“Sócrates não tem duas palavras.“
José Lelo, dirigente do PS
“Sócrates não tem duas palavras.“
José Lelo, dirigente do PS
“O problema é que o Estado não sabe em que é que gasta e, como não sabe em que é que gasta, tem dificuldade em saber em que é que há-de cortar.”
João Cantiga Esteves sobre o OE no Jornal das 9, SIC-N
«O primeiro-ministro não tem duas palavras.» A frase é do impagável secretário nacional do PS, José Lelo. Está mesmo a ver-se que os socialistas estão divididos e que Lelo já é um dos adversários internos de Sócrates. Sim, no momento que se atravessa, quem é que se lembraria de contar anedotas?
«É minha convicção que José Sócrates continua a ser o Timoneiro deste Transatlântico.» Neste final da viagem — cruzeiro de recreio para alguns, cruzada de enjoo para muitos — estamos quase lá. Triângulo das Bermudas à vista.
«O aumento dos juros está a aumentar para o nosso país.»
(Jorge Lacão na Edição da Noite, SIC-N)
Um dos pontos muito discutidos nas conversações entre o Governo e o PSD foi o dos «alimentos humanos», como referiu insistentemente o ministro das Finanças. Parece que alguém queria que tivessem preços populares. Quem seria o antropófago tão interessado em comprar ao preço da chuva «alimentos humanos»? E exactamente que parte(s) do corpo devia(m) ser as mais baratucha(s)?
«O primeiro-ministro vai chamar a São Bento a ministra do Trabalho, o ministro da Economia e o ministro das Obras Públicas.» Está a escapar-me alguma coisa. Não devíamos ser nós a chamar o primeiro-ministro?
O ministro da Justiça disse hoje que o combate à corrupção se faz «todos os dias». Achei estranho, porque nunca me tinha passado pela cabeça que fosse tanto, mas a verdade é que Alberto Martins não disse a partir de quando. Até ver, se fosse dia-sim-dia-não já não seria mau.
«PS acusa executivo de Macário Correia de aumentar dívida em três milhões de euros.» Vejam os leitores o valor indicado: três milhões de euros.
«O PS/Faro disse hoje que durante o primeiro ano de mandato do executivo liderado por Macário Correia as dívidas do município aumentaram 14 por cento, de 27 milhões para 31 milhões de euros.» Agora reparem na diferença entre os dois montantes: quatro milhões de euros; só que a diferença entre 27 milhões e 27-milhões-mais-14-por-cento é de 3,78 milhões de euros, ao passo que a diferença entre 27 milhões e 31 milhões não corresponde a um aumento de 14 por cento, mas sim de cerca de 15 por cento.
«A concelhia do PS/Faro analisou documentos facultados pelo município relativos ao plano de reequilíbrio financeiro, que vai ser votado em Assembleia Municipal dia 3 de Novembro, e concluiu que “a faturação/dívida da câmara PSD neste ano de mandato teve um aumento de cinco milhões”.» Eis aqui outro valor: cinco milhões de euros.
«João Marques, vereador socialista da Câmara de Faro, refere que em 2009 a dívida do município era de 27 milhões de euros e que, a dois meses do fim de 2010, é de “31,286 milhões de euros”.» Atentem na nova diferença: 4,286 milhões de euros.
A fazer fé na notícia, deixo-vos dois dados para reflexão: os sublinhados são meus, as contas são do PS.
… pensei eu quando li a manchete do jornal i, que titula no alto da primeira página em grandes parangonas: «Orçamento – Acordo governo-PSD pode ser fechado já hoje». Nem me tinha passado pela cabeça, mas a verdade é que pode ser fechado já hoje. A menos que não possa ser fechado já hoje.
Cheira-me, contudo, que a “notícia” é de ontem, porque o acordo podia ser fechado ontem — só que não pôde ser fechado ontem. Ou será uma “notícia” de amanhã?
«João-ã-ã… Bem-vindo-ã-ã… Como’stás-ã-ã…? (…) Achas que o IVA vai mesmo passar-ã-ã… para 23 por cento? Ou-ã-ã… vai manter-se-ã-ã… nos 22 por cento?»
(Pivot da Edição da Manhã ao jornalista João Palma Ferreira, SIC-N)
Por ocasião do PEC2, o PSD aceitou a recolha de receitas agravadas se o montante fosse igual ao das despesas cortadas pelo Governo até ao fim deste ano. Agora com o Orçamento, o Governo aceita um corte nas despesas para o próximo ano se o PSD apresentar receitas que respeitem um saldo igual ao previsto. Portanto, ambas as partes concordam sempre desde que tudo seja igual. Só as armas são desiguais: apenas uma das partes toma conta das receitas e das despesas. Precisamente aquela que nunca cumpre, sonega informação e pinta a realidade.
Quanto a mim, já vi este filme. Quanto ao PSD, não sei.
«Havia um quiosque em Leiria onde trocávamos os livros usados: deixávamos os lidos e levávamos outros, por uma fracção do preço. Major Alvega, Tarzan, Mandrake, Zorro, Davy Crockett (David Croquete), Seis Balas… Toda uma literatura de cordel, que completava a oficial, a das bibliotecas públicas e da escola. Uma e outra, devorava durante as aulas chatas. Ambas preenchiam a solidão de um miúdo de 13 anos, afastado aos quinze dias da família, num tempo em que os telefones serviam para anunciar as desgraças, e eram postais e cartas que levavam até mim a minha mãe, os meus irmãos, o meu pai, a minha avó.
Se fosse hoje, o dono do quiosque seria perseguido pela ASAE, pela Sociedade de Autores. Se fosse hoje, essas histórias politicamente incorrectas seriam substituídas por outras em que pessoas e animais são todos amigos. Se fosse hoje…»
Do nosso leitor José-Catarino. A propósito deste post do Pedro Correia.
Este blogue foi a este blogue fazer um link através da cópia de um excerto do texto. Uma cópia? Uma cópia não. Pegou no infinitivo do verbo «despir» e inventou (uma, duas, três vezes) algo extraordinário: o “plural do infinitivo”. E ficou todo satisfeito por ter emendado o original.
Entende-se: era sábado e este blogue não trabalha bem ao 6.º dia. Nem nos outros 5 dias de trabalheira inglória.
“Este Orçamento dá segurança às empresas, às famílias, para que elas possam obter crédito.”
O ainda primeiro-ministro
Bolo de casamento “Corta-mais-aqui”.
Como se percebe, trata-se de um bolo cuja cobertura só pode ser acabada depois de escolhido o vestido da noiva e entregue o modelo ao pasteleiro. A opção por este bolo é tomada por noivos à antiga, daqueles em que tudo há-de acontecer apenas no dia (ou noite) do enlace. Por isso, durante a boda vão ensaiando: corta um pedaço aqui, rasga mais acolá, tira daquele lado…
(A meias com a Ana Vidal)