Portocarrero strikes again


Rui Rocha,

Não é um fenómeno novo. Há muito que se se sabe que um acto aparvalhado tem em si mesmo um potencial incalculável de gerar efeitos que replicam a parvoíce de forma exponencial. Veja-se o exemplo que hoje nos dá o sacerdote católico Portocarrero. Há não muito tempo, afirmou o santo homem num texto notável: 

Aos cruzados do anti-catolicismo militante e aos modernos inquisidores, que continuamente julgam e condenam a Igreja pela sua história, não se podem pedir as virtudes cristãs da caridade ou do perdão para os pecados dos fiéis pretéritos. Mas deve-se-lhes exigir a justiça de não julgar o passado à luz do presente, nem culpabilizar os cristãos do terceiro milénio pelos erros dos cruzados, ou pelos excessos dos inquisidores. A cada homem e geração bastam-lhe as suas próprias faltas.

 

Hoje, pouco mais de cinco meses depois, e a propósito do já celebérrimo cartaz do Bloco de Esquerda, este escravo da virtude avança com não menos profundidade:

Não obstante os nossos brandos costumes, é bom recordar que os jesuítas foram expulsos de Portugal no século XVIII, pelo Marquês de Pombal; que, no século XIX, não só eles mas também todas as outras ordens religiosas foram extintas pelo liberalismo jacobino; e que, no século XX, voltaram a ser perseguidos todos os religiosos, bem como todos os bispos e padres do clero secular, pela primeira república. No século XXI, será que o Bloco de Esquerda dará continuidade a esta ignominiosa tradição?!

Ou seja, para o bom padre os cristãos não podem ser julgados pelas faltas praticadas pelas gerações de cristãos que os precederam. Em contrapartida, os cartazes dos pataratas do Bloco de Esquerda podem e devem ser avaliados tendo em conta os actos praticados pelo Marquês de Pombal.  

Não, não, senhores Bispos


Rui Rocha,

Estão enganados. O cartaz do Bloco de Esquerda não ofende crentes nem não crentes só por o serem. Ofende a inteligência. De quem quer que a tenha. Por isso, melhor seria se guardassem a indignação para a utilizarem, por exemplo e para não irmos mais longe, contra instituições que promovem uma visão do mundo em que cabe às mulheres um papel de obediência e subordinação.

Ou era só garganta?


Rui Rocha,

Em 2011, a incansável Aiveca pronuciava-se, pelo Bloco de Esquerda, nos seguintes termos a propósito da venda de parte do capital da EDP à Three Gorges: “Estamos perante uma posição incompreensível e inaceitável, ainda mais grave porque se trata de uma empresa chinesa, de um país em que o regime ditatorial é efectivamente uma realidade”. Sabe-se que a inesgotável Aiveca anda perto do limite devido às 40 horas de trabalho semanal na função pública, mas espera-se que consiga dispor de cinco minutinhos do seu tempo para se pronunciar sobre isto. A menos, claro, que entretanto a China tenha deixado de ser um regime ditatorial.

Alerta vermelho


Rui Rocha,

Alerta.png

Pelo visto, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera pôs o distrito de Braga em alerta vermelho devido à agitação marítima. Se bem percebo, as ondas de 14 metros podem chegar a Cabeceiras de Basto, passando aqui pelo Bom Jesus e pelo Sameiro. Nunca fiando, vou tomar as minhas precauções apesar de morar a 30 quilómetros do mar em linha recta.