Showdown na Grécia


Rui Rocha,

Na noite de 25 de Janeiro de 2015, Alexis Tsipras chegou sorridente ao átrio da Universidade de Atenas. Antes de alcançar o púlpito onde proferiu o discurso da vitória, sorriu, acenou e deu vários abraços pelo caminho. «Hoje o povo helénico escreveu História e deixou a austeridade para trás». Uma história de «esperança». «A vossa voz anulou a austeridade. A troika é passado», disse aos milhares de gregos que o esperavam na capital. Em 27 de Junho de 2015, Alexis Tsipras comunicou ao país a decisão de convocar um referendo. Chegou, finalmente, o momento de o primeiro-ministro grego mostrar as cartas que tinha na mão. E não há, face a estes factos, duas leituras. É evidente que o Syriza apresentou aos eleitores um programa que não podia cumprir. Utilizou o desespero dos gregos para os iludir com promessas e palavras vãs. Ao remeter agora a decisão sobre o acordo com as instituições para a decisão popular, Tsipras assume o fracasso do seu confronto com os credores e a inconsistência da sua proposta política. Pelo meio, ficam mais de cinco meses de governação que teve como único resultado uma enorme sangria  da economia, do sistema bancário e das finanças gregas. A comparação entre o que foi dito em Janeiro e o resultado obtido em final de Junho é brutal: a esperança dos gregos concretizou-se na possibilidade de decidir entre a fome e a vontade de comer. Muitos sublinham constantemente que a Grécia foi o berço da democracia. A realidade encarrega-se agora de nos recordar que foi também ali que nasceu a demagogia.

0 comentários em “Showdown na Grécia”

  1. Uma boa jogada dos gregos. A reunião com o Eurogrupo é às 16H00 de hoje e ele comunicou a decisão do referendo para o dia 05/07, onde deixa claro que não há pagamento ao FMI no dia 30.

    Não pense que eles são assim tão ingénuos. Fique atento, pois é impossível falar de um povo segundo os critérios e visão de outro povo.

  2. Acrescentando ao anterior comentário:

    Ver aqui às 00H46 de 27-06 o que se reproduz abaixo:
    http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11700327/Greece-debt-crisis-creditors-proposal-live.html

    We’ve been here before…
    A snap referendum on a bail-out deal? Sounds familiar for Greece.

    Back in 2011, then PM George Papandreou raised the prospect of a popular vote to pass the country’s rescue package. It was not well received in Brussels, or Berlin and his government was effectively threatened to put up or shut up by Ms Merkel and Sarkozy.

    The vote was eventually called off, and Mr Papandreou’s government was toast from then on in. Interestingly, the former PM was on Radio 4 this morning and said: “there is more concensus in Greeece behind Tsipras than I (ever) had.”

    Could history repeat itself?

    Bruno Waterfield of the Times reminds us of events four years ago:

    https://twitter.com/BrunoBrussels/status/614577648166150145/photo/1

    1. O referendo não bem recebido pelo Tsipras…mas isso já não interessa Vento?

      When Tsipras was asked by Greek journalist Nikos Chatzinikolaou about Greek PM George Papandreou‘s announcement of a referendum in Greece, he replied: “You know better than me that if the Greek Prime Minister himself tries to have the people face such dilemmas, the real default will be inevitable, and the Greek banks and the Greek economy will collapse before we even reach the voting booth. Just because of the possibility that the people may face such a dilemma, they might vote “No.”

      The current Prime Minister of Greece had then accused Papandreou of despair and had characterized his announcement of a referendum as a “disaster for the Greek economy” and a “harbinger of bankruptcy,” considering it a trick used by the Greek government in its effort to buy more time in power. And he had come into the following conclusion: “The most democratic way of expressing the popular will is elections, not a referendum.”

  3. Após 6 anos de austeridade e de governo de partidos fieis ao diktat da austeridade, os mesmos partidos responsáveis pela criação da colossal divida (que está agora ás costas dos gregos) em conluio com a banca internacional (Francesa e Alemã) os Gregos decidiram votar num partido que não esteve comprometido com a criação dessa divida e que lhes assegurou que outra via seria possível negociando directamente com os parceiros europeus fazendo-lhes ver que os métodos de resolução do problema grego teriam de ser alterados pois não estavam a resultar, além de piorarem mais a situação.

