O Real Madrid não ganhava nada há dois anos e a Taça do Rei há dezoito…
Entretanto chegaram Mourinho e Ronaldo.
O Governo caiu. O Benfica, desta vez, não foi campeão. O FMI chegou.
A campanha corria macambúzia. O tom e os assuntos do debate ajudavam a que os programas do costume mais parecessem canções de embalar.
Até que Pedro Passos Coelho sacou da cartola – acho que este trocadilho ainda não foi muito explorado – Fernando Nobre como candidato a Presidente da Assembleia da República. E tudo mudou.
Os espíritos como o meu, mais desiludidos pelo vazio de ideias e espaço para o debate, sabem agora que, apesar de o FMI limitar a margem de discussão de programas eleitorais, teremos sempre Fernando Nobre!
Um qualquer Fernando disse que Deus fazia o Homem sonhar para a obra nascer. Hoje, outro Fernando, o mesmo que queria reformar todos os políticos e todo o sistema político, começa pelo vértice mais importante desta cruzada: a (sua) eleição directa do Presidente da Assembleia da República. E não o faz por menos: enquanto candidato a deputado já ameaça não chegar sê-lo…
O Governo dos socialistas, sempre que tem de agir, opta por sacrificar os desprotegidos. Mal ou bem age, assume uma posição e tem coragem, concordemos ou não.
Os sociais-democratas querem liberalizar os despedimentos e privatizar a saúde e a educação, fazendo Eduard Bernstein dar voltas na campa.
A extrema-esquerda supera as suas divergências históricas e dá as mãos. Para depor, claro.
A mesma extrema-esquerda abraça alegremente os sociais-democratas, os tais que não reconhecem o Pai, bem como os democratas-cristãos.
Os democratas-cristãos, que passaram o fim de semana a trautear Borrow dos Silence 4, caem nos braços dos sociais-democratas e da extrema-esquerda.
Todos juntos chumbam o Plano de Estabilidade e Crescimento dos socialistas. Porque alguma coisa devia ser feita de outra forma? Não! Porque sim. Propor alternativas é complicado porque o eleitorado, que parece confiar tanto neles como nos que já lá estão, pode não gostar.
O Governo dos socialistas demite-se, sem surpresas.
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Há uns tempos 189.091 saíram de casa num dia de chuva para votar em José Manuel Coelho, um candidato anti-sistema.
Nesse mesmo dia de chuva 191.284 saíram de casa para votar em branco e 86.581 para votar nulo.
5.164.175 nem de casa saíram.
Há duas semanas 4 tipos resolveram brincar às redes sociais e 200.000 marcharam, espontaneamente, pela Avenida da Liberdade e no resto do país porque estão “à rasca”.
Só oiço os comentadores a falar no Governo e na oposição. Passos Coelho acha que tem uma auréola e não percebe que ninguém o vê, convictamente, como solução para nada, nem para substituir os tais “socialistas”. A extrema-esquerda continua fechada no “não governamos”. Portas ainda não falou.
Serei eu a ler mal a questão ou o problema é exactamente a falência do actual sistema e dos seus rostos, aquilo que todos parecem perceber e de que ninguém fala?
Esta semana, escolha minha, o Delito de Opinião deixa como sugestão e blogue da semana A Barbearia do Senhor Luís.
Com uma regularidade notável Luís Novaes Tito faz uma constante reflexão da actualidade, com o plano inclinado à esquerda.
Um abraço ao Luís e boas leituras a todos!
Saber-se-á ao início da tarde de 5.ª feira quem serão os organizadores dos Mundiais de Futebol de 2018 e 2022. A Candidatura Ibérica surge na linha da frente e, na minha opinião, será vencedora dada a influência de Angel Villar, Presidente da Real Federatión Española de Fútbol, nos meandros do futebol mundial. Só esta análise me levou a percorrer o site da Candidatura Ibérica e a ficar em estado de choque.
