Sabia que… (58)


jmmcc,

… a Suiça celebrou ontem a conclusão do maior túnel do mundo, o Túnel da Base de S. Gotardo (Gotthard Base Tunnel)? É verdade: tem 57 quilómetros (ultrapassa o Túnel Seikan no Japão, com 53,85 quilómetros, o Eurotúnel no Canal da Mancha, com 50,5 quilómetros, ambos ferroviários, e o Lötschberg Base Tunnel na Suíça, com 34,58 quilómetros, o maior túnel rodoviário do mundo, aberto em 2007), levou cerca de dez anos a construir e faz parte do projecto AlpTransit, com perto de 60 anos e um custo que ronda os dez mil milhões de euros. A conclusão da obra está prevista para 2017 e completa os dois outros túneis em S. Gotardo, o ferroviário, de 1881, e o rodoviário, de 1980.

O novo túnel faz a ligação Norte-Sul da Suíça e destina-se a comboios de alta velocidade e comboios de carga, esperando-se que diminua para metade o milhão e 200 mil camiões que atravessam anualmente os Alpes. A importante ligação entre Zurique e Milão (Itália) demora agora menos uma hora e, no final do projecto, menos hora e meia. Nessa altura, em 2017, a obra terá um total de 153,5 quilómetros de túneis (os dois sentidos da ferrovia são em túneis separados), poços e passagens, continuando sem beliscar a natureza e a montanha, bem como a vida invejável e tranquila das cidades e vilas da região.

O projecto foi aprovado em sucessivos referendos nos últimos 20 anos, por larga maioria, apesar de algumas críticas por custar quase 1300 euros a cada suíço, o que não impediu ontem uns sorrisos face aos vizinhos alemães, cuja oposição popular tratou de travar a construção de uma nova linha férrea de alta velocidade com passagens e estações subterrâneas. É que os eleitores suíços confiam na gestão dos dinheiros públicos e na competência da liderança política.

Qualquer tentativa de comparação com a realidade portuguesa seria um exercício pateta.

12 comentários em “Sabia que… (58)”

  1. «É que os eleitores suíços confiam na gestão dos dinheiros públicos e na competência da liderança política.»

    Só espero é que a reforma que se tem vindo a fazer na “educação” permita que daqui a uns anos os eleitores portugueses possam ser comparáveis aos eleitores suíços em matéria de maturidade na tomada de decisões para a realização das grandes obras públicas. É que agora ainda não estão nesse plano, nem eles, nem propriamente alguns dos políticos da nossa praça lusa.

    1. Uma coisa parece estar ligada à outra. Contudo, se pensar melhor, concluirá que a confiança dispensada a quem lidera não passa necessariamente pela educação (académica ou outra).

      Pode ser-se rude e/ou pouco instruído, mas confiar há-de começar sempre pela intuição e, depois, assentar nos factos.

      1. Na minha opinião, “confiar” tem sobretudo a ver com as provas dadas por aqueles em quem nos propomos confiar.
        A sociedade portuguesa está a léguas de distância da suíça; a formação do cidadão começa sempre do berço e tem a ver com inúmeros factores “herdados” de gerações anteriores. A educação no sentido lato, está na base de todo e qualquer projecto de formação individual e é o que faz mover a sociedade dentro dos parâmetros civilizacionais convencionados para o “primeiro mundo”. Assim sendo, quero eu com isto dizer que “nós” encontrando-nos muito mais perto do terceiro do que do primeiro mundo, as nossas decisões são muitas vezes tomadas de um ponto de vista subjectivo, egocêntrico e/ou emocional, não contribuindo em nada para atingirmos o grau de evolução a que nos propusemos aquando da nossa adesão à União Europeia.

        1. Certo. Sem retirar os dois aspectos que se sabe: intuição e preparação civilizacional. O primeiro é inato. O segundo está muito mais avançado do que é comum julgar-se. O que é que falta? Aquilo que muito bem disse: «provas dadas por aqueles em quem nos propomos confiar». E é neste ponto que reside o mal.

  2. A sorte dos suiços é não terem um Zé (Fernandes), senão tinham levado com 56 providências cautelares… Para não falar dumas 20 Quercadas.

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