Algures na cidade pela cidade toda.
fotografia minha
Também aqui.
Centido
Podia ser piada de Carnaval, mentira do 1 de Abril, ou apenas uma laracha jocosa, mas para nossa grande infelicidade e até vergonha é verdade. Alberto João Jardim decretou tolerância de ponto para os funcionários assistirem à sua tomada de posse. E depois querem que nos levem a sério. Logo agora que a Troika anda por aí. Não podiam ao menos esperar mais umas semanas?
Adora-va
E deixo-me embalar como se tudo estivesse bem.
Susega
Inrreconhecivel
Lá fora há um dia de sol que me cumprimenta pela janela da sala. Melros que se penduram na vedação ou rasam a relva depenicando aqui e ali. A gata deitada a meus pés no tapete e a quietude que me retempera dos dias de alma gelada, acontecem esses dias, têm acontecido muito dias desses. E os cães ladram. Um ladrar díspar subitamente insistente. Vem aí gente, gente desconhecida. A gata inquieta-se como se cão fosse. Vem gente. Eu sei que eles hão-de vir. A campainha estridente. Vêm aí. Apuro o ouvido enquanto caminho para a porta. São eles. Em escadinha e de rostos sorridentes aparecem-me ao portão e olham com curiosidade quem os chama da porta de casa Venham cá! E vêm. Abrem os sacos de pano para onde vou depositando rebuçados, chupa-chupas, moedas de chocolate e línguas de gato, irmãmente distribuídos para cada um dos sacos e atentamente supervisionado pelos olhinhos brilhantes e bochechas rosadas. E lá vão arrastando os pés, chilreando como só eles e verificando a safra Já tenho muitas coisas ou Obrigada ou soltando verbalizações impensadas de que só as crianças são capazes Esta casa é muito engraçada, Finalmente alguém que nos abre a porta e um lamento Senhora, seja boazinha para nós que este é o último ano. Regressam os que no ano anterior vinham com as mães e tias, agora em bandos chilreantes, outros que assumiram o papel dos progenitores e orientam os mais pequenos na tradição. Alguns mais afoitos dão-me um beijinho e relembro-os Para o ano há mais! Tradição cumprida. Para o ano há mais. Lá fora há um dia de sol que me cumprimentou pela janela da sala. Cá dentro faz sol.
Não é de hoje nem de ontem. São anos e anos de sucessivos desmiolanços na Educação deste país. Depois do Ministério da Educação do Governo anterior se ter lembrado de tornar a escola obrigatória até ao 12 º ano, eis que surge uma ideia verdadeiramente brilhante: a escola em part-time. Uma maneira airosa de abandalhar ainda mais o sistema. Prevejo planos dos planos dos planos de recuperação e planos individuais de trabalho para quem estuda a part-time com 16 anos. Há que ter medo das cabeças brilhantes que nos (des)governam. Muito medo.
Epocrita
Isistiao
Se os portugueses estivessem a comprar mais livros é que me surpreenderia. Espera-se um desfile infinito de produtos até à machadada final: “portugueses deixaram de comprar”. Ponto.
Imagem: Quint Bucholz
Espolsaram
Eu sei que é sexta-feira, o dia está bonito e o povo prepara-se para desabar no sofá ou dar passeios tranquilos no fim de semana mas este país não me dá tréguas. Enquanto esses malucos milionários que ousadamente ganham acima de 1000 euros vão ser extirpados para todo o sempre dos seus subsídios de férias e de Natal, o povo entendeu muito bem a mensagem de ontem, há gente a ganhar por mês o que daria para alguns funcionários. Atentemos nestes chorudos ordenados: Fátima Campos Ferreira, 10 mil euros mensais, Catarina Furtado, 30 mil euros, Fernando Mendes, 20 mil euros, José Carlos Malato, 20 mil euros, Maria Elisa 7 mil euros, Jorge Gabriel 18 mil euros, Sónia Araújo, 14 mil euros, João Baião, 15 mil euros, Tânia Ribas de Oliveira, 10 mil euros ou Sílvia Alberto, 15 mil euros. Acresce dizer que estes e outros senhores da estação pública não sofreram a redução do ordenado quando, em Janeiro, esse bicho que dá pelo nome de filósofo grego se lembrou de dar uma ripada nos ordenados. Era esperado que, antes de cortar desalmadamente, o Governo tivesse considerado estes casos. Diz que vai ser agora. Veremos.