Qual cartão de visita, o símbolo da candidatura despreza totalmente os equilíbrios e regras da lusa bandeira, como é bem visível infra. O aspecto geral é quase o de uma candidatura espanhola mas, mais grave que isto, é o facto de a Portugal, com Lisboa e Porto, caber dimensão igual à da Galiza, com A Coruña e Vigo e metade (!?#!?*!?#) do País Basco (e províncias próximas) que candidatam Gijón, Santander, Bilbao e San Sebastián. A minha Lusitana Paixão explodiu imediatamente. Não percebo como se podem gerir e fechar negociações com este conteúdo, não percebo como nos pudemos submeter desta forma ao poderio espanhol. É óbvio que a única coisa que Espanha procurou em Portugal foram os votos da lusofonia, não percebo é como abdicámos de uma candidatura nossa por tão pouco. De conjunta esta organização pouco ou nada tem. É uma ajuda simbólica que prestamos entre o favor e a vassalagem.
Não vou dizer que quero que a Candidatura Ibérica, expressão utilizada por mero acaso, tenha um desfecho infeliz. Acho que é para nós uma vantagem e minimizará o desperdício que foi o investimento no Euro’2004, não que tenha discordado da candidatura mas por achar que o investimento foi exagerado e a visão curta, o que gerou com que estádios de luxo, construídos de raiz, estejam hoje cheios de ar, sendo um problema para os orçamentos de quem os sustenta. Alguns há que gerariam mais receitas demolidos.
Venha o Mundial, mas que se cubra de vergonha quem negociou esta candidatura.
(Adenda: Agradeço ao Luís Lavoura e ao João Pedro a correcção que me fizeram e que já reflecti no texto)
A conferência de imprensa de José Mourinho no fim do Barcelona-Real Madrid desta noite foi uma aula, uma lição de como levar cinco olés na casa do maior rival, virar a situação e terminar como se fosse o grande vencedor da noite. Sem nunca se exaltar, sem nunca cair nas escorregadias perguntas dos jornalistas sedentos de sangue, ainda terminou a refrescar os rostos frustrados com o recente Barcelona-Inter de Milão.
Se dúvidas houvesse e mesmo na noite em que levou cinco em Barcelona, Mou mostrou porque é Mou, um dos grandes treinadores da história do futebol mundial. Quanto à La Liga não tenham ilusões, podiam ter sido 10, o Real Madrid está lá na corrida para dar e durar.
PS. Nota lamentável fica na posse de Nuno Luz (jornalista da SIC) que, quando teve o privilégio de fazer uma pergunta, pediu para Mourinho traduzir para português a resposta que tinha dado à primeira pergunta. Quem assistiu, ouviu Mourinho falar um “portunhol” básico e não resistiu a vilipendiar o jornalista. Não hão-de os espanhóis gozar avidamente connosco…
O actual Bastonário da Ordem dos Advogados, agora reeleito por mais três anos, é como Saldanha Sanches era: um dos bons, um dos corajosos, um dos poucos sem medo de dizer o que tem de ser dito, quando tem de ser dito! É senhor de uma postura ímpar que faz cada vez mais falta nos dias que correm.
Sou ainda da opinião que o Bastonário dos Advogados tem de ser mais do que um mero executivo da política da Ordem, tem o dever de ser uma figura chave na sociedade, como legítimo representante de uma das suas mais relevantes classes, e Marinho Pinto sabe sê-lo com coragem e mestria, combatendo com a honestidade e galhardia que quero que seja reconhecida aos advogados.
Espero que agora os Velhos do Restelo se remetam ao silêncio. O tira-teimas não deixou margem para dúvidas.
Parabéns e força para António Marinho Pinto!
No dia em que celebramos a vitória de Dilma Rousseff deixo um blogue no feminino, o Asinhas de Frango da Raquel L., pela qualidade e diversidade do conteúdo, pela forma como reflecte e toca pormenores quotidianos, sempre de uma forma diferente de qualquer que me ocorra.
