Se os portugueses estivessem a comprar mais livros é que me surpreenderia. Espera-se um desfile infinito de produtos até à machadada final: “portugueses deixaram de comprar”. Ponto.
Imagem: Quint Bucholz
Se os portugueses estivessem a comprar mais livros é que me surpreenderia. Espera-se um desfile infinito de produtos até à machadada final: “portugueses deixaram de comprar”. Ponto.
Imagem: Quint Bucholz
Acho que o problema dos livros passa não só por o factor “crise”, Leonor, mas também pelo preço em si – exorbitante, sobretudo se compararmos com algumas lojas online. Dou-te um exemplo: encomendei recentemente vários livros da Amazon britânica, entre eles o “Earthsea Quartet” da Ursula K. Le Guin, que me ficou em mais ou menos sete euros e meio. O mesmo livro na Fnac custa 21 euros. Se considerarmos que encomendas acima dos 28 euros não pagam portes na Amazon, não é difícil perceber por que motivo as livrarias portuguesas perdem clientes. É por causa da crise, sim – mas também porque em muitos casos há alternativas muito mais baratas.
E se encomendares na bookdepository ainda te sai mais barato porque não pagas portes, seja qual for o valor da encomenda. Só uso a Amazon para filmes, regra geral, alemães ou livros também alemães.
Nem toda a gente lê em Inglês, João. Eu era uma compradora compulsiva de livros. Raramente hesitava se me apetecia um livro novo. É claro que hoje, e particularmente desde Janeiro, quando me foram ao ordenado, não tenho a mesma atitude. Pondero muito antes de comprar um livro. Como eu há mais. E daqui para a frente vai ser sempre pior. É claro que podemos discutir um certo pedantismo nas edições e que de certeza as encarece. Na Alemanha e Inglaterra, os livros são à imagem do povo, como diria a nossa Patrícia Reis do valter hugo mãe, ‘sem merdas’ e portanto os livros custam metade.
Por acaso tenho feito a comparação dos livros que encomendo, e são sempre um pouco mais caros na book depository (que foi ou vai ser adquirida pela Amazon, já agora). Para mim a questão dos portes não é problemática: vou fazendo mealheiro para encomendar vários livros de cada vez, e faço sempre a encomenda com outra pessoa. É mais prático.
É verdade que nem toda a gente lê em inglês – e quem não o faz paga muito mais por isso (a diferença de preço de um livro traduzido face ao original, por vezes na mesma loja, é tão grande que se torna ridícula). Nesses casos, sim, a crise vai sentir-se com muito mais força, ainda que nos livros o IVA se mantenha nos seis por cento.
Mas mesmo nos livros de autores portugueses. Tenho um livro aqui ao lado que custou 12,90 euros. Na Alemanha para comprares um livro por este preço tem de ser de capa dura e passado um tempo encontras em paperback por uns 8 euros, o preço normal de um livro.
Aqui, por 12,90 euros, só em promoções das boas, ou com algum cartão de desconto…
Não, João, este é português. É o último do Agualusa, mas é assim ‘barato’ porque é fininho, tem umas cento e tal páginas. Dos que trouxe este ano de Berlim nenhum custou isso. O mais caro deve ter custado 8.99 euros, o último da Herta Müller.
A mim, a única coisa que me espanta é publicarem-se 55 livros por dia. Isso é por acaso um modelo de negócio sustentável???? (Além do facto de não existirem seguramente 55 livros que mereçam ser publicados, dia após dia).
Isso também, Isabel. É um exagero. Hoje em dia tudo o que é gente do show biz publica um livro.
E depois ainda há umas quantas pessoas que deixaram de comprar livros editados naquela coisa que passa a fazer de português. Até costumo dar preferência às edições nacionais mas, apesar da Quetzal o ir lançar em Novembro, estou a ler “The Sense of an Ending”, de Julian Barnes (filigrana pura), em inglês. E, apesar da Leya já o ter no mercado, tenho “Nemesis”, de Philip Roth, no cesto da Amazon.
Quanto ao preço, eu até entendo que, obras-primas do Rodrigues dos Santos e sagas Harry Potter, Millennium e Twilight exceptuadas, não possa ser muito mais baixo. Edições de mil e quinhentos ou dois mil exemplares em que dezenas ou centenas ficam por vender não podem ter preços reduzidos, sendo que aumentar o número de exemplares não é opção na maioria dos casos – só faria subir os custos iniciais e as sobras finais. Já não entendo é, como a Isabel refere, o exagero no número de títulos publicados.
Também prefiro os originais, jaa, pelas razões óbvias e porque são mais baratos.
Parece-me que fazer edições mais baratas poderia resolver o problema. Agora já vai havendo edições assim da Leya e ainda há de outra editora, mas em vez de excepção poderiam ser regra.