    Os gregos em desespero de causa aceitaram por maioria ir por um caminho diferente e o novo governo iniciou conversações com a Europa durante 5 meses e na ultima semana sendo pressionado de todos os lados apresentou mesmo medidas de austeridade que levaria a cabo caso se chegasse a um acordo, essas medidas apesar de gravosas e o facto de irem contra aquilo que no essencial defende o governo (isto além de todas as outras cedências já feitas) NÃO FORAM ACEITES pelo troika (nomeadamente pela Alemanha e afiliados).

    Entendendo que não poderia ceder mais sob pena de o país se tornar ingovernável o governo grego passa a palavra aos seus cidadãos num acto lúcido e desprovido de apego ao poder pelo poder, não recorrendo a subterfúgios do género — cheguei agora e afinal isto está um pouco pior e tenho de renegar tudo o que disse na campanha —-

    A solução do referendo não é nova e foi apresentada em 2011 pelo governo do Pasok então no poder mas desde logo descartada pelo mesmo pois não teve a coluna vertebral de a pôr em pratica cedendo ao diktat da troika, enganando os gregos e originando novas eleições que levaram ao poder um governo de centro-direita que executou as ordens da troika e nada resolveu, pois as reformas não se fizeram, aliás nada se fez além de cortes (ao que parece) pelo menos a avaliar com a ineficácia em cobrar impostos que se mantém desde há longos ANOS isto segundo a comunicação social.

    Eu apoio a decisão de Tsipras , (aliás já o referendo proposto pelo Pasok na altura me pareceu o único caminho responsável a seguir) co-responsabilizar os seus conterrâneos numa decisão bastante gravosa, seja qual for a escolha, como bem elucidou o Rui Rocha.

    “a esperança dos gregos concretizou-se na possibilidade de decidir entre a fome e a vontade de comer”
    Tsipras mostrou hoje a muitos políticos de pacotilha por essa Europa fora que a vida não é um vale tudo e que o lixo não se deve varrer para debaixo do tapete.

    P.S. 1 – Para quem não sabe o referendo é muito usado na Suíça até para questões de âmbito regional ou assuntos “menores”.

    P.S. 2 – Para um país em desespero económico os seus prazos de efectivação de governo, parlamento, referendo são os ideais, nada haver com Portugal porque o arco da governação assim não permite.

    1. “os mesmos partidos responsáveis pela criação da colossal divida (que está agora ás costas dos gregos) em conluio com a banca internacional (Francesa e Alemã) os Gregos decidiram votar num partido que não esteve comprometido com a criação dessa divida e que lhes assegurou que outra via seria possível”

      Esta pérola é fantástica, então a solução para a colossal dívida dos partidos responsáveis é a criação de ainda mais dívida. Brilhante!

      Os Gregos votaram no Syriza porque lhes assegurou que poderiam voltar ao passado quando o PASOK e Nova Democracia criaram a colossal dívida.
      Ou seja não era preciso produzir para a riqueza.

      Basicamente você está Contra e a Favor da criação de dívida.
      A contradição é uma condição normal do Socialismo.

      1. Caro Luck , eu não estou em contradição com nada, limito-me a apontar os factos !

        A opção proposta pela troika para o desbloqueio da ultima tranche do resgate implicava ainda mais divida, a extensão proposta em desespero de causa até Novembro implicava ainda mais divida.

        Ora o que a Grécia (e Portugal – já lá vou) precisa é de criar meios de gerar receitas para 1º estabilizar a economia e depois com essas receitas começar a pagar alguma divida de forma faseada e responsável.

        Como você está sempre contra o socialismo (tenha as vertentes que tiver – até as não socialistas) explique lá como é que Portugal vai pagar a divida se :

        – NÃO CONSEGUE CONTROLAR A DESPESA (ver execução orçamental do 1º trimestre de 2015)

        – VENDEU todas as empresas de monopólios naturais a estrangeiros não podendo usá-las para evitar efeitos recessivos destas no mercado e deixando de receber dividendos das mesmas.

        – A ÚNICA reforma feita por este governo foi alterar as leis do trabalho, coisa que até os patrões diziam não precisar, instilando medo nos trabalhadores e criando desemprego artificial [que agora tenta disfarçar com apoios directos ás empresas e estágios] obrigando-os (aos que ainda têm trabalho) a planear em base diária o dia de amanhã. E em relação a estes apoios encapotados, isto é que é o socialismo contra o qual você se bate e eu também, intervir no mercado livre condicionando-o.

