Evidência


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O presidente do governo da Madeira distribuiu um extenso documento em que divulga informação para contrariar acusações de despesismo, toda ela traduzida em números. Parece que ele está um bocado perdido: qualquer documento exaustivo sobre anos de despesas só confirma o despesismo que se sabe. Mais ainda se tivermos em conta a reduzida população da Madeira e a diferença monstruosa da dívida per capita dos cidadãos nacionais e dos madeirenses.

Porém, há outro aspecto que o jurássico presidente não entendeu ao tomar a iniciativa de divulgar tamanha lista de números: toda a gente hoje olha de soslaio para qualquer número divulgado pelo dinossauro do Funchal. Por motivos muito evidentes.

Será que sim?


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«O procurador-geral da República (PGR) vai analisar se houve violação da lei de crimes da responsabilidade de titulares de cargos públicos.» Será que pode realmente haver responsabilização desta natureza em Portugal?

«O PGR vai analisar a omissão de dívida da Madeira revelada pelo Banco de Portugal e Instituto Nacional de Estatística que ascende a 1113 milhões de euros», para saber «se houve uma violação da lei de crimes da responsabilidade de titulares de cargos políticos, nomeadamente a violação consciente de leis orçamentais por parte do governo regional da Madeira». Será que sim? Por uma vez, haverá responsáveis políticos em Portugal?

O homem-balão


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A lata vesga do homem enquistado no cargo de presidente do governo da Madeira, espécie de primeiro-ministro regional com ar de rei das bananas, é insuportável há muito tempo. Cheio de ar e vento como os balões, resume tudo a banalidades e a razões redondas que não tapam a ilegalidade do endividamento contraído à sucapa.

O caso deita para segundo plano uma série de atropelos que têm caracterizado a vida pública madeirense, como seja o motivo pelo qual o homem entendeu ignorar a aplicação da norma nacional sobre a escolha entre o vencimento do cargo exercido e a reforma atribuída. Ainda se as duas quantias por inteiro à margem do estipulado para o resto do país servissem para o homem ser obrigado a repor as dívidas indevidas da Madeira, não é?

Democracia de Chicoti


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«Temos um país com vários grupos étnicos, com várias sensibilidades políticas e se cada um for para a rua e pegar em alguma coisa? É verdade que vamos aceitar algumas manifestações, mas temos que ter o cuidado de que isso não descambe.» São palavras do ministro angolano Georges Chicoti, de visita a Portugal, a propósito da recente manifestação de alguns jovens em Luanda que foram cercados pela polícia, detidos, identificados e levados a tribunal.

Para Chicoti, há que «consolidar a democracia» e reconhecer que existem «possibilidades para todos os cidadãos apresentarem as suas opiniões»; estão previstas eleições no próximo ano e «os partidos políticos terão direito a participar nessas eleições». Convenhamos que esta condescendência em tom paternalista do ministro das Relações Exteriores é capaz de não traduzir completamente as relações interiores em Angola.

“Um país com várias sensibilidades políticas”? Todo o cuidado é pouco. Onde é que já se viu uma democracia assim, não é?

Não era a Madeira independente


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Alberto João Jardim ameaça desencadear processo de revisão constitucional. E o tom é mesmo ameaçador: «Se aqueles senhores no Continente resolverem adiar e não fazer a Revisão Constitucional, os deputados do PSD da Madeira vão convocá-la na mesma em sede da Assembleia da República, mesmo que ela seja chumbada, para depois, a seguir, podermos recorrer às instâncias internacionais.»

Estas ameaças em que ele é useiro e vezeiro levam-me sempre a pensar que já era altura de Portugal ser independente da Madeira…

Miss Lopes


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É angolana e acaba de ser coroada Miss Universo. Leila Lopes vai andar um ano a correr país atrás de país na defesa de causas muito tocantes, conforme a agenda habitual que lhe está destinada. Que tal se algumas dessas causas fossem as do povo angolano e dos jovens manifestantes de Luanda que são cercados pela polícia e levados a julgamento?

PS: o congresso e o logro


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Nem é preciso esperar pelo encerramento: o congresso do PS recheou de vulgaridades e lugares-comuns o pavilhão de Braga, o que corresponde exactamente ao que podia esperar-se. Menos esperada, porém, foi a incapacidade para o partido assumir o lamentável estado em que deixou o País ao fim de seis anos de governação, preferindo descobrir todos os defeitos e mais alguns num Governo que ainda não leva cem dias de trabalho.

Em suma: a palavra “exigência” tão abusada no discurso do PS é destinada exclusivamente aos outros, o que revela bem o logro daquelas intervenções que não se ficaram pelo martelar desgastado do que é normal e vulgar. Dois exemplos desse logro: a situação da Madeira foi insistentemente apontada, mas foi tímido o reconhecimento da situação nacional para que fomos empurrados pelo governo socialista; o contraste entre as promessas eleitorais e as primeiras medidas tomadas pelo actual Governo foi denunciado à exaustão, mas não houve uma só palavra sobre o sucessivo incumprimento de todas as promessas anunciadas pelos governos de Sócrates.

Tudo isso era escusado e até indesejável. Mas o PS quis que fosse assim e nem sequer faltaram alguns momentos para tentar lavar a imagem de Sócrates, apesar de toda a gente saber que não existe saponária capaz.

O logro deste congresso socialista permite adivinhar que o PS tem pela frente uma longa travessia do deserto. O partido irá manter-se distanciado dos eleitores todo o tempo que estes demorarem a esquecer aquilo de que o próprio PS se fez esquecido em tão pouco tempo.

Luanda: o avanço da democracia


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Tal como o nosso Rui Rocha assinalou aqui por baixo, «a polícia angolana fez várias detenções, esta quinta-feira, junto ao tribunal onde estão a ser julgados 21 jovens detidos sábado num protesto contra o presidente angolano». Aguarda-se a todo o momento que venham a ser feitas novas detenções junto à rua do tribunal onde foram detidos jovens que protestavam contra a detenção dos outros jovens detidos no sábado e que estão a ser julgados. Mais tarde, tudo indica que deverão ser feitas mais detenções nas redondezas das ruas onde tiverem sido feitas as detenções daqueles que apoiavam na rua do tribunal os jovens que protestavam contra a detenção dos outros jovens detidos no sábado e que estão a ser julgados. É até provável que venha a haver detenções em casas junto a essas ruas onde tiverem sido feitas as detenções daqueles que apoiavam na rua do tribunal os jovens que protestavam contra a detenção dos outros jovens detidos no sábado e que estão a ser julgados. E assim por diante, nesse desenvolvimento imparável da democracia angolana.