Sei que estou atrasado (por outros afazeres que me exigem maior pontualidade), mas quero registar aqui um facto que me despertou para uma realidade que tem sido escamoteada, nesta semana nacional do Orçamento e cujo desfecho está ainda longe de se adivinhar: a verdadeira dimensão da dívida dita “soberana”. Isto porque o governo tem afirmado sucessivamente que a dívida pública é muito inferior à dívida privada.
Foi preciso Vítor Bento, economista, gestor e conselheiro de Estado, dizer há dois dias que isso «é uma falácia». Porquê? Porque, da dívida privada, 25 por cento é dívida das empresas públicas e mais 20 a 25 por cento é das parcerias público-privadas. Ou seja: quase metade da dívida nacional supostamente privada também é, afinal, dívida pública encapotada.
Como nunca se viveu período de maior opacidade e resistência à verdade da vida pública, é bom ouvir (os poucos que sabem) chamar os bois pelos nomes. Além do mais, melhor se fica a entender a dimensão da teia viciosa de empresas públicas (e das famigeradas empresas municipais, pois claro) e dessa fatalidade mortal que são as parcerias público-privadas. Até porque fazem parte da discussão sobre o Orçamento que o PSD e o PS começam amanhã.













