as coisas do dia


Patrícia Reis,

Então fiz as contas da empresa, decidi a que fornecedores pagar, aborreci a senhora de uma câmara municipal, telefonei para um secretário geral, fiz mais contas, vi o extracto (se fosse com o tal do acordo seria sem “C”) do banco, falei com a equipa, atendi mil telefonemas e ainda me perguntam o que faço o dia todo? Pois, tenho uma empresa e não escrevo uma linha há meses. Acho, por isso, imensa graça quando me dizem: ah, é escritora. Uma ova. Sou uma pessoa que luta contra estes tempos, que paga impostos, que nunca teve um esquema, que passa facturas ao Estado, paga o IVA e fica a arder. Sou a mãe de um adolescente arrogante, de um pré adolescente que parece que gostaria de viver nas barracas e mulher de um homem extraordinário que trabalha 20 horas por dia. Não desligamos nunca e não somos mais felizes por isso. Em resumo, foi isto que disse ao médico que me atendeu quando bati com a cabeça no passeio. Se ele percebeu, não sei. Mas disse-me que valeriana era bom para os nervos. 

 

P.S: felizmente há a Ivone:)

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