Este blogue foi a este blogue fazer um link através da cópia de um excerto do texto. Uma cópia? Uma cópia não. Pegou no infinitivo do verbo «despir» e inventou (uma, duas, três vezes) algo extraordinário: o “plural do infinitivo”. E ficou todo satisfeito por ter emendado o original.
Entende-se: era sábado e este blogue não trabalha bem ao 6.º dia. Nem nos outros 5 dias de trabalheira inglória.

O comentário que se segue é de natureza estritamente linguística e surge unicamente porque estranhei a referência ao “plural do infinitivo”.
O Português é uma das raras línguas do Mundo — e a única que conheço — com dois infinitivos: não flexionado (sem marcas de pessoa nem de tempo) e flexionado (com marca de pessoa, mas sem tempo). (E.g., “amar” e “amares”.) Sendo assim, os autores do blogue “inimigo” nada inventaram. Questão diferente é o emprego “correcto” do infinitivo flexionado:
“obrigados a despirem-se.” A opção pelo infinitivo flexionado deve-se, provavelmente, à consciência do sujeito, os cinco jovens:
“obrigados a [eles] despirem-se”.
Pois, meu caro. Muito bem explicado. Porém, a verdade é que “(eles) foram (…) obrigados a despir-se”, pelo que a provável consciência do sujeito levou o autor a emendar o que estava certo.
Bem a propósito, se tem reparado, a falsa consciência do sujeito tem resultado numa insistência do erro que está a vulgarizar-se inexplicavelmente. Na prática, o infinito não flexionado parece ter desaparecido, mesmo entre pessoas com obrigações de natureza académica.