O ministro das Finanças dá conta dos seus receios, caso o Orçamento seja chumbado, e do consequente abalo para a nossa credibilidade interna e externa. Bem pode Teixeira dos Santos perorar: o seu nome ficará para sempre associado a essa credibilidade já há muito abalada e pela qual nunca soube ou nunca quis bater o pé. As suas sucessivas faltas de acerto a prever o que tanta gente previu e o seu papel de eco político do primeiro-ministro que se prestou a fazer a favor do logro persistente, falam por si.
Como se já não nos bastasse a corrupção que grassa, ainda temos andado a aturar despesismo, incúria, incompetência, amiguismo e abusos generalizados. Não, não é a “nossa” credibilidade que está em causa, porque há muito que pagamos isso tudo até ao tutano. O que está em causa é a liderança política incapaz e irresponsável que o ministro das Finanças não combateu. Essa liderança é que vai ter de mudar depressa. E não é líquido que ela não venha desta vez a ser responsabilizada. Para variar.

É precisamente essa responsabilização que, tal como um sócio brasileiro que tive, obeso, ele está a tentar empurrar (o meu sócio dizia que empurrava com a barriga).
Não deu resultado e acabou por levar na cabeça.
É a vida….
O Ministro das Finanças já não se deve reconhecer quando se vê ao espelho. Ao longo destes anos, a sua imagem foi perdendo nitidez até ficar completamente desfocada. E, por estes dias, é possível até que a imagem que o espelho lhe devolve seja a da cara de José Sócrates.
Subscrevo. O ministro que num ano fez quatro sucessivas avaliações do défice das contas públicas (com números cada vez mais elevados) e que garantiu no programa eleitoral do PS, no Verão de 2009, que o “problema orçamental” estava solucionado ficará para sempre ligado a este descalabro.