Showdown na Grécia


Rui Rocha,

Na noite de 25 de Janeiro de 2015, Alexis Tsipras chegou sorridente ao átrio da Universidade de Atenas. Antes de alcançar o púlpito onde proferiu o discurso da vitória, sorriu, acenou e deu vários abraços pelo caminho. «Hoje o povo helénico escreveu História e deixou a austeridade para trás». Uma história de «esperança». «A vossa voz anulou a austeridade. A troika é passado», disse aos milhares de gregos que o esperavam na capital. Em 27 de Junho de 2015, Alexis Tsipras comunicou ao país a decisão de convocar um referendo. Chegou, finalmente, o momento de o primeiro-ministro grego mostrar as cartas que tinha na mão. E não há, face a estes factos, duas leituras. É evidente que o Syriza apresentou aos eleitores um programa que não podia cumprir. Utilizou o desespero dos gregos para os iludir com promessas e palavras vãs. Ao remeter agora a decisão sobre o acordo com as instituições para a decisão popular, Tsipras assume o fracasso do seu confronto com os credores e a inconsistência da sua proposta política. Pelo meio, ficam mais de cinco meses de governação que teve como único resultado uma enorme sangria  da economia, do sistema bancário e das finanças gregas. A comparação entre o que foi dito em Janeiro e o resultado obtido em final de Junho é brutal: a esperança dos gregos concretizou-se na possibilidade de decidir entre a fome e a vontade de comer. Muitos sublinham constantemente que a Grécia foi o berço da democracia. A realidade encarrega-se agora de nos recordar que foi também ali que nasceu a demagogia.