Já não era sem tempo


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Com imenso tempo de atraso e uma despesona de custos e mordomias às costas, «o Governo aprovou, em definitivo, a extinção dos governos civis», pondo assim fim a uma das maiores aberrações administrativas da nossa tristíssima realidade, a qual só serviu para cobrir uma parte do compadrio político que passou a dominar este país. Sócrates encarregou-se de demonstrar isso mesmo a seguir às Autárquicas, quando ofereceu escandalosamente vários lugares de governadores civis aos candidatos socialistas que não tinham ganho autarquias por rejeição dos eleitores.

Entrevista possível


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Pode utilizar-se a expressão entrevista, desenvolver a ideia de que a maioria dos contribuintes não dispõe de informação bastante e menos ainda de conhecimentos técnicos suficientes e, por fim, concluir que se faz e se diz que faz aquilo que é possível.

Eliminando o conteúdo entre os dois termos, fica entrevista possível. A interpretação é da minha inteira responsabilidade, mas devo dizer que me agrada especialmente. E ainda me agrada mais depois de suprimido o desenvolvimento da ideia. Entrevista possível, sim. Afinal, esperavam o quê?

O último dos Jerónimos


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Nunca tentei hibernar, mas tenho andado a estiar tão bem e por tão sérias razões que só um valentíssimo e ruidoso susto poderia chocalhar-me e despertar-me tão completamente: Jerónimo de Sousa não quer que o TGV seja suspenso. Assim mesmo, tal e qual.

Ainda estremunhado, procurei descortinar um bom motivo. Encontrei-o. O líder do PCP diz que «temos de continuar ligados à Europa». Cruzes! Bem avisava o Sócrates: o mundo mudou muito.

Isto não está a mudar


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«A conservação de um troço da Linha do Tua por voluntários e o “comboio-farmácia” são projectos para criar um novo modelo social dos caminhos-de-ferro — relatou o Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT).» Portanto, isto não está a mudar, porque já o ex-ministro Mendonça queria comboios e mais comboios e, no fim, ficámos com menos comboios do que havia antes.

Bom… algo está a mudar: o ex-ministro Mendonça já não aparece nas televisões com balelas. Felizmente. De resto, Portugal já está a mudar: leiam a notícia toda a partir do link e vejam as ideias meritórias daquele MCLT, bem como a receptividade (mudança das mudanças) da CP às propostas.

A peroração dos desiludidos


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Leio aqui um post supostamente sobre «A dupla desilusão dos analistas» e supostamente para ser levado a sério, no qual Estrela Serrano conclui que «a desilusão que começa a ganhar forma no espaço público pode tornar-se duplamente penalizadora para o governo porque abrange as duas vertentes da “ilusão” prometida: a ilusão de uma ética que era negada ao seu antecessor e a ilusão de opções económicas mais justas».

As esquinas mais estreitas da opinião transbordam desses passantes desiludidos que exigem em poucas semanas o que ninguém conseguiu arrancar àquela autora, a Azeredo Lopes e à ERC — a inoperante Entidade Reguladora para a Comunicação Social — durante anos. Chamo-lhes passantes porque não vão ficar a ganhar raízes nem a fazer História. Ficam a perorar por se sentir excluídos e esfumar-se-ão depois.

É verdade que não sei se assistirei a grandes mudanças, a um novo ciclo capaz de recentrar a vida pública na ética e nos valores que me agradam e que aprendi a defender desde a juventude. Não, não sei ainda, mas já tenho muita estrada andada, já vejo muito caminho quando olho para trás, e isso permite-me saber que se fechou um ciclo.

Parafraseando Estrela Serrano, reconheço que foi encerrado um período duplamente penoso por abranger duas vertentes: a falta de ética na política que servisse de exemplo e a falta de valores morais que elevassem o sentido de justiça. Para já, antes de me desiludir, tentarei contribuir (antes como agora) para aquilo que defendo. Através de cidadania exercida — não a perorar em vão.

«A palhaçada fiscal»


jmmcc,

 

«The fiscal clown show continues. A few days after Congress and the White House agreed to raise the debt ceiling and cut spending, Standard & Poor’s has downgraded the United States of America’s credit rating from AAA to AA+.» É assim que começa um artigo no blogue Contrary Indicator assinado por Daniel Gross, editor de Economia do Yahoo! Finance, sob o título Is the U.S. Credit Rating a Victim of GOP Sabotage? (no qual se insurge contra a maioria republicana no Congresso).

Com efeito, “continua a palhaçada fiscal do show” que a Standard & Poors está sempre disposta a encabeçar para baralhar e dar de novo. A diferença, agora, é que os norte-americanos já não estão a falar do comportamento dos outros, mas sim das agências que têm dentro de portas e que eles se habituaram a alimentar e sobrevalorizar. Pode ser que ainda venham a alargar as vistas sem a cegueira de quem comanda os mercados mundiais, mas antes com o respeito que os outros devem merecer. É bom que o façam.

O risco, a prazo, é muito simples de enunciar: um dia, o Dólar regressa a casa e encontra o Renminbi com o roupão e os chinelos dele e instalado confortavelmente no sofá da sala.

 

ADENDA — Pequim já lamentou que os EUA tenham deixado cair o seu rating e ralhou com Washington, que se prepara para voltar a receber em breve o presidente chinês. É o renminbi a ganhar terreno, está claro.