Têm andado a nascer das pedras os comentadores que recusam a comparação entre os resultados de ontem das eleições na Madeira e os resultados de 2007. Dizem eles que, em 2007, Alberto João Jardim tinha provocado eleições antecipadas por oposição à política do governo socialista em Lisboa, o que suscitara um ambiente de hostilidade muito aguda e favorável ao apelo ao voto por parte do PSD-Madeira. Por isso, defendem os mesmos comentadores que os resultados de ontem devem ser comparados com o das eleições “normais” anteriores e nunca com os de 2007. Não posso estar mais em desacordo. Vejamos.
As eleições de ontem decorreram num clima que foi tudo menos “normal”, pelos motivos que todos sabemos. Tão longe do padrão habitual andou a campanha eleitoral que antecedeu estas eleições que até deu para ver com fartura o crescente nervosismo do líder regional laranja atrás dos seus eleitores: todos os dias com mensagens novas que procuravam diluir os excessos da véspera e todos os dias sem saber se devia prosseguir as inaugurações para mostrar a obra feita ou esquecer as inaugurações para não lembrar a despesa feita.
Percebe-se que nem em 2007 o PSD-Madeira fez um apelo ao voto tão dramático como desta vez. Decorre disto que, se há alguma comparação possível entre os resultados eleitorais de ontem e outros anteriores, essa comparação deve precisamente ser feita com os resultados de 2007. De resto, só assim se conseguem tirar algumas conclusões acertadas para traduzir a realidade. Por exemplo: que o BE confirmou na região a derrota recente nas eleições nacionais; que o PCP está cada vez mais longe da sua vocação para ir ao encontro da miséria que a Madeira não consegue tapar com obras; que a maioria mitigada do PSD-Madeira é inglória para um líder que vai ter de sair um dia destes sem ter sabido sair a tempo; que o CDS-PP se colocou em posição de denunciar quaisquer novas iniciativas delirantes de Jardim, o que é muito conveniente para a governação nacional em que o partido é parte interessada.


Este lado profissional do João ao comentar, desapaixonado mas colocando o dedo no importante, desimplicado e por isso mais racional, eu sempre admirei. Quando escrevo, espumo, sai-me mais opinião que análise, e pode ser -admito! – que àquela falte por vezes mais desta.
Mas – ó vã glória! – gosto muito de ser assim (ponto), sem, obviamente, prejuízo do dito apreço pela escrita do João.
E se isto não tem nada a ver com o Jardim, é porque eu ainda falo (telefono) menos a este do que ao autor dos clarividentes post’s que reverentemente leio… o que é obra.
E em (falta de) jeito de remissão aqui vai um abraço ao João Carvalho porque… estou com ele !
correcção: pedido de remissão
Racional, clarividente… Hum… Não sei se me esqueci de qualquer coisa… BE, PCP, PSD, CDS-PP… Ah! Alguém perguntou pelo PS?… Bem me parecia que não.
Um abraço para ti também.
Concordo, compadre. E acrescento o seguinte: foi deplorável a atitude de AJJ na noite eleitoral. Na forma e no conteúdo. Que falta de sentido de Estado e de respeito pelos seus próprios eleitores.
Bem podia ele ter-se esforçado, compadre, que jamais conseguirá inspirar respeito. Mas nem se esforçou: foi apenas como sempre se deu a conhecer.
Caro João,
O BE caminha, a passos largos, para se dissolver como aconteceu com o epifenómeno PRD.
Estes tipos, que perceberam que não tinham futuro na UDP e afins, até duraram mais tempo do que aquele que eu previa.
Estão a chegar ao fim.
Numa agonia lenta, mas lá chegarão.
O PCP continua a viver dos mesmos dinossauros que alimentam o partido há mais de 30 anos.
Que também, até por obra da Natureza, vão desaparecer.
E o partido ficará então reduzido a uma expressão insignificante.
O CDS, com uma liderança forte e sóbria, vai-se impondo.
O resultado na Madeira só confirma essa tendência.
Já João Jardim julgo não chegará ao final do mandato.
Vai sair com ar de vítima.
Das sociedades secretas, dos lobbies de Lisboa, do dinheiro que não lhe chega do Continente.
E sem ter perdido nenhuma eleição.
Mais, a julgar pelos Telejornais de ontem, já escolheu sucessor – Miguel Albuquerque, presidente da Câmara do Funchal.
Aquele abraço
O presidente da Câmara do Funchal já é herdeiro de Jardim há muito, caro Pedro. Só que nunca obterá duas coisas: o obscuro estatuto do “quero, posso e mando” de Jardim e, sobretudo, a vida fácil que este sempre teve. Nada será como antes.
Olá
Por um mero acaso, eu estava a ler Rousseau e Voltaire, nomeadamente, referencias ao livro escrito
por Rousseau contra o género humano ( O discurso
acerca da Desigualdade ), e comentou Voltaire:
– Não se pode pintar a sociedade com cores mais
sombrias, nem nunca se empregou tanto engenho em
desejar que nos convertamos em BESTAS. Ler o vosso
livro dá vontade de andar de gatas. Desgraçadamente
há já sessenta anos que perdi esse costume e deixo, portanto, a posição natural ( de quadrúpede ) aos mais
dignos dela que vós e eu.
Sr. João Carvalho, sempre que ouço ou leio Alberto João Jardim, dá-me vontade de andar de gatas. Este comentário de Voltaire, perdido no tempo, terá já uns 250 anos?, mas tão presente… :(( e, cuidado, o que nascem das pedras, são as ruins ortigas!!
Um dia Super para o Delito, Parabéns!
( só um recadinho para o Sr. Rui Rocha, se eventualmente me apanhar de gatas, feche os olhinhos
com as suas mãos, porque, lá está… o comer e o coçar, vai do começar!! ). IM/
Recado anotado e grato pelas palavras.
A que horas é que o João comenta na televisão?… 🙂
Eheh!… És um ponto!