
Subscrevo inteiramente tudo o que se diz neste excelente post, tudo, excepto dobrar o canto da página. Isso não!

Subscrevo inteiramente tudo o que se diz neste excelente post, tudo, excepto dobrar o canto da página. Isso não!
Maria Cavaco Silva trauteou "The hills are alive" na visita oficial a Salzburgo. Sentido de oportunidade não lhe falta. Alguém que lhe diga que há uma diferença substancial entre as visitas oficiais em que representa o país ao acompanhar o marido e uma visita privada onde poderá fazer o que lhe der na cabeça, inclusivamente trautear o "The hills are alive".
1930 – 2009
You’re on your own in the classroom, one man or woman facing five classes everyday, five classes of teenagers. One unit of energy against one hundred and seventy-five units of energy, one hundred and seventy-five ticking bombs, and you have to find ways of saving your own life. They may like you, they may even love you, but they are young and it is the business of the young to push the old off the planet.
Frank McCourt, Teacher Man
Se isto não é para constar nos recordes do Guinness não sei exactamente para que será. Aguarda-se ansiosamente a próxima tentativa de bater este recorde absoluto. Ainda sobram cinco disciplinas.
Suponhamos que o Manel faz uma viagem. Como todas as viagens, a viagem do Manel tem algumas peripécias. O Manel arruma a viagem na gaveta mas vinte anos depois e porque se lhe atravessa ao caminho uma fotografia da mulher que o acompanhou nesse périplo lembra-se de escrever umas coisas. O Manel acha a viagem engraçada com ingredientes suficientemente intensos para tornar a estória atraente, sente-se em dívida com a mulher que o acompanhou, é atacado por uma nostalgia súbita e neste embalo envia o manuscrito da sua aventura às editoras. O Manel, coitadito, é apenas o Manel, sem apelido, padrinhos, amigos, alguém que dê uma palavrinha a alguém, um toque só para ver se pega e, por conseguinte, tempos depois começa a receber cartas das editoras. Que não se enquadra nos critérios editoriais, que não podem encarar a respectiva publicação, que não são a editora indicada para a apreciação de narrativas curtas, que têm a programação editorial muito preenchida. O Manel arruma os manuscritos na estante, outros rasga-os furiosamente e coloca-os com grande dever cívico no ecoponto azul e outros oferece com uma dedicatória aos amigos, em tempo de crise há que poupar nos presentes. E partiu à sua vida. Ora se o Manel de chamasse, digamos, Miguel Sousa Tavares tinha o assunto resolvido e podia publicar este novo género de quase romance, a tal narrativa curta, contando uma das suas aventuras ao deserto com uma mulher com quem aparentemente teve um relacionamento amoroso e que morreu entretanto. No teu Deserto é apenas isso: um devaneio, sem grande qualidade de escrita. O texto está cheio de lugares-comuns, a noite estrelada a tempestade da areia, o desenrascando luso, o silêncio do deserto, uma mulher convenientemente loura que já se sabe resulta muitíssimo bem em países árabes como moeda de troca por cáfilas de camelos. Muito inferior a Sul, Não te deixarei morrer David Crockett ou a Equador, o livro não traz qualquer novidade. Servirá apenas o voyeurismo dos leitores e ocupará uma boa parte de uma lânguida tarde estival, há sempre que não goste de leituras pesadas no Verão. Miguel Sousa Tavares já mostrou que é capaz de bem melhor. No teu Deserto só viu a luz do dia porque o seu autor é quem é. Se fosse o Manel, por exemplo, nunca passaria da intenção e muito bem.
Há dias, sabes, em que gostava de ser como o gato e que me tocasses sem desejar encontrar quaisquer sentimentos a não ser o que se exprime num espreguiçar muito lento – um vago agradecimento? – e que depois me deixasses deitado no sofá sem que nada pudesses levar da minha alma, pois nem saberias o que dela roubar.
Pedro Paixão, Viver todos os dias cansa.
E porque os posts são como as cerejas, este do Pedro trouxe-me à memória um dos meus textos preferidos do Pedro Paixão.
A não perder esta entrevista.
Não era preciso vir a OCDE constatar isto. Bastava competência, bom senso e um cabal conhecimento do terreno.
Jesusalém, cujo título já foi alvo de confusão, é um livro intenso e obrigatório. Devorei-o num só dia e tenho intenção de o reler. Ao contrário de outros escritores, Mia Couto nunca me desilude, pelo contrário, surpreende-me cada vez mais.
Não fui fã de Michael Jackson no meu tempo de adolescência. A música que não me soava a mais nada do que a mais uma comercialada inveterada talhada para vender desalmadamente. Terei dançado ao som de "Beat it" ou de "Billy Jean", talvez contrariada, mas nunca mais do que isso. Embora a idade adulta me tenha mostrado que a vida não é em alternativa, a verdade é que o amor incondicional pelos rebeldes Rolling Stones me colocava nos antípodas daquele homem estranho com voz de falsete e, também por isso, passei completamente ao lado de Michael Jackson. Conheço a música naturalmente, os escândalos e o talento. Não obstante, lamentei a morte do artista da pop, mais pela decadência e infelicidade do que propriamente pela morte em si, admito. A decadência e degradação podem ser piores do que o fim, são-no quase sempre. Das manifestações de pesar que entretanto se fizeram ouvir, houve apenas uma que me tocou de sobremaneira. Quincy Jones, o produtor do álbum "Thriller" e "We are the world" e amigo de Michael, afirmou que não iria às exéquias. Visivelmente abalado e em tom de revolta disse anda que estava literalmente farto de perder amigos e não conseguia lidar mais com isso. Ficar é sempre mais difícil que partir.
para ex-ministros de consciência tranquila.
Ontem foi Manuel Pinho a mostrar chifres em plena Assembleia da República, hoje a pianista Maria João Pires, a propósito de ter pedido a nacionalidade brasileira, diz estar farta de "coices e pontapés". Esperam-se cenas das próximas faienas.