente da situação.

O tradutor decide disfarçar-se de criado, vai aos aposentos do primeiro-ministro e, finalmente, descobre o mistério. O primeiro-ministro queria dizer, no seu inglês técnico:

— Two tea to 222.

Nem o pai sabe nem a gente almoça


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«Se calhar, deveria ter avisado o pai antes.»

O filho de Gabriel Olim sobre a sua candidatura ao concurso lançado pelo instituto a que preside o pai de Nelson Olim

 

«As conversas que tenho com o meu filho são privadas.»

O pai de Nelson Olim sobre o concurso lançado pelo instituto a que preside e a que se candidatou o filho de Gabriel Olim

 

«Não tenho nada a ver com isso.»

O pai do filho

 

«É o máximo da transparência.»

O filho do pai