        Podia aqui continuar a tarde toda (ou enquanto houve-se memória) e forma correcta de expressar a patacoada, atrás de patacoada que este governo fez porque quer o melhor de 2 mundos que é ter os benefícios ” de estar no poder e ao mesmo tempo parecer competente.

    2. Certo.
      E neste caso podem sempre argumentar que estão a seguir instruções alemãs, emitidas há um mês atrás por Schäuble:

      http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-05-13/schaeuble-backs-greek-referendum-to-break-bailout-impasse

      Se a ideia fosse apenas dos executivos gregos seria considerada demagógica, mas vinda de Schäuble, terá que ser encarada como uma atitude sensata e responsável.

      1. Bem lembrado Da Maia, com tanta “informação” a voar no ar uma pessoa tende a esquecer-se das coisas mais básicas.

        Agora ninguém os pode acusar de serem intransigentes, até estão a seguir os conselhos que lhe foram dados por quem manda…

      2. Meu caro

        Não terá sido por acaso que escolheram esta via, esteve sempre lá.

        Acho que há demagogia e responsabilidade de ambos os lados (sensatez não a vejo em nenhum), não pelos mesmos motivos como é evidente mas porque a vida é mesmo assim, também aqui que só mandamos bocas as conversas vivem disso, quanto mais quando se têm de tomar decisões que envolvem os nossos, os vossos e os deles (cidadãos).

        Mas que cada um dos intervenientes, neste momento, junta o útil ao agradável (sentido muito figurado para isto, é evidente) parece-me cá a mim que sim.

        Abraço

        PS- Putin e Obama andaram a ler-nos aqui, estiveram a falar ontem do “inimigo comum”…

        1. Caro RMG,
          pois tem razão, tem faltado sensatez.
          É claro que o resultado ao referendo seria muito diferente conforme a pergunta. Se a pergunta fosse sobre a vontade da Grécia pertencer à UE e ao Euro, provavelmente votariam que sim. Mas como a pergunta será sobre a aceitação das condições da Tróica, para que isso aconteça, julgo que o “não” ganhará facilmente… pois até os partidos clássicos têm agora dificuldade em defender medidas de austeridade.

          Por isso mesmo, agora Schäuble já mudou de ideias e acha que o referendo significa o fim das negociações:
          O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse à chegada à reunião do Eurogrupo que com o anúncio do referendo Alexis Tsipras “acabou com as negociações” e que não existe, sequer, “mais base para continuarem”.
          (Observador)

          Vamos então entrar num estado confuso, onde não há bases legais para uma saída do Euro, e por isso tudo será razoavelmente confuso, e os mercados internacionais (que andavam a ganhar muito dinheiro com este sobe e desce negocial) vão entrar em plena zona caótica, com grandes oscilações de bolsa para a semana que vem.
          Convém não esquecer que foi criado demasiado dinheiro artificial no mundo – razão que tem levado aos juros negativos, e por isso o que se seguirá serão os investidores a perceberem a instabilidade e a tentarem movimentar grandes quantias de dinheiro para “zonas seguras”… os “cofres cheios” podem estar cheios de nada, se a coisa for mesmo séria.
          Abraço.

          (*) Quanto a Putin e Obama… num mundo desregrado tudo são coisas muito voláteis, e até as vírgulas mal colocadas serão pretexto para quebra de antigos acordos.
          Não é tanto pela peça vai cair, é mais pelo movimentar de todas as peças para se ajustarem a essa queda – é isso que gera o caos.

          1. Caro da Maia

            Mais uma vez de acordo, o que até parece mal para quem tinha acordado em discordar.

            A fórmula a apresentar no referendo é tudo, como sempre nestes casos, as suas duas formulações e respectivas consequências são essas mesmas que diz, ainda que eu não esteja ainda convencido da 2ª.

            Se por um lado os gregos deram provas de estoicidade no último século também acho que entretanto se habituaram a algum nível mínimo de comodismos (e não só comodidades) que talvez possam manter em parte com a austeridade mas talvez duvidem que manterão com o dracma.
            Aquela economia ainda está menos preparada que a nossa para isso.

