Felícia deparou com ela própria


jmmcc,

«As provas são novas. Eu, pelo menos, não as conhecia e deparei-me com elas no Brasil.»

Jornalista Felícia Cabrita à Rádio Renascença sobre a investigação que fez ao papel de Duarte Lima no “caso Feteira”

27 comentários em “Felícia deparou com ela própria”

          1. Oh João permita-me que faça aqui a apologia da riqueza da língua portuguesa ao nível da construção frásica! Não há nada de errado com a formulação deparar-se com algo, que, com bem referiu o sampy vem referenciada no Aurélio. Verbos como deparar ou confrontar apresentam uma panóplia de construções possíveis ao gosto do leitor. Pessoalmente, odeio deparar-me com o verbo deparar sem aquele apêndice pronominal. Dá-lhe um-não-sei-quê de que gosto muito. E como tal, ao deparar-me com esta crítica a algo que tanto prezo, não podia deixar que não se deparasse o João com o outro lado da questão. Parece-me simplesmente uma questão estilística.

            Aí fica uma síntese das construções pronominais e não-pronominais do verbo deparar. E com base no Aurélio e tudo:
            http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=13625

          2. É o que eu digo: o Aurélio é suspeito. Voto sempre no estilo directo, aquele que não tem os artifícios de que não precisa, o que é verdadeiramente descomplicado e recusa entendimentos dúbios.

  1. Lembrei-me do “…deparei-me com uma ilha, uma pequena maravilha, toda submersa, resistindo à toada…” (grandérrimo Carlos Tê) ao ler o texto e, também, ao ouvir, ontem , no noticiário da meia-noite “Sic Notícias, a jornalista ao telefone.
    Pareceu-me que, àparte essa parte, ela efectivamente se deparou com provas novas – ou, pelo menos desconhecidas do público até ao momento.A factura do aluguer da viatura, os e-mails enviados pelo Duarte Lima, etc…
    Parece-me óbvio que a jornalista em questão não tem muitos amigos entre a classe e, muito menos, junto dos políticos e videirinhos da nossa praça.
    Eu, pessoalmente, dou-lhe mérito.
    Fazer jornalismo de investigação é uma prática ainda pouco generalizada entre nós e a Felícia afronta interesses e vai ao fundo do poço, ou tenta ir.
    No caso em apreço não zombem dela porque, julgo eu, ninguém se tirou das tamanquinhas e partiu em busca do embróglio Lima.
    Esse é o ponto!

  2. Curioso como ninguém opina sobre o caso em si, preferindo deparar-se com uma futilidade…
    Entretanto, o dito cujo continua à solta. E a gozar a massa da velhota.
    É obra, não acham?

  3. Para mim, deparar-se só faz sentido quando alguém descobre qualquer coisa inesperada numa linha de pensamento, como por exemplo deparar-se com uma dúvida ou deparar-se com uma hipótese. Como estamos na esfera da própria pessoa, não me parece que não faça sentido utilizar essa opção para acentuar esse acontecimento interior. Mas para situações inesperadas que ocorrem fora da esfera do eu parece-me mais correcto não implicar o verbo no modo reflexo porque não se descobre nada inesperado sobre si ou em si mas no exterior. Por exemplo: “ao sair da floresta deparei com um rio” é melhor do que “ao sair da floresta deparei-me com um rio. Isto, no fundo, é como no xadrez. Numa dada situação há várias jogadas possíveis – mas uma é melhor do que as outras todas.

      1. Nunca se utilizaria dessa forma. A imagem no espelho é um facto externo. Mesmo que se descobrisse uma coisa inesperada seria melhor “olhei para o espelho e deparei com uma criatura estranha”; mas já não seria totalmente absurdo se dissesse: “olhei para o espelho e deparei-me com a hipótese de aquele não ser eu”. Neste caso já existe um momento de cogitação e surpresa que pode ser acentuado.

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