«(…) Verão, período de férias, período de praia, período balneário (…)»
Cristina Ferreira, sempre histérica com Manuel Luís Goucha, no Você na TV!, TVI
«(…) Verão, período de férias, período de praia, período balneário (…)»
Cristina Ferreira, sempre histérica com Manuel Luís Goucha, no Você na TV!, TVI
Torre Montparnasse,
Paris (França)
A Torre Montparnasse (também chamada Torre Maine-Montparnasse), no bairro de Paris com o mesmo nome, foi erguida num terreno preparado em 1969. A primeira pedra surgiu em Abril de 1970, a obra ficou concluída em 1972 e a torre foi inaugurada em 1973. Tudo isto apesar da intensa polémica levantada logo de início.
Com efeito, já vinha dos anos 30 a contestação ao posicionamento da velha Gare Montparnasse e aos problemas de trânsito que ela gerava. Depois da II Guerra Mundial, com o país a recuperar e com a entrada em vigor do plano director da cidade em meados da década de 50 — que visava dar outro arranjo a toda a zona e facilitar o trânsito crescente — surgiram os primeiros projectos para uma torre assente no lugar da gare, torre vivamente criticada a partir de então pela altura excessiva que era proposta.
Em 1968, o projecto existente era apoiado por André Malraux, então ministro da Cultura de Georges Pompidou, o que contribuiu decisivamente para que a construção fosse em frente sem apelo nem agravo.
Os primeiros sinais no terreno começaram a ver-se ainda nesse ano e, no ano seguinte, 1969, o projecto final incorporava um centro comercial e a continuidade da grande polémica pública era definitivamente ignorada pela decisão das autoridades: a torre ocuparia mesmo o lugar da antiga gare, conforme a concepção dos arquitectos Jean Saubot, Eugène Beaudouin, Urbain Cassan e Louis Hoym de Marien.
Porém, os quatro arquitectos, ainda em 1966, já tinham estado envolvidos na construção da nova Gare Montparnasse, a algumas centenas de metros da anterior, e na desactivação e destruição da Gare de Maine, o que sugere um jogo de influências a favor da torre e dos seus autores.
Assente em fundações constituídas por um total de 56 pilares de betão armado que atingem os 70 metros abaixo do solo, parte deles com um diâmetro de 3,5 metros, a obra obrigou a construir um forte separador igualmente em betão armado no subsolo, a fim de proteger a linha muito próxima do metropolitano que passa em Maine e Montparnasse.
Com cerca de 210 metros de altura do chão ao topo, a torre foi o prédio mais alto de Paris e de toda a França durante vários anos, além de ter sido o edifício comercial ou de negócios mais alto da Europa até 1990, ano da inauguração do conhecido edifício Messeturm (à direita), em Frankfurt (Alemanha).
A Torre Montparnasse tem 7200 janelas em 40 mil metros quadrados de fachadas. No interior, contam-se seis andares abaixo do solo, que incluem um parque de estacionamento público, e 58 andares do piso térreo ao topo, com uma área média de 1700 metros quadrados cada piso. No total, são 30 mil metros quadrados destinados ao comércio (as lojas do centro comercial) e cem mil metros quadrados de escritórios (12 mil a 13 mil escritórios).
Além de cinco monta-cargas, a torre possui 25 elevadores destinados a diferentes grupos de andares. O mais rápido deles faz os 196 metros entre o rés-do-chão e o 56.º andar em 38 segundos, o que permite subir da rua ao apreciado restaurante panorâmico Ciel de Paris (à esquerda) a uma velocidade de 22 quilómetros à hora. Mais acima fica a cobertura (por cima do 58.º e último andar), que é um terraço (em baixo) com uma vista soberba a toda a volta sobre a cidade de Paris. Para cima do centro comercial, a entrada de visitantes está limitada precisamente ao restaurante no 56.º andar e ao terraço.
Há tempos, numa dessas top-listas editadas por marcas e títulos reconhecidos, a Torre Montparnasse aparecia em segundo lugar entre os edifícios mais feios do mundo. A mal-amada torre domina a cidade, estorva a harmonia urbana e está condenada a morrer sem deixar saudades. Mais: a destruição e substituição dela até já tem sido incluída em programas eleitorais de alguns candidatos à presidência do município da capital.