            Isto de se falar dos gregos genéricamente não me diz nada, meus Avós e meus Pais aguentaram sacrifícios (e até eu, pelo menos nos 3 anos de S.M.O.) que os meus filhos e netos, portanto criados nesse conhecimento, não estão “nem aí”.
            Como não estão mais de 90% dos da idade deles que, como bem sabemos, são o futuro e quem o vai decidir, não sou eu a um par de anos dos 70 nem outros como eu.

            Como não estão “nem aí” muitos que se indignam por aqui e por outros lados, mas metiam o orgulho nacional na gaveta ao menor sinal de que a reforma, o vencimento ou outra forma de apoio que dependa do OE não pingasse lá no dia certo ou se transformasse numa moeda que já não comprava tanta coisa, outros como não estariam também alguns de outros sectores pouco competitivos.
            E num Portugal envelhecido e pobre são muitos e com poucas saídas.

            Não me parece que o referendo seja o fim das negociações mas parece sensato admitir que seja o fim “destas” negociações.
            Os “cofres cheios” podem estar muito ou pouco cheios mas não é por causa disso que não é melhor que lá tenham qualquer coisa neste momento.
            Eu próprio prefiro ter uma reserva minha para uns apertos, pode é ser curta e o aperto grande mas esse prognóstico só no fim do jogo.

            Vejo-o muito “catastrofista” (perdoe o exagero) em relação ao mundo.
            Obama e Putin têm que dar de comer respectivamente a 320 e 145 milhões de pessoas, que para além disso querem tablets, iphones, carros, copos e que ninguém os chateie muito: vão estar sempre de acordo e até mudarem as vírgulas à vontade um do outro.

            Mas claro que a única maneira de manter umas vagas chamas “patrióticas” no mundo de hoje são uns apelos dramáticos e umas ameaças veladas ao inimigo ancestral, é dos livros.

            Mais um abraço, vou jogar à bola que já temos ali um bocado bom de sombra

            PS- A evolução do parque automóvel russo não deixa de me espantar, há por aí ins videos terríveis sobre desastres filmados por “dashboard cameras” (um objecto que lá é fundamental por várias razões) que são bem elucidativos.

          2. Pois, meu caro, querer mudar as coisas dá muito trabalho. Mesmo a nível individual, todos alinham no modo de expectativa.
            Curiosamente esse tipo de atitude é detectada no final dos impérios/regimes.
            Só quando a coisa cai em cima é que se dão conta que é melhor fazer qualquer coisa.
            Esse modo de expectativa é o que vemos na política internacional, e é nesse sentido, repetido na história, que as tensões se acumulam… até que o castelo de cartas desaba por uma razão minúscula. É só nesse sentido que se vislumbra um potencial catastrofismo… mas por enquanto, ainda só ao estilo do que aconteceu em 2008/09.

            (*) Já vi esses vídeos russos… são um desastre completo! eh eh eh.

          3. Meu caro, é isso mesmo.

            Por acaso não somos muito de alinhar no modo de expectativa cá por casa, se assim fôsse minha mulher não estaria ali a “embirrar” com um neto nem eu teria estado a minha haitual 1/2 hora diária ao telefone com a minha filha mais nova porque nenhuma das duas cá estaria, tão simples ou tão complicado como isso.

            Mas sei que nem toda a gente é assim pois estamos rodeados de pessoas que fazem exames médicos quando sabem que estão bem mas, ao mínimo sintoma estranho, já não têm tanta pressa de fazer nenhum exame…

            Dou-lhe toda a razão no que se refere aos aspectos político-económico- financeiros gerais ainda que eu não esteja tão ralado como isso: está tanta gente tão excitada com a dona da Europa (a Alemanha) e tão pouca gente preocupada com a dona do Mundo (a China), até os jornais on-line a remetem para uma quase nota de rodapé

            http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-06-27-China-disponivel-para-ajudar-a-resolver-crise-grega-

            Abraço

            PS- As “dashboard cameras” são imprescindíveis por lá como o começam a ser pela China e muitos outro sítios, inclusivé na Europa.
            O problema está – e se viu vídeos terá consatatado – na falta de confiança em tribunais, autoridades policiais e companhias de seguros.
            Os episódios dos peões que se atiram para cima dos carros e “fingem” ter sido atropelados são exemplares.

