Mais trinta cidades que jamais esquecerei (XXII)


Pedro Correia,

 

BERLIM

“Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim.” (John Fitzgerald Kennedy)

14 comentários em “Mais trinta cidades que jamais esquecerei (XXII)”

  1. Cá está a cidade que me surpreendeu e me cativou. Visitei Berlim em férias esperando pouco desta capital… depois, não foi a sua beleza, que até tem alguns recantos interessantes mas possui um centro esteticamente desequilibrado, embora rico de história. Berlim cativou-me pela sua pujança cultural, óperas, orquestras sinfónicas, concertos nas igrejas e nas ruas, bares de rock desde o heavy ao mais suave, jazz, bailados, punks cordatos ao meu lado na ópera, enormes livrarias, numerosos museus dos mais variados géneros.
    Berlim abriga toda a Europa cultural no seu interior…

        1. É verdade. Esta cidade transfigurou-se em poucas décadas: depois de ter sido um símbolo da opressão hoje é um dos maiores símbolos mundiais de liberdade. Só visitando-a com algum vagar se perceber isso bem.

  2. Para entender completamente a frase de Kennedy acima transcrita recomendo uma viagem de final de dia num daqueles autocarros que têm a sua estação terminal bem dentro da parte leste e que o deixará durante algum tempo num lugar deserto, não obstante os prédios enormes das redondezas, de onde será seu único desejo sair rapidamente. Após ter conseguido voltar, faça uma vistinha ao Check Poit Charlie.
    Um friozinho pela espinha abaixo é sensação garantida. Será uma experiência que dificilmente esquecerá, mesmo que não saiba muito da História da separação de Berlim no final da 2.ª G.G.

    1. Foi isso mesmo que senti quando estive em Berlim em 1983, ainda com aquele muro sinistro a dividir a cidade. O mais abjecto símbolo da Guerra Fria e de um sistema político que se viu forçado a levantar aquela parede de betão para estancar a fuga de milhares de habitantes.
      Foi o meu baptismo de ‘socialismo real’. E nunca mais esqueci: valeu por um doutoramento em Ciência Política.

      1. Muito obrigado Pedro :). Mas deve-se esclarecer que divido o meu tempo entre Holanda (onde moro) e Alemanha (onde trabalho). E continuo a ir preferindo a Alemanha à Holanda (e Berlim a Amesterdão).

  3. Inesquecível, inigualável, complexa e descomplexada.
    Ser ser imperial como Viena, deslumbrante como Praga, sedutora como Lisboa ou Paris , é para mim a “capital” da Europa.
    Imprescindível para se compreender o século passado e sem a menor das dúvidas as próximas décadas deste.

    Quando penso em Berlim lembro-me deste poema de Brecht, não me perguntem porquê.

    Prazeres

    O primeiro olhar da janela de manhã
    O velho livro de novo encontrado
    Rostos animados
    Neve, o mudar das estações
    O jornal
    O cão
    A dialéctica
    Tomar duche, nadar
    Velha música
    Sapatos cómodos
    Compreender
    Música nova
    Escrever, plantar
    Viajar, cantar
    Ser amável.

    Bertold Brecht

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