Entende-se que lhe destinem um fim inglório, visto que o edifício está situado num dos bairros típicos de Paris e consegue ser, simultaneamente, descomunal e desenquadrado, escuro e sinistro, omnipresente e indisfarçável. E também se entende por que motivo os parisienses gostam de subir ao seu terraço de tempos a tempos: é o único sítio onde os olhos se estendem sobre a cidade-luz sem verem o panorama invadido pela odiada torre…
O «Benfica estreou-se sem jogadores portugueses». No final, parece que o treinador deu uma explicação cabal: “Yes we can” — disse George Jesus.
Louis Philip deve estar orgulhoso.
Os preços dos combustíveis são cada vez mais desfavoráveis. Como se isto não fosse bastante, o Governo está a considerar o alargamento do número de vias que podem ser cobradas aos condutores e começa a perceber-se que a cobrança de uma taxa pela circulação automóvel dentro de Lisboa e Porto é muito capaz de ir em frente.
Enfim: não faltam motivos para se optar por carros pequenos e económicos, como aqueles que aqui se propõem…
«Bares vazios devido ao mau tempo» — noticia a Lusa. «Os concessionários dos bares de praia da Costa da Caparica garantem “nunca ter visto” meses de Verão assim». «O presidente da associação de concessionários, João Carreira, declarou à agência Lusa que “este é um dos piores Verões de que há memória”» e «que “tem sido um ano muito mau para quem tem negócios na praia”».
O que a Lusa se esqueceu de indagar é onde andarão as pessoas a gastar o dinheiro todo que lhes sobra e que estava destinado a ser gasto abundantemente nos bares de praia da Costa da Caparica…
Bolo de casamento “Animação na Crise”.
Este bolo é próprio para casamentos em que os noivos deitam contas à crise e não querem investir numa grande boda, mas querem garantir uma festa animada. Basta assegurar uma distribuição permanente de espumoso nacional e deixar andar. A única dificuldade a resolver é o transporte à saída, porque os convidados não hão-de estar em condições de conduzir e os transportes públicos em crise passaram a estar pela hora da morte.
«Navio intacto mais antigo do mundo pode estar no fundo do Báltico». O título é do Público e indica que alguém anda atrás de um navio afundado muito antigo e ainda intacto, tendo sido agora possível perceber que existe a possibilidade de o tal barco estar no Mar Báltico. Certo? Errado.
É exactamente ao contrário: foi descoberto um navio afundado no Mar Báltico e há indícios que apontam para a possibilidade de ser o barco mais antigo encontrado intacto. É exactamente ao contrário, mas há que saber escrever, antes de se saber titular.
Hoje, no limite do prazo, ficou decidido que o BPN será adquirido pelo BIC. Não é a primeira vez que uma operação de suma importância se concretiza num domingo: ficou conhecido, há uns anos, o caso de um curso de Engenharia, cadeira de inglês técnico incluída.
Das quatro principais agências de rating chinesas, a Dagong é a única que não tem qualquer parceria com as agências Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s. Pois é precisamente a Dagong que acaba de anunciar — mesmo havendo um acordo entre Democratas e Republicanos para subir o limite da dívida externa norte-americana — «que vai baixar a nota dos EUA», que não está no topo, mas sim em A+.
É muito bem feito! A decisão surge do mercado que é só o maior credor de Washington. Quanto mais baixar o rating dos EUA, mais desce o crédito das agências Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s.
«O número de vítimas da tragédia na Noruega foi revisto em alta: dos 76 mortos há agora 77 mortos.»
Jornalista em voz off na SIC-Notícias
… foram inventados óculos cuja adaptação à distância é feita por zoom manualmente ajustável? Pois é: a patente está registada nos EUA e é suposto dirigir-se àqueles que ainda usam lentes bifocais ou que usam lentes progressivas.
O funcionamento é muito simples: os óculos integram duas lentes sobrepostas para cada olho e a haste central por cima do nariz, que faz a ligação entre as duas molduras duplas, possui um mecanismo básico com um “pinchavelho” que serve para aproximar ou afastar, progressivamente e em movimento contínuo, as lentes exteriores das lentes fixas interiores. No fundo, o resultado prático é semelhante ao do zoom dos binóculos, que permite o ajustamento à distância que se quer focar, aliado à variação das diopterias pelo efeito da sobreposição de duas lentes.
