Costa, o mestre da estratégia


Rui Rocha,

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Pois é. Contra todas as críticas, António Costa soube manter-se fiel às suas convicções. Intransigente nos princípios, apoiou com entusiasmo o Syriza desde a primeira hora. Esteve com Tsipras na campanha eleitoral, na noite da vitória, nos longos meses de negociação com os credores, no referendo. Contra conselhos, advertências, agoiros. O tempo provou que estava do lado certo da história. A retumbante vitória do não no referendo grego é também sua. O extraordinário acordo que Tsipras negociou em Bruxelas, dobrando os alemães austeritários, também. Os bancos reabriram ontem na Grécia e os seus cofres estão cheios de dinheiro. Os gregos brindam nas ruas, dando vivas a Tsipras e a Costa. Não admira pois que esta gestão política magistral tenha também reflexos nas intenções de voto em Portugal. Costa é a imagem gloriosa da esquerda que não se envergonha. Esta sondagem é a prova evidente de que Costa não tem estado a dormir. Em política, a audácia e a firmeza são sempre compensadas com elevados dividendos.

Fluxos de apropriação


Rui Rocha,

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Pois. Essa coisa dos fluxos de significação parece-me muito bem. Mas, nesse caso, em homemenagem à criatividade da artista reconhecida internacionalmente, talvez se pudesse ter deixado a significação fluir um bocadinho mais. Digo eu. Ora vejamos:

a) no site do COI, a propósito de pequenas moedas em cuproníquel:

Sob a forma de um enorme coração de Viana, peça icónica da delicada e minuciosa filigrana portuguesa, pacientemente preenchido com talheres de plástico vermelho, Coração Independente Vermelho é uma homenagem a essa grandiosa técnica de enorme exigência, bém como um louvor ao que faz com que tudo possa acontecer – o amor.

b) no site da jovem artista conhecida pelas suas esculturas e instalações com um agudo sentido de escala e domínio da cor em objetos do dia-a-dia e de elementos da cultura tradicional que nos revela novos fluxos de significação e, ao mesmo tempo, uma visão cúmplice e crítica da sociedade contemporânea, a propósito de uma instalação com 385 x 225 x 50 cm composta por talheres em plástico translúcido, ferro pintado, corrente metálica, motor, fonte de alimentação e instalação sonora:

Coração Independente Dourado apresenta-se sob a forma de um enorme coração de Viana, peça icónica da filigrana portuguesa, pacientemente preenchido com talheres de plástico vermelho. Suspensa a partir do eixo, a obra executa um movimento rotativo circular, evocativo dos ciclos da vida e do eterno retorno, acompanhado pelo som de três expressivos fados, Estranha Forma de Vida, Gaivota e Maldição, interpretados por Amália Rodrigues, diva da música portuguesa da segunda metade do século XX.

E vai daí, se calhar não. Eu é que me precipitei e isto está tudo enquadrado nas dimensões de descontextualização e, sobretudo, de apropriação. Desculpem lá o tempo que vos fiz perder, sim?

Just for the record


Rui Rocha,

Em caso de vitória do não no referendo na Grécia (o que me parece extremamente improvável, mas logo veremos e o povo é soberano), o Syriza prometeu: 1) afastamento do cenário grexit; 2) acordo com os credores em 48 horas; 3) bancos abertos na terça-feira; 4) ausência de qualquer tipo de bail-in sobre os depositantes. Tsipras, entretanto, não referiu em concreto a possibilidade de unicórnios sobrevoarem a Acrópole a partir da noite de Domingo, mas supõe-se que essa será a surpresa reservada para um eventual discurso da vitória.

 

Actualizado às 14.43. Afinal, parece que o prazo para acordo com os credores era pouco ambicioso:

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