Portugal: por estes rios acima (15)


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RIO LIS

 

Nascente: perto da freguesia de Cortes, concelho de Leiria

Foz: Oceano Atlântico, a norte da praia de Vieira, concelho da Marinha Grande

Afluentes: Rios Fora, Lena, Alcaide

Extensão: cerca de 40km

 

"Fermoso Rio Lis, que entre arvoredos / Ides detendo as águas vagarosas, / Até que üas sobre outras, de invejosas, / Ficam cobrindo o vão destes penedos; // Verdes lapas, que ao pé de altos rochedos / Sois morada das Ninfas mais fermosas, / Fontes, árvores, ervas, lírios, rosas, / Em quem esconde Amor tantos segredos; // Se vós, livres de humano sentimento, / Em quem não cabe escolha nem vontade, / Também às leis de Amor guardais respeito, // Como se há-de livrar meu pensamento / De render alma, vida e liberdade, / Se conhece a razão de estar sujeito?"

Francisco Rodrigues Lobo

Portugal: por estes rios acima (14)


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RIO LIMA

 

Nascente: Monte Talariño (Ourense, Galiza)

Foz: Oceano Atlântico, em Viana do Castelo

Afluentes: Rios Vez, Labruja, Trovela, Estorãos

Extensão: cerca de 108km

 

"Junto ao Lima claro e fresco rio / que Lethes se chamou antigamente (…) // O rio que vês tão sossegado / que te parecerá que se arrepende / de levar água doce ao mar salgado."

Diogo Bernardes

Portugal: por estes rios acima (13)


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RIO HOMEM

 

Nascente: Portela do Homem, Serra do Gerês, concelho de Terras do Bouro

Foz: Rio Cávado, em Soutelo, concelho de Vila Verde

Extensão: 37km

 

"O início da caminhada é feito junta à cascata da Portela do Homem, ao lado da ponte São Miguel. A cascata não é muito alta, mas o enquadramento que proporciona é magnífico. Os turistas apinham-se, normalmente, do cimo da ponte para tirar as fotografias da praxe. Como é fácil perceber, já tomámos banho no buraco onde cai a lagoa. A profundidade é de cerca de quatro metros na parte mais funda, para onde nos podemos atirar de uma rocha. A água é límpida mas normalmente fria. De Verão é muito agradável tomar lá banho. De Inverno, só de fato de mergulho."

Do sítio Serra do Gerês.

Portugal: por estes rios acima (12)


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RIO GUADIANA

 

Nascente: Lagoas de Ruidera (província de Ciudad Real, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, em Vila Real de Santo António

Afluentes em Portugal: Rios Xévora, Caia, Degebe, Cobres, Vascão, Ardila, Chança

Extensão: cerca de 870km

 

"O Guadiana […] corre esverdeado entre montes abruptos e severos, que à medida que o barco navega vão surgindo sempre uns atrás dos outros – à esquerda a Espanha, à direita Portugal -, os nossos mais pacíficos e às vezes cultivados até ao rio, os dos vizinhos austeros, pedregosos e bravios – grande uniformidade deserta onde aparece, isolada e perdida no cenário, uma ou outra casinha colmada. Diante de nós, a água que anima tudo isto, lisa e unida à proa do vapor, com veios longínquos mais quietos e riscos que estremecem à superfície; e naquela braveza de fragas e vegetação quase negra das encostas, irrompe de quando em quando uma amendoeira, que se entreabre no Inverno em milhares de pequeninas flores, como se toda ela criasse asas."

Raul Proença, Guia de Portugal

Portugal: por estes rios acima (11)


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RIO DOURO

 

Nascente: Serra de Urbión (província de Sória, Castela-Leão, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, no Porto

Afluentes portugueses: Rios Águeda, Côa, Sabor, Tua, Pinhão, Torto, Corgo, Varosa, Teixeira, Cabrum, Bestança, Paiva, Tâmega, Arda, Sousa

Extensão: cerca de 930km

 

"Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."

Miguel Torga, Diário XII

Portugal: por estes rios acima (10)


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RIO DÃO

 

Nascente: No Planalto Beirão, freguesia do Eirado, concelho de Aguiar da Beira

Foz: Rio Mondego, na barragem da Aguieira

Aflluentes: Rios Carapito, Sátão, Pavia, Criz

Extensão: cerca de 90km

 

"A Foz do Dão tinha grande manancial de água. Se outro não houvesse, bastavam os dois rios que banhavam a aldeia. A água para uso doméstico provinha de uma fonte de chafurdo que ficava no meio do areal do rio Mondego. Água boa! No Verão, fresca como que saída de um frigorifico. De Inverno, tépida.

