Chega de saudade


cronicasnofeminino,

Não fui fã de Michael Jackson no meu tempo de adolescência. A música que não me soava a mais nada do que a mais uma comercialada inveterada talhada para vender desalmadamente. Terei dançado ao som de "Beat it" ou de "Billy Jean", talvez contrariada, mas nunca mais do que isso. Embora a idade adulta me tenha mostrado que a vida não é em alternativa, a verdade é que o amor incondicional pelos rebeldes Rolling Stones me colocava nos antípodas daquele homem estranho com voz de falsete e, também por isso, passei completamente ao lado de Michael Jackson. Conheço a música naturalmente, os escândalos e o talento. Não obstante, lamentei a morte do artista da pop, mais pela decadência e infelicidade do que propriamente pela morte em si, admito. A decadência e degradação podem ser piores do que o fim, são-no quase sempre. Das manifestações de pesar que entretanto se fizeram ouvir, houve apenas uma que me tocou de sobremaneira. Quincy Jones, o produtor do álbum "Thriller" e "We are the world" e amigo de Michael, afirmou que não iria às exéquias. Visivelmente abalado e em tom de revolta disse anda que estava literalmente farto de perder amigos e não conseguia lidar mais com isso. Ficar é sempre mais difícil que partir.

12 comentários em “Chega de saudade”

  1. Nada que todos nós já não tivéssemos sentido e vivido, basta para isso morrer um vizinho que mal conhecemos, mas que nos habituámos a ver diariamente não é preciso que seja o MJ.

      1. Ele, já com setenta e muitos, é-lhe com certeza muito penoso, já ter visto vários amigos partirem.

        Custa sempre, mas a partir de uma certa idade as contas que fazemos devem ser outras e mais difíceis.

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