Leio aqui um post supostamente sobre «A dupla desilusão dos analistas» e supostamente para ser levado a sério, no qual Estrela Serrano conclui que «a desilusão que começa a ganhar forma no espaço público pode tornar-se duplamente penalizadora para o governo porque abrange as duas vertentes da “ilusão” prometida: a ilusão de uma ética que era negada ao seu antecessor e a ilusão de opções económicas mais justas».
As esquinas mais estreitas da opinião transbordam desses passantes desiludidos que exigem em poucas semanas o que ninguém conseguiu arrancar àquela autora, a Azeredo Lopes e à ERC — a inoperante Entidade Reguladora para a Comunicação Social — durante anos. Chamo-lhes passantes porque não vão ficar a ganhar raízes nem a fazer História. Ficam a perorar por se sentir excluídos e esfumar-se-ão depois.
É verdade que não sei se assistirei a grandes mudanças, a um novo ciclo capaz de recentrar a vida pública na ética e nos valores que me agradam e que aprendi a defender desde a juventude. Não, não sei ainda, mas já tenho muita estrada andada, já vejo muito caminho quando olho para trás, e isso permite-me saber que se fechou um ciclo.
Parafraseando Estrela Serrano, reconheço que foi encerrado um período duplamente penoso por abranger duas vertentes: a falta de ética na política que servisse de exemplo e a falta de valores morais que elevassem o sentido de justiça. Para já, antes de me desiludir, tentarei contribuir (antes como agora) para aquilo que defendo. Através de cidadania exercida — não a perorar em vão.