Sempre que havia enchente a fonte ficava submersa mas a mãe natureza não nos deixava sem água de boa qualidade, pois, logo que a fonte submergia, brotava uma bica na barreira do encontro do lado esquerdo da ponte."

Do blogue Foz do Dão

Portugal: por estes rios acima (8)


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RIO CORGO

 

Nascente: Serra da Padrela, concelho de Vila Pouca de Aguiar

Foz: Rio Douro, no Peso da Régua

Afluentes: Rios Cabril, Sordo, Tanha

Extensão: cerca de 44km

 

"Ontem, a CP encerrou as linhas do Corgo e do Tâmega sem avisar ninguém. Contava com o silêncio de todos e fê-lo pela calada, desprezando toda a gente. Mas a culpa não é da CP; é, antes, de todos os pacóvios que transformaram o país num tapete de asfalto, bom para a camionagem, para as empresas de obras públicas e para o consumo de gasolina. (…) Há alcatrão, cimento, camionagem e gasóleo. Tudo caro. Os comboios portugueses inventaram um país, povoaram-no, desenharam a nossa geografia. Era um país mais bonito do que este.

Francisco José Viegas

 

 

 

Portugal: por estes rios acima (5)


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RIO AVE

 

Nascente: Serra da Cabreira, concelho de Vieira do Minho

Foz: Oceano Atlântico, em Vila do Conde

Afluentes: Rios Este e Vizela

Extensão: cerca de 93km

 

"Também gostava de subir àquela espécie de pequeno terraço onde se ergue a Capela de Nossa Senhora do Socorro, com a sua cúpula branca, e de aí gozar a larga vista sobre o Ave, para os campos de Azurara, para os pinhais longínquos de Mindelo."

José Régio

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RIO ARDA

 

Nascente: Cruz das Eiras, Arouca

Foz: Rio Douro, em Pedorido, concelho de Castelo de Paiva

Afluente: Rio Urtigosa

Extensão: cerca de 30km

 

"Se à nossa esquerda chama a atenção o Parque Eólico que vai até à Serra da Boneca, o deslumbre, pese embora alguma névoa instalada, é do lado direito, na margem esquerda do Douro, bem lá no alto, o saudoso miradouro contíguo à Ermida do Monte de S. Domingos da Serra. Quantas vezes subimos aquela rude escarpa, começando pelos caminhos das Minas do Pejão, próximo da foz do Rio Arda!"

Do blogue Passeios da Caramulinha

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RIO ARADE

 

Nascente: Serra do Caldeirão

Foz: Oceano Atlântico, em Portimão

Afluentes: Ribeiras do Arade, Boina, Odelouca

Extensão: cerca de 75km

 

"A minha primeira ideia do Arade era a do rio que desaguava nas pedras, lá para a ponta da areia na Praia da Rocha. Ali em frente de Ferragudo, terra de lamas, de fábricas e de um convento secreto.

Mais tarde comecei a perceber que o rio Arade não nascia ali, ao pé da minha casa. Vinha de longe, provavelmente de muito longe, pois de vez em quando trazia as laranjas de uma terra distante, que eu não conhecia, mas saboreava, depois de as limpar da terra argilosa que deixava esculturas de barro nos dedos.

Comecei a perceber que aquele rio pardacento que refrescava o meu corpo nos verões de Portimão, vinha das serranias abruptas do Algarve, mas deveria ser adocicado por culturas tão antigas quanto belas nalguma cidade da moirama."

Helder Faustino Raimundo, Barlavento

Portugal: por estes rios acima (1)


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RIO ÁGUEDA

 

Nascente: Serra do Caramulo, concelho de Tondela

Foz: Rio Vouga, em Requeixo, concelho de Aveiro

Afluentes: Rios Cértima, Alfusqueiro, Agadão

Extensão: cerca de 60km

 

"(…) só depois é que me explicaram que aquele não era o Rio Águeda da minha querida terra, ainda fiquei desconfiado, mas lá acabei por perceber que aquele era outro Rio Águeda lá do norte, fosse como fosse, Águeda de Baixo ou Águeda de Cima (…)"

Manuel Alegre, Rafael