É só fazer as contas


jmmcc,

«A partir de 2013, nós seremos confrontados com uma novidade: as rendas das PPP  feitas por Sócrates & Lino & Mendonça. Entre 2014 e 2018, nós vamos ter de pagar 2,5 mil milhões anuais pelas PPP do engenheiro. Sim, 2,5 mil milhões anuais. São 12,5 mil milhões de rendas em meia década para os suspeitos do costume. E, repare-se, isto são apenas as rendas das PPP. A par disto, temos de pagar os juros da dívida (que contraímos para pagar, entre outras coisas, as SCUT do dr. Paulo Campos e do dr. Jorge Coelho) e a despesa primária do Estado (ou seja, tudo o resto, desde a saúde à segurança). Depois, entre 2018 e 2026, a renda das PPP nunca será inferior a 1,5 mil milhões. E a conta vai até meados do século, e só baixa dos 1000 milhões em 2038. Ou seja, os meus filhos ainda vão pagar esta brincadeira.»

Henrique Raposo, Expresso

 

Elenco (por ordem de entrada)

Renda(s) = trabalho(s) manual(ais) de lavores de grande precisão

PPP = parcerias público-privadas

Lino = Jamé

Mendonça = o outro

Engenheiro = universitário recordista

Suspeitos do costume = protagonistas ilibados de inquéritos arquivados

SCUT = via(s) socialista(s) sem tráfego automóvel e com tráfego de influências

Paulo Campos = jogador de futebol (?), velho amigo da Joana Amaral Dias

Filhos = pais desempregados de netos enganados

Autores defendem (?) a RTP1


jmmcc,

«A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) mostrou-se hoje contra a privatização do  canal 1 da RTP, afirmando que seria um “erro grave para o futuro da televisão em  Portugal“.» Lê-se isto e estranha-se, não é?

Esta notícia (a partir de um comunicado emitido pela SPA) sofre de dois pecados, um dos quais se torna mais evidente por estas duas frases logo adiante:

→ «a eventual privatização do canal 1 da RTP teria como consequência o “afastamento  da programação diária de temas que, seguramente, não seriam do interesse das  televisões privadas“»;

→ «segundo a SPA, “a programação de um canal público entretanto privatizado pouco  espaço deixaria para a inclusão dos trabalhos dos autores e artistas  portugueses“».

Vamos agora aos pecados que estão em causa no conteúdo da notícia e que precisam de ser interpretados para tirarmos conclusões.

• O primeiro pecado é que a SPA não critica a privatização da RTP, nem sequer da RTP2 especificamente, visto o segundo canal ser onde ainda se vão reunindo algumas atenções de natureza cultural e, por isso, onde poderiam incidir justificações que sustentassem a posição aqui assumida pelos autores. Pelo contrário, ao criticar em concreto a eventual privatização só da RTP1, a SPA devia ter-se explicado muito bem para que nós, pessoas de boa-fé, pudéssemos entender que raio de programas os autores têm medo de ver afastados do primeiro canal e que atenção tão especial é que este tem dado aos trabalhos de autores e de artistas portugueses.

• O outro pecado da notícia é jornalístico e resulta do anterior: se a SPA não quis explicar-se para que a sua crítica pudesse ser mais consistente e menos suspeita do que parece, o jornalismo básico ensina que era necessário esclarecer melhor a informação junto da fonte, antes de ser publicada a notícia (e se esta ainda tivesse algum interesse). Infelizmente, os pecados do jornalismo desleixado e bacoco passaram a ser comuns.

Em suma: perdeu-se o aspecto pedagógico de um exercício jornalístico primário que seria exemplar, perdeu-se um caso que podia servir para informar com aquele rigor que anda cada vez mais arredado das nossas vidas e perdeu-se uma bela oportunidade para percebermos que razão estranha e duvidosa está a fazer mexer os autores por trás daquele comunicado distribuído pela SPA.

Ficámos todos mal, portanto.

 

 

A foto é de 1958 e não é da SPA

reunida a assistir a um programa da RTP1 dedicado

aos autores portugueses

CP: prioridade aos carros de luxo que dos comboios depois se verá


jmmcc,

 

Deixem-me ver se percebi: «a CP ameaça com o fim do Comboio Histórico no Douro caso não encontre parceiros para ajudar a financiar este serviço que, este ano, custou 150.000 euros»? Há nisto alguns aspectos de que ainda estou a tentar recuperar.

1. Desde logo, a CP entrou agora numa fase em que lança (segundo a insuspeita Lusa) ameaças públicas. Isto requer que sejamos informados já sobre quem é a voz ameaçadora lá dentro.

