
Nem é preciso esperar pelo encerramento: o congresso do PS recheou de vulgaridades e lugares-comuns o pavilhão de Braga, o que corresponde exactamente ao que podia esperar-se. Menos esperada, porém, foi a incapacidade para o partido assumir o lamentável estado em que deixou o País ao fim de seis anos de governação, preferindo descobrir todos os defeitos e mais alguns num Governo que ainda não leva cem dias de trabalho.
Em suma: a palavra “exigência” tão abusada no discurso do PS é destinada exclusivamente aos outros, o que revela bem o logro daquelas intervenções que não se ficaram pelo martelar desgastado do que é normal e vulgar. Dois exemplos desse logro: a situação da Madeira foi insistentemente apontada, mas foi tímido o reconhecimento da situação nacional para que fomos empurrados pelo governo socialista; o contraste entre as promessas eleitorais e as primeiras medidas tomadas pelo actual Governo foi denunciado à exaustão, mas não houve uma só palavra sobre o sucessivo incumprimento de todas as promessas anunciadas pelos governos de Sócrates.
Tudo isso era escusado e até indesejável. Mas o PS quis que fosse assim e nem sequer faltaram alguns momentos para tentar lavar a imagem de Sócrates, apesar de toda a gente saber que não existe saponária capaz.
O logro deste congresso socialista permite adivinhar que o PS tem pela frente uma longa travessia do deserto. O partido irá manter-se distanciado dos eleitores todo o tempo que estes demorarem a esquecer aquilo de que o próprio PS se fez esquecido em tão pouco tempo.