«A conservação de um troço da Linha do Tua por voluntários e o “comboio-farmácia” são projectos para criar um novo modelo social dos caminhos-de-ferro — relatou o Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT).» Portanto, isto não está a mudar, porque já o ex-ministro Mendonça queria comboios e mais comboios e, no fim, ficámos com menos comboios do que havia antes.
Bom… algo está a mudar: o ex-ministro Mendonça já não aparece nas televisões com balelas. Felizmente. De resto, Portugal já está a mudar: leiam a notícia toda a partir do link e vejam as ideias meritórias daquele MCLT, bem como a receptividade (mudança das mudanças) da CP às propostas.

Estou com eles.
Parece que eles merecem.
Ideias meritórias?!
Quando aparecem com a treta do “novo modelo social” em vez de modelo empresarial, ficamos logo elucidados.
Pôr um escuteiro a fazer uma viagem num determinado dia do mês para aviar receitas de farmácia é de génio. Parece que a viagem é gratuita, pelo que o valor acrescentado para a CP deve ser colossal…
Já a Refer só pode agradecer que a manutenção das linhas seja à base de trabalho voluntário. Parece que a coisa funciona na Inglaterra. Só é pena a linha do Tua não ser no Algarve, onde não faltam bifes reformados.
Quanto à receptividadde da CP a tão belas propostas, digamos que ela é proporcional à descida do seu rating. Nesta altura, a administração está por tudo. Desde que não se mexa nos salários dos administradores…
Caro sampy, nunca medi o meu QI, mas acho que estarei uns furos abaixo do grau de génio… E como a ideia é mesmo “social”, o objectivo não é dar € 2,90 por semana à CP, que é a soma necessária a um bilhete de ida-e-volta entre o Cachão e Mirandela. Não estou a ver a CP a colmatar o seu défice de décadas de má gestão da rede e empréstimos atrás de empréstimos com € 2,90 por semana, mas esteja à vontade para me/nos convencer do contrário.
Mas agradecemos o seu entusiasmo por um modelo onde os trasmontanos comecem a gerir o seu próprio património, ao invés de uma data de gente em Lisboa que ou não conhece nada da região, ou até nasceu lá mas está-se borrifando para ela (Sócrates e Dulce Pássaro, só para referir alguns exemplos recentes). Ou simplesmente um modelo onde se substitua o bota-abaixismo e o coçamento da micose (desporto nacional predilecto) pela acção, acho eu…
E já agora: conhece o vale e a Linha do Tua?
Cumprimentos trasmontanos;
DC
Acho que não vale a pena, Daniel. Há respostas que damos sabendo de antemão que são palavras perdidas.
Com efeito caro João, com efeito…
E já agora um obrigado deve-se por ter dado atenção a este caso (o do MCLT, claro está)!
Se isto tiver alguma importância, é precisamente ao MCLT que fica a dever-se. Faço votos para que tenham todo o sucesso naquilo a que se propõem. Um abraço para si, meu caro.
Caro Daniel, não é preciso conhecer o vale do Tua para reconhecer um socialista. Em Lisboa ou em Mirandela, são todos iguais.
“O objectivo não é dar € 2,90 por semana à CP”. Claro que não. O objectivo é que algum pacóvio pagador de impostos dê essa quantia para custear mais uma viagem “gratuita”. A não ser que ainda pense que as coisas gratuitas são mesmo de graça…
Mas alto!, parece que a quantia é irrisória, mesmo insignificante. Não é uma gota a mais ou a menos que faz diferença num barco totalmente inundado. Isto “dito” por quem se propõe criar um novo modelo de gestão de barcos. Supõe-se que flutuáveis…
Que queiram ajudar os velhinhos, tudo bem. Que o façam à custa da CP, pouco me incomoda, que a rambóia está-se a acabar. Que se digam “amigos da linha”… só se for da branca.
Bem, primeiro chamou-me de génio, o que manifestamente não sou; agora chama-me de socialista, quando nem com a esquerda me identifico. Para mim diz muito do seu poder argumentativo…
Para terminar com esta troca de ideias tão sadia, porque sinceramente tenho bem mais que fazer que estar a dar-lhe importância, só gostaria de desejar que quando chegar à terceira idade, talvez numa aldeia do Interior (e qualquer uma serve), não precise realmente de chatear nem o Estado/contribuintes nem a sua comunidade para conseguir ter um mínimo de qualidade de vida. Sete palmos de terra para a horta e os merceeiros ambulantes providenciarão todo o conforto necessário, acredito.
Nem de propósito, houve entretanto por aqui um post que me parece adequar-se a esta conversa finda: nele reza “A estupidez é um direito, mas tu já estás a abusar”.
Quanto aos € 2,90 não seja por isso; pago eu do meu bolso, para que os contribuintes não tenham de entrar dolorosamente com os seus respectivos € 0,00000029 neste autêntico assalto ao erário público!
Caro Daniel, está a ver como chegou lá? E ainda diz você que não se considera um génio. Tanta modéstia…
Agora, é apenas perseverar: sempre que lhe surgir uma ideia luminosa para pôr o Estado a pagar, diga para si mesmo: “Não. Prefiro pagar do meu bolso”. É um tratamento doloroso, mas sentirá os seus poros a expelir todo o socialismo que há em si. Asseguro-lhe que a sensação de liberdade será indescritível. E a sua qualidade de vida aumentará exponencialmente, estou certo.
Quanto às suas insinuações sobre a minha estupidez, permita-me, caro Daniel, que não lho leve a mal. Estou já acostumado a isso, sempre que vou às Finanças tratar de pagar pontualmente os meus impostos…
Há uns 20 (ou serão 30???) anos cheguei a York de combioio para passar uns dias e um senhor muito simpaticamente, ajudou-me a levar o saco para a pensão onde ia ficar. Pelo caminho explicou-me que era um ex-ferroviário e agora era um dos “donos” duma linha de comboio a vapor, e que ia a caminho do seu turno de vigilância para manter o comboio a funcionar.
Já sabia que os ingleses são completamente vidrados em comboios, mas fiquei muito impressionada.
É verdade. E é assim que se conserva o património histórico, o que equivale a conhecer a História, a respeitar os antepassados e conservar as memórias — no fundo, tudo o que sustenta o nosso futuro e o dos vindouros.