Não parece que o sucesso da invenção em Portugal esteja garantido. Por um lado, seria problemático agravar as campanhas rodoviárias: se conduzir não beba e não use óculos de adaptação manual permanente — eis o que se afigura impraticável. Por outro lado, só usa óculos quem vê mal, mas a verdade é que os portugueses são ceguinhos, uns, e invisuais, outros. Óculos para quê, se andamos sempre ó-tio-ó-tio?
… é este inesperado Renault 4L, um bolo de matrícula portuguesa encontrado aqui.
Só falta meter velas novas na 4L para o bolo ir às comemorações dos 50 anos do popular modelo que a Renault apresentou ao mundo em 1961.
Keret House,
em Wola, Varsóvia
(Polónia)
A Keret House está a ser instalada no distrito de Wola, em Varsóvia — e dizer “instalada” não é uma mera opção da escrita: trata-se da casa mais estreita do país (talvez da Europa, talvez do mundo inteiro) e não possui frente bastante para atingir a dimensão mínima prevista no código municipal para ficar registada como habitação, pelo que está autorizada apenas como simples “instalação” de arte.
O recente projecto do gabinete Centrala, assinado por Jakub Szczęsny, deverá estar concluído já em Dezembro deste ano e prepara-se para ser apresentado e candidatar-se a prémios de urbanismo.
Encaixada num reduzido, inútil, inestético e inexplicável vão entre dois prédios, a exígua moradia assenta numa áerea de 14,5 metros quadrados, com dimensões interiores que variam entre os 122 centímetros e os 22 centímetros. A casa, com um só postigo na frente e um respiro em cima, foi concebida para lugar de trabalho do escritor israelita Etgar Keret (à direita) — que reside em Tel Aviv e gosta de estar em Varsóvia — mas igualmente capaz de servir como habitação-estúdio para quaisquer visitantes, entre jovens criadores e intelectuais de diferentes origens que o proprietário habitualmente recebe.
Para lá das estruturas em betão que resguardam a construção, alguns acabamentos interiores são flexíveis e/ou escamoteáveis. As escadas possuem controlo remoto para se manterem recolhidas ou poderem ser utilizadas.
Com inspiração na tecnologia que se aplica em embarcações, a Keret House dispõe de equipamentos próprios que lhe garantem as necessidades básicas e a tornam independente dos sistemas urbanos de abastecimento. A excepção é a energia eléctrica, cujo fornecimento será proveniente de um dos edifícios vizinhos.
Branca por fora e por dentro, a “coisa” parece uma placa de esferovite caída no intervalo entre dois prédios. Contudo, como exercício de arquitectura, deve reconhecer-se que é invulgar. O morador só não pode adoecer, porque o sobe-e-desce escadas, se já não é fácil em habitações normais com mais do que um piso, neste caso limita perigosamente o próprio e até quem chegar de fora para lhe deitar a mão.
Pelo mesmo motivo, é pouco aconselhável a quem espera envelhecer: sem a fonte da juventude por perto, o melhor é procurar uma casa térrea (de simples rés-do-chão) que seja normalzinha. À medida que avança, a idade do ser humano torna-se pouco dada a fantasias que exijam grande esforço físico quando o corpo exige repouso.
Pese embora a graça de mostrar aos amigos (um de cada vez, claro está) uma propriedade tão insólita e inesperada, a Keret House ainda será mais mal-amada quando toda a gente começar a sentir inveja das sardinhas, que sempre são enlatadas em espaços mais amplos. Por falar nisso: quando o inquilino abrir uma lata dentro de casa, o cheiro a peixe há-de ser insuportável…
… é possível ter uma cidade só para si? Se não sabia, fique a saber que sim: pode vê-la aqui, na CNN.
Claro que nada disto é completamente novo. Entre vários casos conhecidos ao longo dos tempos, recordamos o de Kim Basinger, que comprou uma pequena povoação num monte em Braselton (Georgia, EUA), por 20 milhões de dólares, com a ideia de transformá-la numa atracção turística e palco de um festival de cinema. Porém, o plano começou a complicar-se e nunca chegou a arrancar a sério, ao passo que ela começou a perder dinheiro e teve de vender o lugar antes que o prejuízo financeiro fosse maior do que foi.