A Raquel L. é uma muito jovem bloguer e docente universitária, a merecer claramente um pouco do nosso tempo e uns valentes piscares de olhos sobre os seus textos.
Boas leituras a todos e bom trabalho para a Raquel.
… por muito que queira que as cassetes vivam, a “fita de filmagens” é coisa não utilizada há mais de uma década?
(Já agora mentalizem-no também que, em breve, a resma de papel também perderá actualidade. Diz que é a desmaterialização.)
Mário Vargas Llosa, Prémio Nobel de Literatura 2010
Este ano a Academia abandonou a postura de Ídolos da literatura mundial, dando a conhecer talentos até então quase desconhecidos, consagrando com toda a justiça um escritor já largamente admirado e premiado.
Para além da obra, um dos expoentes máximos da riquíssima literatura latino-americana, fica igualmente na retina a homenagem ao político, ao Homem dedicado às causas sociais e da liberdade no Peru.
Uma das escolhas que há muito se exigia e que aplaudo de pé!
Mais de uma semana depois, o colectivo de juízes do processo Casa Pia continua sem dizer aos arguidos o porquê dessa decisão, ou quais as situações que foram dadas como provadas. Depois de sete longos anos de espera num longo julgamento dentro e fora dos tribunais, sete longos de dias de espera pela fundamentação, espera essa sem fim à vista.
Dizia Ricardo Sá Fernandes que o acórdão ainda não estaria escrito, algo que mereceu a melhor repreensão da juíza Ana Peres, tendo o cuidado de lhe indicar o caminho a seguir na reclamação. Se estava ou não, não saberemos, o que está bom de ver é que problemas com a formatação do texto é uma desculpa tão pobrezinha que mete dó a quem a ouve. Pelo vistos Carlos Cruz está bem melhor assessorado nesse campo: em meia dúzia de horas controlou os ataques que o seu site recebia repondo a normalidade. Que tal pedir ajuda?
Não está em causa se os arguidos são ou não culpados, se merecem ou não este calvário, está em causa o rosto da Justiça, dona de um olhar cada vez mais cavernoso e de profundas rugas, que nada de bom inspiram em quem nela tem de confiar.
Segunda-feira há mais.
Não sei se Sarah Palin colocou implantes, ou se Sarah Palin não colocou implantes.
Sinceramente isso nem me interessa muito.
Interessante, interessante, é imaginar esta discussão a surgir em Portugal, com figuras portuguesas, no rescaldo das pretéritas legislativas de 2009…
Que pagode seria!
Alguém viu o último anúncio do Santander-Totta? Refiro-me ao que nos brinda com um “lá lá lá Solid! Solid as a rock!” e desagua na fundamentação da afirmação com a avaliação feita pela Standards & Poor’s e outra agência internacional de rating. Giro, giro é vermos ainda no anúncio moedas a afundarem-se mar adentro…
Qual é a parte da transmissão de tranquilidade e segurança que me escapa?
“A blogosfera é boa é para discutir a bola!“, dizem uns.
“Blogues de futebol? Nem sabia que isso existia!“, dizem outros.
“O que é o futebol?“, dizem outros para além dos outros da última sentença.
Esta semana trago ao Delito de Opinião a ponte entre estes dois mundos da blogosfera. Destaco assim o “Tertúlia Benfiquista“, o maior blogue português de futebol que conheço, como o blogue da semana. São a prova viva que se pode escrever sobre futebol com elevação de espírito, rigor linguístico e extremo bom gosto.
Parabéns à malta do “Tertúlia” pelos conteúdos que nos fornecem e pelos bons valor que incutem diariamente às nossas crianças.
Boas leituras!
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A noite ela é uma estrela, Ofusca o brilho da lua
Não há beleza na Terra, Que se compare com a sua
Mas o que o povo desconhece, É que este tremendo ciclone
Musa da geração 2000…
…É armação de silicone.
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