2. Depois, a CP põe em causa a continuidade do comboio histórico se não arranjar parceiros que financiem o seu serviço. A gente é levada a pensar que a CP precisava que o Governo criasse uma Fundação do Comboio Histórico do Douro à sombra do Orçamento do Estado e que a coisa se resolvia, que é como quem diz: acabavam as ameaças.

3. Além disso, a CP põe-se a perorar por causa de 150 mil euros que a empresa pública diz ter gasto este ano com o serviço especial do Douro. Ou seja: parece que estamos perante uma CP de outro planeta e não perante aquela cujos prejuízos anuais se têm acumulado assustadoramente sem que lhe tenhamos escutado um único lamento pelo que isso custa a todos nós.

A minha dúvida não é menos assustadora: será que sempre vai em frente a compra da nova frota de carros de luxo para 13 directores da CP por quase o dobro do custo deste ano do comboio histórico do Douro?

 

 

Fotos — Caminhos de Ferro Vale da Fumaça

A melhor resposta


jmmcc,

O selvagem anormal que executou a chacina na Noruega regressa à ribalta. Desta vez, o nome do assassino que protagonizou o cobarde massacre protagoniza ainda uma longa metragem. Bem pode o realizador explicar o que quiser, que jamais deixará de ofender o senso comum.

Como já escreveu aqui com toda a oportunidade o nosso Pedro Correia, referindo-se ao «grau máximo de notoriedade» que está na ansiedade de um assassino, «a repetição até à náusea do seu nome, nos mais diversos órgãos de informação, constitui uma homenagem involuntária à barbaridade do acto que praticou» e, assim, «o seu nome banaliza-se, ganhando uma espécie de estatuto de imortalidade». Só que agora nem pode considerar-se que esta “consagração” na Sétima Arte seja involuntária, como é evidente.

Adivinho que a mente perversa do homicida exulta com a própria perversão das pessoas “normais”, que parecem insatisfeitas na procura incessante das mais diversas fórmulas para perpetuarem o seu nome, como sempre aconteceu com os autores de muitos outros crimes horrendos. E este estranho endeusamento tanto pode ser atraente para outras mentes distorcidas, como também pode ser inspirador para os mais diversos “criadores” de receitas para a glória fácil.

É bom que o mercado saiba responder-lhes. Como muito bem disse o Pedro Correia, «retemos na memória o nome de demasiados assassinos, o que constitui uma espécie de caução póstuma aos seus actos criminosos». Para uns e para outros, assassinos e pseudo-intelectuais, é importante estarmos cientes da resposta certa. Merecem ser ignorados.

Suspensões sim, suspensões não


jmmcc,

A propósito do post do nosso João Campos aqui por baixo (e deste de ontem da nossa Leonor Barros), acho muito pedagógico sublinhar mais este exemplo de comportamento ético que a CP nos dá: 13 carros de luxo encomendados para directores, porque toda a gente sabe que andar de comboio faz calo no sim-senhor dos macacos.

Parece que o Governo suspendeu a compra. Parece que o Governo não suspendeu os directores.

Já é!


jmmcc,

«O subsídio de férias e o subsídio de Natal vão ser eliminados até ser necessária a ajuda externa.»

Pivot do Bom Dia Portugal, insistentemente, na RTP

A secreta vista à luz


jmmcc,

 

Esta insólita fotografia da raposa atrás do cão de caça pode explicar-se pela defesa que ela fazia à ninhada que acabara de dar à luz, ainda que fique por explicar a atitude do cão, que usa o faro como os burros usam as palas para os olhos.

Mas a imagem faz-me lembrar uma certa secreta, aquela que era suposto andar atrás de jornalistas a coberto da sombra e que os jornalistas acabaram por trazer à luz da praça pública.

Se fosse em Portugal, haveria inquérito para uns anos até o caso ficar bolorento. O que é que acham?

Madeira: algumas conclusões


jmmcc,

Têm andado a nascer das pedras os comentadores que recusam a comparação entre os resultados de ontem das eleições na Madeira e os resultados de 2007. Dizem eles que, em 2007, Alberto João Jardim tinha provocado eleições antecipadas por oposição à política do governo socialista em Lisboa, o que suscitara um ambiente de hostilidade muito aguda e favorável ao apelo ao voto por parte do PSD-Madeira. Por isso, defendem os mesmos comentadores que os resultados de ontem devem ser comparados com o das eleições “normais” anteriores e nunca com os de 2007. Não posso estar mais em desacordo. Vejamos.

