«A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) mostrou-se hoje contra a privatização do canal 1 da RTP, afirmando que seria um “erro grave para o futuro da televisão em Portugal“.» Lê-se isto e estranha-se, não é?
Esta notícia (a partir de um comunicado emitido pela SPA) sofre de dois pecados, um dos quais se torna mais evidente por estas duas frases logo adiante:
→ «a eventual privatização do canal 1 da RTP teria como consequência o “afastamento da programação diária de temas que, seguramente, não seriam do interesse das televisões privadas“»;
→ «segundo a SPA, “a programação de um canal público entretanto privatizado pouco espaço deixaria para a inclusão dos trabalhos dos autores e artistas portugueses“».
Vamos agora aos pecados que estão em causa no conteúdo da notícia e que precisam de ser interpretados para tirarmos conclusões.
• O primeiro pecado é que a SPA não critica a privatização da RTP, nem sequer da RTP2 especificamente, visto o segundo canal ser onde ainda se vão reunindo algumas atenções de natureza cultural e, por isso, onde poderiam incidir justificações que sustentassem a posição aqui assumida pelos autores. Pelo contrário, ao criticar em concreto a eventual privatização só da RTP1, a SPA devia ter-se explicado muito bem para que nós, pessoas de boa-fé, pudéssemos entender que raio de programas os autores têm medo de ver afastados do primeiro canal e que atenção tão especial é que este tem dado aos trabalhos de autores e de artistas portugueses.
• O outro pecado da notícia é jornalístico e resulta do anterior: se a SPA não quis explicar-se para que a sua crítica pudesse ser mais consistente e menos suspeita do que parece, o jornalismo básico ensina que era necessário esclarecer melhor a informação junto da fonte, antes de ser publicada a notícia (e se esta ainda tivesse algum interesse). Infelizmente, os pecados do jornalismo desleixado e bacoco passaram a ser comuns.
Em suma: perdeu-se o aspecto pedagógico de um exercício jornalístico primário que seria exemplar, perdeu-se um caso que podia servir para informar com aquele rigor que anda cada vez mais arredado das nossas vidas e perdeu-se uma bela oportunidade para percebermos que razão estranha e duvidosa está a fazer mexer os autores por trás daquele comunicado distribuído pela SPA.
Ficámos todos mal, portanto.
A foto é de 1958 e não é da SPA
reunida a assistir a um programa da RTP1 dedicado
aos autores portugueses



Para a SPA ainda vivíamos no tempo da TV a preto e branco, a rádio privada nunca tinha existido, a Constituição continuaria a proibir as televisões privadas, a SIC era uma miragem, a TVI era um sonho sempre adiado. Para a SPA continuaríamos na TV do monopólio – a eterna RTP estatal.
Só o acordo ortográfico teria mudado o mundo.
A programação da RTP 1 não inclui nem uma hora por mês com autores portugueses. A SPA tem outros interesses na RTP, os mesmos do apoio à greve geral…
Podes crer que não tenho qualquer dúvida.
A SPA (que coincidência bizarra, esta sigla…) é uma maçonaria esquisitíssima, não é? Ups, pronto… já incendiei o palheiro? Só não sou excomungada porque não faço parte do rebanho? Pronto: aquilo cheira a mofo que tresanda. E além disso, para quem está de fora, parece a Guarda Suíça do Vatcicano: tem um esquema de gestão hereditária.
Mas já entraram na era da televisão, como se vê na fotografia que encerra o post…
Eheh… és danado João! Tal & qual ‘a danada da cachaça’ que a Ana há-de trazer para bebermos à saúde da HM ;))
(olha, continuo com o livro, aqui ao pé de mim: e agora estou decidida a ir gamar os obeliscos, qual Arsène Lupin! E mai’ nada ;))
O que me leva é a iconografia das peças, sabes?
Entendo. Temos de ver do que é que estás a falar.
Agora não tenho aqui o livro, mas depois digo qual é a página!
Por ti, esperarei sempre!

Oh!

Looool! tens cá uma lábia……
Eu?!?…

Nãããõ…!

Eis-me. Página 158, João.
Mas não são obeliscos, desculpa, são pelourinhos o que, por acaso, é uma sua consequência simbólica. Gosto muito desta forma ancestralíssima, vá-se lá saber porquê. Gosto e pronto.
Fiquei fascinada com o tema, a repristinação: incidente processual interessantíssimo. E depois, digamos que algumas vezes (não demasiadas) gostaria de ter podido repristinar certos estados…
Foi o simbolismo e a vontade de ler melhor o que lá está que me picaram: homem com espada e sacos, em equilíbrio; e inscrições que não consigo decifrar na totalidade (estou cegueta, ai os anos). Tenho de ir ver isto in loco. Bjo.
Vai-se a ver e o vanguardismo dos intelectuais lusos é o seu profundo conservadorismo…
(Exceppppppto – é só para os chatear – no que toca à língua.)
Tal-qualmente.
Há associações e pessoas que têm via aberta na comunicação social para dizerem livremente o que querem sem questões.
É isso mesmo. E são casos que cheiram a esturro à distância.