As raparigas de agora não sabem fazer nada: nem cozinhar, nem arranjar roupa, nem arrumar. Vamos, que são como os homens foram sempre.
Pérolas de sabedoria para uso quotidiano
Rui Rocha,
As raparigas de agora não sabem fazer nada: nem cozinhar, nem arranjar roupa, nem arrumar. Vamos, que são como os homens foram sempre.
Pois se agora até sabem discutir o jogo do pontapé na bola…
“que são como os homens foram sempre.” Não percebo onde quer chegar. De facto, no passado as mulheres sabiam fazer coisas que os homens não sabiam e os homens sabiam coisas que as mulheres não sabiam. Isso facilitou a resolução de muitos problemas. Havia, digamos, uma certa especialização. Agora parece que a tendência é para fazer desaparecer essa especialização. O que traz algumas complicações no dia a dia para os dois sexos.
a tendência é para fazer desaparecer essa especialização. O que traz algumas complicações no dia a dia para os dois sexos
Não vejo que complicações traz.
No passado, a especialização tinha consequências desagradáveis: homens que não sabiam tratar da sua vida caseira se não tivessem uma mulher, mulheres que não tinham forma de ganhar a vida se não tivessem homem.
Hoje em dia, felizmente todos e todas sabem o suficiente para serem autossuficientes em ambas as coisas.
A falta de sentido de humor torna a vida tristíssima.
ALGUMAS raparigas de agora são como os homens foram sempre. Outras, com o multitasking que sempre caracterizou as mulheres, sabem fazer tudo, até sabem fazer nada tão bem como os homens !
Mas então… as raparigas de agora sabem fazer de homens de sempre. Isso é muito difícil e especial.
Principalmente por serem eles agora a cozinhar, a tratar da roupa e a arrumar.
…nem costurar, coser, cerzir, alinhavar, remendar… e, por isso mesmo, é preciso ter não sei quantos empregos para ganhar mais e pagar para mandar fazer, a questão nem está no quem faz o quê mas, numa boa economia doméstica, numa igualdade de sexos, aproveitar o que cada um souber fazer bem (pois atamancar não vale lol) é uma grande poupança, como, para além do que era tradicional aprender como mulher, enveredei por design de equipamento, até fiz os móveis do quarto do meu miúdo… acrescentei à caixa de costura, a caixa de ferramentas, berbequim, tico-tico, lixadora, pinceis, pregos, parafusos, uma cabazada de ferramentas que muitos homens (de agora) nem sequer sabem para o que servem, o problema de hoje em dia, seja homem ou mulher, é não querer aprender para além de algo específico, porque, mesmo que se faça algo raramente, o saber não ocupa lugar e evita sermos embarretados quando até podemos mandar fazer.
Ainda a semana passada, antes da inspeção ao carro, tive de levá-lo a uma oficina por causa de um barulho, claro que, como eu era mulher 😉 disseram logo que o barulho saía debaixo do capô, pedi um pano, segurei no tubo de escape e, disse logo que eram as borrachas que seguravam o tubo de escape (também saberia se ele estivesse roto, o barulho seria muiiiito diferente), azar deles, o meu falecido pai era mecânico e até na oficina eu gostava de estar mas onde, como rapariga, nesse tempo, era sítio proibido.
Quanto ao meu avô, para desanuviar, ele adorava aos fins de semana, ter uma horta e, claro, entre aprender a tirar as ervas das cenouras sem tirar as cenouras, a diferença entre semear e plantar, como fazer um alfobre, a profundidade a que são plantadas as couves ou os tomateiros, quanta água precisam… é preciso saber. Anos mais tarde, já depois dele falecer, durante 5 anos, num terreno emprestado, também tive uma horta, uma experiência muito enriquecedora e que adorei mas, o meu problema é, sempre, a falta de tempo, francamente, o que eu vejo, atualmente, é muitas pessoas, simplesmente, não quererem aprender nada e de se entregarem, totalmente, nas mãos do dolce far niente,… no entanto, em tempos de crise, apesar de eu ter tido uma educação igual ao do meu irmão e ambos termos cursos universitários, ele pode ter muito mais dinheiro, ter de trabalhar muito mais horas, mas continua a não entender como eu, com muito menos, faço milagres… ora não existem milagres apenas, saber como se faz, em vez de mandar fazer tudo e, no caso dele, é mesmo tudo, quando visitava a minha horta, nem sabia distinguir cebolas de alhos franceses lol, nem o mínimo interesse nisso. Tivemos os mesmos pais, os mesmos avós, a mesma educação, apenas cada um a aproveitou à sua maneira, claro que, apesar de termos ambos “canudo”, ele parece mais o Sr. Dr. da família, com um carro melhor que o meu, até com mãos mais macias lol mas, o importante é cada um sentir-se feliz nas suas escolhas e eu não trocava a minha vida por nenhuma outra, nem há dinheiro que pague a satisfação de, simplesmente, conseguir fazer 🙂 No entanto, não tenho dúvidas que a preguiça consegue ser… muito sedutora 😉
No entanto, sei que sou anormal lol lol os únicos 8 dias que estive sem fazer nada, faziam-me a cama, só precisava de me sentar e comer, ia dando em doida lol, um esforço tramado para conseguir não fazer nada lol lol
…sou anormal mas… muito seletiva 😉 quanto ao que faço, claro que na casa do meu irmão, a arrumação e a limpeza podem fazer inveja a um hospital (mas paga), cá em casa, as visitas podem tropeçar, se houver um hobby em curso ou até encontrar um pozinho em cima dos móveis, são livres de pegar no pano do pó ou no aspirador, se se sentirem incomodadas lol, e uso muito a técnica de não deixar a máquina da roupa, espremer que nem uma doida, estendo em cabides, uso de todos os truques, muitos dos quais inventados ao longo da vida, para não ter de pagar nem fazer um dos trabalhos que mais detesto… engomar… ao contrário de mulheres que eu conheço, nem sequer pensam em não engomar os panos da loiça ou até mesmo as cuecas… essas sim, admiro-as por até gostarem de fazer trabalhos repetitivos… Se me apetecer fazer pão quando bastaria descer as escadas para ir à padaria é normal, mas algumas coisas, só faço se tiver, mesmo, que ser, outros, nem pensar… só se me pagassem lol