            Permito-me anexar um link que porventura já conhecerá

            https://en.wikipedia.org/wiki/Dashcam

  4. Entretanto e até ao referendo, a sangria, ui, será melhor nem falar nela. Se ainda houver records que possam ser batidos…

  5. Você que tem uns posts giros sobre pérolas, deixo-lhe uma sugestão a propósito do seu texto: Continuar a fazer o mesmo e esperar resultados diferentes. Olhe e tenho outra: É preciso uma borracha gigante para apagar 5 anos de erros mas é preciso uma grande falta de memória para se esquecer referi-los.

  6. Foram os alemães que disseram à Segurança Social Grega, que uma cabeleireira pode (podia) reformar-se aos 55 anos, por ser considerada uma profissão de desgaste? ( tantos disparates deste jaez)!!!!

    Foram os alemães que aconselharam 3 gregos em 4 a não pagarem impostos… nem descontarem para SS?

    Enquanto o povo vivia à “stripa gorda” estava-se nas tintas para o futuro…

    Por coincidência Portugal viveu o mesmo (parece ter-se safado a tempo) foi arruinado por Sócrates!

    1. Mas foram os credores que fizeram batota, nas contas das compras que os gregos faziam, segunda a auditoria feita às contas gregas. Foram os gregos ou foram os governantes gregos que fizeram todos esses disparates? Fomos nós portugueses que fizemos as auto-estradas? Fomos nós que fizemos as trafulhices da banca? Fomos nós que fizemos o aeroporto de Beja? Fomos nós que autorizámos as reformas antecipadas? Portugal Safou-se de quê? Duma dívida superior que de 90 passou para 130% do PIB, apesar de tanto sacrifício e de venderem tudo a preço de saldo, conseguimos este feito e safámo-nos? Pelo amor de Deus…

      1. Porque é que V. não me respondeu quando eu vim aqui falar da auditoria às contas gregas, feita por rapazes e raparigas de uma independência total e inquestionável, de tal modo que ainda não tinham sido convidados e já tinham escrito as conclusões?

        Fomos nós portugueses que fizemos as auto-estradas?
        Fomos nós que fizemos as trafulhices da banca?
        Fomos nós que fizemos o aeroporto de Beja?
        Fomos nós que autorizámos as reformas antecipadas?

        Não fômos , não senhor.
        Por isso ninguém anda nas ditas auto-estradas (como castigo), ninguém põe dinheiro nos bancos cheios de trafulhas (como castigo), ninguém sabe em que país fica Beja (como castigo), não há um único português que tenha aceite ou sequer aspire a reforma antecipada (como castigo).

        Se não sabe porque é que a dívida passou de 90% para 130% do PIB estude, o estudo desenvolve o cérebro, o cérebro é um músculo e como se vê atrofia-se.

        E se o preço era de saldo não vejo porque é que portugueses, bons patriotas com olho para o negócio, sózinhos ou acompanhados, não compraram tudo.
        Tal como não vejo porque é que, se só hvia uma diferença de 900 milhões POR ANO entre a Grécia e as “instituições”, como diz o sr. Varoufakis, isso não se resolveu com a boa vontade do povo grego – o principal interessado – que tira mais do que isso dos bancos POR DIA e o mete debaixo dos colchões à espera que gajos que pagam impostos noutros países os salvem.

        Não invoque o nome de Deus em vão, não se deve abusar da paciência divina…

        1. rmg você dá sova quando não gosta da coisa. Na Grécia não há ladrões. Eles vêem as pessoas a levantar o dinheiro e a pô-lo debaixo dos colchões e ninguém rouba. Nem ladrões lá há, com tanta gente a viver mal.
          Eles são mesmo bonzinhos, tenho muita pena dos gregos, mas olhe que a seguir vamos nós. Deus tem sempre paciência, nós é que não temos e o rmg também não. Acalme-se.

          1. Estou a ver que por aqui há cada vez mais gente que se acha e acha outros que tais tão coitadinhos que tudo é “bullying” para eles.
            Mesmo tendo eu retorquido ponto por ponto com argumentos, também eles rebatíveis por quem tenha argumentos, é “sova” para si, fico esclarecido sobre a a argumentação e a capacidade de encaixe.

            Vir aqui dar opiniões e portanto estar sujeito ao contraditório, mesmo que não assinando, é portanto honroso e meritório, discuti-lo já não interessa e envereda-se pela posição do que em tempos se chamava de “virgens ofendidas no pudor”.
            A seguir conversamos sobre contos de fadas, está bem?