 

As eleições de ontem decorreram num clima que foi tudo menos “normal”, pelos motivos que todos sabemos. Tão longe do padrão habitual andou a campanha eleitoral que antecedeu estas eleições que até deu para ver com fartura o crescente nervosismo do líder regional laranja atrás dos seus eleitores: todos os dias com mensagens novas que procuravam diluir os excessos da véspera e todos os dias sem saber se devia prosseguir as inaugurações para mostrar a obra feita ou esquecer as inaugurações para não lembrar a despesa feita.

 

Percebe-se que nem em 2007 o PSD-Madeira fez um apelo ao voto tão dramático como desta vez. Decorre disto que, se há alguma comparação possível entre os resultados eleitorais de ontem e outros anteriores, essa comparação deve precisamente ser feita com os resultados de 2007. De resto, só assim se conseguem tirar algumas conclusões acertadas para traduzir a realidade. Por exemplo: que o BE confirmou na região a derrota recente nas eleições nacionais; que o PCP está cada vez mais longe da sua vocação para ir ao encontro da miséria que a Madeira não consegue tapar com obras; que a maioria mitigada do PSD-Madeira é inglória para um líder que vai ter de sair um dia destes sem ter sabido sair a tempo; que o CDS-PP se colocou em posição de denunciar quaisquer novas iniciativas delirantes de Jardim, o que é muito conveniente para a governação nacional em que o partido é parte interessada.

Todos os caminhos vão dar a Madrid


jmmcc,

 

Ao partir da grande estação central de Pequim (na foto), o TGV chinês tem dois destinos possíveis, um dos quais é doméstico: Xangai. O outro destino provável é, obviamente, Madrid.

Tempos houve em que todos os caminhos iam dar a Roma. Hoje em dia, como em Portugal bem se sabe, todos os caminhos-de-ferro vão dar a Madrid. O mundo mudou muito…

A justiça de caso em caso


jmmcc,

O caso BCP esboroa-se por meras razões formais que a justiça demorou anos a ver.

O caso Portucale esvai-se até à dimensão mais reduzida, como se não tivesse havido iniciativas ministeriais no último dia de um governo derrotado nas urnas e como se não tivesse havido um ataque desmedido e apressado a uma mata de sobreiros protegidos.

O caso Isaltino já está visto que há-de prescrever, depois de ter corrido mal e de não haver qualquer sinal para repor em tempo o que lhe falta.

O caso BPN corre o risco de acabar sem haver sequer suspeitos, como se tivesse havido mãozinha de um extraterrestre.

O caso BPP já se percebeu que há-de chegar às calendas gregas sem bulir.

Naquilo que o país tornou mais visível, pela importância dos processos e dos sujeitos envolvidos, a justiça continua a encarregar-se, de caso em caso, do seu e do nosso descrédito colectivo.

Buçaco: o sim e o não


jmmcc,

 

Gostei:

— de voltar a ouvir falar da Mata do Buçaco (na Serra do Luso, Mealhada), que anda tão esquecida e parece estar a ganhar a dimensão que merece;

— de saber que todo o conjunto florestal e edificado do Buçaco vai ser proposto a património mundial;

— dos planos de recuperação dos estragos e da incúria que condenaram ao abandono o conjunto do Buçaco;

— de perceber que ainda é tempo de repor o conjunto, património mundial ou não, como património nacional nas condições desejáveis.

 

 

Não gostei:

— de saber que o caso está entregue (imagine-se) a uma Fundação Mata do Buçaco, criada em 2009 pelo ex-ministro da Agricultura de má memória Jaime Silva, autor de um sonoro «póssamos» televisivo;

— de perceber que a Fundação Mata do Buçaco ainda anda às voltas com eventuais projectos de financiamento próprio, sendo Portugal o único país do mundo em que há fundações que são criadas sem capital próprio para aplicar e multiplicar, as quais sobrevivem à custa do Orçamento do Estado, como é o caso da Fundação Mata do Buçaco;

— das palavras à RTP do presidente da Fundação Mata do Buçaco, António Jorge Franco de seu nome, pessoa certamente próxima de Jaime Silva e da escola deste, o qual foi à televisão faz hoje oito dias falar das coisas «que vão haver» na Fundação e na Mata;

— de concluir que, passada uma semana sobre aquele aparecimento televisivo, a dispensável Fundação Mata do Buçaco e António Jorge Franco se mantenham à mesa do nosso desgraçado Orçamento do Estado.