No caso em apreço, a cidadezinha (ou vila, talvez) de 23 hectares (17 hectares urbanos e 23 hectares de arredores) tem o nome sugestivo de Scenic e fica no Dakota do Sul (EUA). Está à venda pela módica quantia de 799 mil dólares e inclui um grande salão de dança, um saloon bem clássico, uma estação de serviço com loja de conveniência, dois armazéns comerciais, uma estação de correios, um museu, uma pensão, uma prisão histórica abandonada e uma prisão funcional, uma estação de comboio à boa maneira de antanho, diversas moradias devolutas e outros edifícios vazios. A nostalgia do ambiente transporta qualquer um para o velho Oeste norte-americano e é fácil imaginar John Wayne a atravessar a rua. Mas o charme não basta, na hora da verdade, quando se percebe que vai ser preciso cuidar da limpeza, da água (de uma lagoa a norte da localidade), da luz, das comunicações, da segurança (as prisões não devem estar lá por acaso) e de tudo o mais.
Já em Portugal, isto muda um bocado de figura. O interior do País está cheio de aldeias-fantasmas que podem ser compradas para recuperar, remodelar, restaurar e adaptar à vontade, desde que haja pachorra para vencer uma teia burocrática imensa e disposição para alimentar um sistema de pequena corrupção persistente. Mais difícil, no entanto, é tentar vender o território nacional de uma assentada. Por muito charmoso que seja, quem é que quer ter um espaço pequenote e assumir um passivo gigantesco?
Hugo Chávez acabou de culpar o “capitalismo voraz” pela crise alimentar em África e recomendou aos venezuelanos que ponham bem os olhos na Europa, por achar que foi esse modelo europeu (!), sobretudo, que derrubou o anterior governo português.
O homem deve estar doente.
“A Europa está altamente endividada, não pode pagar a sua dívida e agora precisa de auxílio internacional. Em Portugal até caiu o governo“ — insistiu Chávez. E acrescentou que foi por causa da «”crise espantosa” ocasionada pelo sistema capitalista».
O homem está doente.
A escolha do líder parlamentar socialista poderá ficar adiada para Setembro, o local para realizar o congresso do PS de 9 a 11 de Setembro ainda está a ser pensado, o espaço na Assembleia da República onde se reúne o grupo parlamentar socialista poderá ser transformado no gabinete do novo secretário-geral junto do Parlamento, a liberdade de voto dos deputados do PS prometida por António José Seguro poderá esbarrar na resistência de alguns parlamentares socialistas e até gerar cisões. Isto e mais uma mão-cheia de detalhes constituem agora o pack de preocupações do PS para o Verão.
Em suma: o partido das grandes «clarezas» e «transparências» anda perdido em mistérios.
A grande novidade, apesar de tudo, é a bancada parlamentar ganhar personalidade própria, conforme dá conta o Público de hoje: «A bancada parlamentar do PS espera que esta manhã, na sua primeira reunião com os deputados, o recém-eleito secretário-geral socialista, António José Seguro, desfaça o mistério em torno da sua escolha para a liderança do grupo.» O que aquele jornal quer dizer, afinal, é que a bancada parlamentar já se reúne com os deputados e até já fez saber que espera ver resolvido um dos vários mistérios que a consome.
Tem sorte, o Público: melhor do que esperar pelo despacho da Lusa é falar directamente com a própria bancada parlamentar. Antes e depois das reuniões desta com os deputados.
… como sempre, o João Severino, que acrescentou recentemente Passos de Coelho às páginas que edita na blogosfera. «Um blogue aos saltos pela governação», diz o João, que não tardará a ter mais títulos do que Pinto Balsamão, se continuar com este ritmo.
O título diz logo tudo: «Conselho regional da JSD de Setúbal analisa resultados das eleições legislativas» daqui a quatro dias (31 de Julho). Assinada pelo presidente da mesa, a ordem de trabalhos confirma isso mesmo nos seus dois únicos pontos:
«1 – Análise dos resultados das legislativas;
2 – Encerramento do ano político.»
Sobre o ponto 1, não será correr muito? Afinal, as eleições legislativas ainda nem foram bem há dois meses. Qual é a pressa?…
Quanto ao ponto 2, vai ser preciso explicar àquela rapaziada que este ano político não será encerrado, por vontade manifestada e prometida pelo próprio primeiro-ministro e líder do PSD.
Em suma: a ideia que fica é a de que encerrada tem estado a JSD de Setúbal.