            Quem falou em ladrões foi Você, eu só disse que com o que guardam POR DIA resolvia-se o problema POR ANO que o sr. Varoufakis apontou.
            O problema é que o problema não é aquele, mas para perceber isso é preciso ler mais que os jornais nacionais.
            E se me lê assim tanto aqui terá tido o cuidado de ler uma longa explicação “técnica” que eu dei há dias sobre o caso, a qual não foi rebatida (ou então V. não lê os que não pensam como V. pensa, o que também é interessante).

            Claro que o dinheiro de cada grego ao próprio pertence, pode-lhe fazer o que quiser, inclusivé pô-lo na Alemanha que é onde está grande parte do que saíu nos últimos dias (ora vá lá pesquisar na net em sites respeitáveis em vez de se fiar só nos que dizem coisas que a si lhe agradam).

            Não há ladrões na Grécia?
            De quais, dos que andam na rua ou dos que não andam na rua?
            Vejo que fala por ouvir dizer.

            Os gregos são bonzinhos?
            O que é isso de “serem bonzinhos”, paternalismo seu de quem faz festinhas à humanidade?

            Como em toda a parte e em todos os países do mundo há na Grécia cidadãos bonzinhos, há cidadãos mauzinhos, há cidadãos assim-assim, a eterna curva de Gauss.

            Eu tenho imensa paciência, senão nem lhe respondia.
            Mas já lá dizía a minha Mãe “não tenho paciência para gente que só diz banalidades com ar pomposo”.
            E este caso da Grécia é típico, está tudo cheio de pena de um povo que ainda vive melhor que a maioria dos portugueses e assim continuaria a viver se não tivesse embarcado em ilusões, acreditando que a Rússia e até a China os ajudavam contra a UE, quando a Rússia tem os seus melhores clientes na UE e as trocas comerciais da China com a UE são de mil milhões de euros POR DIA e TODOS OS DIAS.

            Mas é o que dá acreditar em jornalistas que não estudam antes de escrever pois, como diz Umberto Eco “No momento em que todos têm direito à palavra na internet, temo-la dada aos idiotas”.

            Boa tarde

            PS- Já lhe terei dito noutro sítio que não se preocupe com a minha saúde.
            Eu é que estou preocupado com a sua e a de outros a quem lhes dá um ataque de coração se saírmos da UE, que odeiam mas lhes vai garantindo ali o dinheirinho na conta no dia certo…

  7. A pergunta do referendo vai ser um mimo, algo do género:

    «Prefere escrever história e deixar a austeridade para trás ou ceder aos ultimatos e às chantagens das mafias europeias?«

    Esperem pelo dia 5 de Julho e verão.

  8. Excelente analise. Não vejo onde os que enaltecem os liricos que governam em Atenas vêm “bom governar” duns garotos que recusaram meses atras um referendo para agora terem como legitimo caminho.. um referendo.
    Quem desses e. caviar se der ao trabalho, encontra todos os dados do que se passou (fuga capitais, queda da produção, degradação da vida social e economica)já no principio do ano – so precisava era ter homens a governar em vez de garotos, ainda por cima incompetentes..nem o que estava a vista conseguiram prever.

    1. Garotos que foram eleitos democraticamente e que não cedem a chantagens. Com toda a austeridade a que foram sujeitos, onde estão as melhoras? Mais do mesmo para quê? Para aumentarem mais a dívida, a fome, o desemprego?… Será que o fim da loucura de há 70 anos, celebrada com pompa e circunstância está de volta? Nunca se viu uma união tão desunida, pronta a machucar os mais fracos e a dominá-los nem que para isso os ponham a mendigar e a morrer não com armas, mas com fome, doenças, desespero e os que resistirem viverem uma vida de inferno. Grandes Homens e pensadores, aqueles que um dia sonharam um sonho maravilhoso, o de terem uma Europa Unida, onde houvesse paz, união e ajuda. Se hoje ressuscitassem morreriam de vergonha, daqueles que lhes sucederam e destruíram o sonho que um dia idealizaram e tão bem implementaram.

  9. É dessa mesma demagogia que, a pretexto da democracia, está a mão que embala o berço a sufocar a Grécia (por ex., por ex.). Sagrada Desunião Europeia, norteando a desorientação geral.

    1. Demagogia é insistir no tratamento errado. Medicou-se não resultou, pioraram os sintomas e insiste-se na dose. Grandes técnicos!

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