Mário Vargas Llosa, Prémio Nobel de Literatura 2010
Este ano a Academia abandonou a postura de Ídolos da literatura mundial, dando a conhecer talentos até então quase desconhecidos, consagrando com toda a justiça um escritor já largamente admirado e premiado.
Para além da obra, um dos expoentes máximos da riquíssima literatura latino-americana, fica igualmente na retina a homenagem ao político, ao Homem dedicado às causas sociais e da liberdade no Peru.
Uma das escolhas que há muito se exigia e que aplaudo de pé!


Grande notícia! Grande Nobel! Estou a sabê-lo por si. Obrigado.
Fico contente por ter sido o veículo das boas notícias!
Subscrevo, A conversa na catedral marcou-me profundamente e fez-me olhar para a américa latina com outros olhos.
Embora não conheça muitos mais livros dele, já escolhi que o próximo a ler será a Festa do Chibo que comprei há pouco tempo.
A Festa do Chibo! Absolutamente fabuloso (e se for possível, lido no original).
Subscrevo o que disse Manuel Menezes. “A Festa do Chibo” é um dos romances mais marcantes que li na vida. Obra inesquecível, inspirada na tenebrosa ditadura de Trujillo.
“a homenagem ao político, ao Homem dedicado às causas sociais e da liberdade no Perú.”
Gostei que dissesse isso, André Couto. Muitos indignam-se contra o facto de o Nobel premiar esse tipo de coisas, em nome de uma suposta pureza absoluta da literatura. Quando foi do Saramago, por exemplo, foi um ai jesus por causa disso. E outros.
Mas discordo de si numa coisa: O Nobel não deve ter como critério um escritor ser já largamente conhecido, ou premiado. Isso é Mercado (não estou de modo nenhum a tirar méritos ao Vargas llosa por causa disso). Há escritores, que mal ultrapassaram ainda a barreira da sua lingua, por razões várias, e que são personalidades fascinantes e excelentes escritores, que mereceriam concerteza ser também premiados. Assim como o ser “conhecido” não é critério, não deverá também o ser “desconhecido”, ser critério do que quer que seja.
“Concerteza”?
Eheheheheh…
Já não vou ganhar o prémio nobel da literatura?… 😉
O facto de ser um autor muito conhecido e bem sucedido comercialmente não pode ser motivo para o excluir do Nobel, de forma alguma. Por este absurdo critério Graham Greenne nunca recebeu o prémio. Também as ideias políticas de um escritor não devem ser factor de exclusão, como sucedeu com o ‘politicamente incorrecto’ Jorge Luis Borges, um dos gigantes da literatura do século XX – que morreu igualmente sem receber o Nobel.
Pedro Correia, isso foi o que eu disse:
“Assim como o ser “conhecido” não é critério, não deverá também o ser “desconhecido”, ser critério do que quer que seja.” Ou seja, nenhum desses factores pode ser motivo de inclusão, ou de exclusão.
De resto, já houve premiados escritores mais politicamente incorrectos do que o Jorge Luis Borges. Refere-se ao facto de ele não ter condenado a ditadura de direita argentina? Já houve laureados com o prémio que não só não condenaram ditaduras de direita, como as apoiaram activamente. O Camilo José Cela, por exemplo, e há outros.
“Concerteza”…
Então estamos de acordo, Fallorca. A propósito: também já muitos houve laureados com o prémio que não só não condenaram ditaduras de esquerda, como as apoiaram activamente.
Exactamente, já houve tudo isso. O Nobel é democrático.
Tão democrático que até premeia escritores que são lidos, como este ano se viu.
Pedro Correia, eu podia dar-lhe uma longa lista de escritores premiados mais lidos, mais traduzidos e mais publicados do que o Vargas Llosa. Acho que a Pearl Buck, por exemplo, já tem mais edições e mais leitores do que o Vargas Llosa alguma vez terá, por exemplo. Isso é muito importante, porquê? Quem não leu ainda o Vargas Llosa, ou outros dos premiados, começa a lê-los depois do Nobel, e isso é bom.
É bom, claro. A propósito: a Pearl Buck venceu o Nobel em 1937.
Ah, é isso? Mas nem em 2075 o Llosa chegará aos números dela, se calhar, não faço ideia… e quanto a dinheiro ganho, fazendo a correcção monetária, etc… Pedro Correia, com todo o respeito, estamos aqui a fazer uma contabilidade pateta ;).
Já agora, eu gosto muito do Vargas Llosa (gostei muito do Tia Júlia e o Escrevinhador e do A Guerra do Fim do Mundo), embora lhe prefira o Garcia Marquez. É pena que se dêem tão mal. Mais guerra de egos do que outra coisa.
O “Escrevedor”, não “o escrevinhador”, que palermice.
Caro Fallorca: creio que estamos de acordo no essencial. E o essencial é lermos bons autores. Com ou sem prémios.
Ora bem, Pedro Correia
Um abraço.
Aquela aparente escrita fácil de Graham Greenne só é possível quando se respiram as letras 🙂 é um dos meus escritores preferidos.
Também é um dos meus. ‘O Poder e a Glória’, ‘A Inocência e o Pecado’, ‘O Nó do Problema’, ‘O Americano Tranquilo’, ‘Os Comediantes’, ‘O Fim da Aventura’…
Eu estou muito contente… Sugiro um dos mais recentes “Travessuras da menina má”!
Também soube disso há bocadinho e fiquei contente. Justíssimo.
Quanto ao título do post, aplico-o também a ti. Tens feito falta por cá!
Grande escolha. Mario Vargas Llosa é, sem dúvida, um dos melhores escritores do nosso tempo. Não apenas da literatura de matriz castelhana, mas da literatura universal.
Não há nada como dar o Nobel a um homem que também escreve livros. Há uma certa diferença em relação aos que os escrevem por atacado, para cumprirem contratos.
Também estou em festa. Há uns anos que não me sentia tão em sintonia com A.Nobel, God bless him!
Eu acho notável. E oportuno.
Até por, segundo já vi publicitado, está para sair um novo livro dele.
E o que tem isso a ver com o… Benfica?
É só um convite para desfrutarem, à excepção dos escarafunchosos…
em portistasdebancada.blogspot.com
Sim, finalmente. Notícia boa, que soube em viagem, pelo rádio, num dia triste para mim. Tenho alguns dos livros mais recentes de Vargas Llosa, mas ainda não os li. A notícia trouxe-me a lembrança de horas e horas de leitura, há dez, quinze anos, sobretudo de «A Tia Julia e o Escrevedor», dos dois romances onde entra o polícia Lituma, de «A Cidade e os Cães» e de «Pantaleão e as Visitadoras».