A cabala (2)


Pedro Correia,

«Num caso de tanta gravidade como este, o da suspeita de crimes graves e detenção de um ex-primeiro-ministro do Partido Socialista, verifico imediatamente que o processo foi grosseiramente violado. Praticou-se, já, o linchamento público.»

 

«Esta Justiça de terceiro mundo aterroriza-me. Isto não acontece num país civilizado com jornais civilizados. Isto levanta-me suspeitas legítimas sobre o processo e a Justiça, e neste caso, dada a gravidade e ataque ao regime que ele representa, a Justiça ou age perfeitamente ou não é Justiça.»

 

«Vou seguir este processo com atenção. Muita. Ou ele é perfeito, repito, ou é a Justiça que se afundará definitivamente no justicialismo. Na vingança. No abuso de poder.»

 

Clara Ferreira Alves (Expresso, 22 de Novembro)

A cabala (1)


Pedro Correia,

«Eu não dou nenhuma presunção de boa conduta ao doutor [juiz] Carlos Alexandre.»

 

«O que é inquietante é esta arrogância do poder judicial. Há com enorme frequência uma enorme arrogância dos juízes e do poder judicial, que entendem que não têm que dar explicações a ninguém.»

 

«A democracia está em perigo.»

 

Manuel Magalhães e Silva (SIC Notícias, 22 de Novembro)

A lição de Jerónimo de Sousa ao professor Mário Nogueira, seu ex-mandatário nacional


Pedro Correia,

“Era o que mais faltava se por indisposições de quem está no poder as pessoas não se pudessem manifestar.»

Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, ex-cabeça de lista da CDU e ex-mandatário nacional de Jerónimo de Sousa

 

«São conhecidas as profundas divergências que existem entre nós mas queria aqui declarar – pois não lhe desejamos mal nenhum, antes pelo contrário – que o Presidente da República recupere a sua saúde, independentemente das nossas divergências políticas.»

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, falando no mesmo dia (10 de Junho)

À atenção do Palácio Ratton


Pedro Correia,

«O primado do direito comunitário sobre o direito nacional de cada estado-membro, incluindo sobre as respectivas constituições, é (…) um princípio clássico, sempre reafirmado pelo Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias. (…) Mais, é um princípio que decorre necessariamente da instituição da comunidade. Só o primado assegura a aplicação integral e uniforme a todos os cidadãos do direito da União.»

António Costa, Público, 8 de Maio de 2004

(citado no editorial de hoje do i, assinado por Luís Rosa)

Ecos


Pedro Correia,

«A verdade é que Passos Coelho cumpriu com o que lhe foi exigido pela troika e pela Alemanha, permitindo que Portugal faça hoje boa figura. (…) Em substância pouco ou nada mudou na organização do país. Portugal só aparentemente está mais forte. Por isso, não é certo que o passo em frente, dado ontem, afaste de vez a hipótese de se dar uns quantos para trás dentro de alguns meses, na sequência de uma eventual mudança de conjuntura internacional. Esperemos patrioticamente que não.»

Eduardo Oliveira e Silva, director do i

 

«Pedro Passos Coelho, e Vítor Gaspar, primeiro, e Maria Luís Albuquerque, depois, ficarão na história, são os governantes responsáveis pelo caminho que se fez, com muitos tropeções, enganos e erros, alguns deles deliberados. Deram a António José Seguro o que o líder do PS exigia, a saída limpa. Há três anos, pedimos ajuda externa, há dois ou há um, ainda se falava em risco, real, de segundo resgate. Hoje, estamos no mercado. Devolveram a credibilidade externa ao País, qualquer que seja o ponto de análise, mesmo tendo em conta os números que estavam na primeira avaliação e os que existem hoje, seja de crescimento económico, desemprego, défice e dívida.»

António Costa, director do Diário Económico

 

«Não se pode dizer que o Governo não fez o melhor que podia e que sabia. Pedro Passos Coelho tem sido determinado e corajoso. Mas teria sido uma vítima da política se a política europeia não tivesse mudado. É aí que António José Seguro tem razão. A saída do programa de ajustamento tem este sabor amargo de ser mais suja do que limpa. A paciência dos portugueses, o acordo por omissão do PS e a determinação do Governo foram necessários. Mas não teriam sido suficientes para evitar um segundo resgate. A ajuda, agora limpa, foi viabilizada pela Europa, por uma política menos dogmática e mais pragmática.»

Helena Garrido, directora do Jornal de Negócios

 

«Não deixa de ser irónico que o Governo que anunciou ontem a “saída limpa” esteja a dar sinais tão evidentes de desistência e de erosão. Aliviar a austeridade não é um problema – afinal, andámos a criticar o aperto brutal dos últimos anos. O problema é percebermos as motivações do alívio. A “transformação estrutural” do país, prometida no início do mandato, não chegou a tempo de mudar a natureza da política.»

Bruno Faria Lopes, editor do Diário Económico

 

«A “saída limpa” é um mero momento de pose para a fotografia que não vai mudar a política a ser seguida no futuro. Incidentalmente, cabe perguntar como tenciona o PS, quando for governo, inverter o “austeritarismo” que tanto denuncia agora, quando tem de cumprir o Pacto Orçamental que ele próprio aprovou no Parlamento. Tudo isto revela a grande confusão que sempre existiu sobre o Governo desde o início: a confusão entre um programa de reforma da economia e um programa de ressarcimento de credores.»

Luciano Amaral, colunista do Correio da Manhã

Para memória futura


Pedro Correia,

A carta de demissão de Vítor Gaspar:

«Senhor Primeiro-Ministro, Liderança é, por vezes, definida como sabedoria e coragem combinadas com desinteresse próprio. A liderança assim exercida combina os superiores interesses nacionais que perduram de geração em geração. Fácil de dizer, difícil de assegurar, em particular quando as condições são de profunda crise: orçamental, financeira, económica, social e política. Sendo certo que contará sempre com a inteligência, coragem e determinação dos portugueses, cabe-lhe o fardo da liderança. Assegurar as condições internas de concretização do ajustamento são uma parte deste fardo. Garantir a continuidade da credibilidade externa do país também. Os riscos e desafios dos próximos tempos são enormes. Exigem a coesão do Governo. É minha firme convicção que a minha saída contribuirá para reforçar a sua liderança e a coesão da equipa governativa.»

 

A carta de demissão de Paulo Portas:

«O Primeiro-Ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.

Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.

Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo.»

A coragem de seguir em frente


Pedro Correia,

 

Eis uma das melhores intervenções políticas que ouvi desde sempre: o inspirador discurso de vitória de Barack Obama, na madrugada de quarta-feira.

Alguns excertos:

 

“Quer tenham ou não votado em mim, eu escutei-vos, aprendi convosco. Fizeram de mim melhor presidente. Com os vossos relatos, e com a vossa luta, regresso à Casa Branca mais determinado e mais inspirado que nunca para o trabalho que há a fazer e o futuro que nos espera. (…) O melhor está por chegar.”

 

“Nunca tive maior esperança nos Estados Unidos do que agora. Peço-vos que mantenham essa esperança. Não falo de um optimismo cego, do género de esperança que ignora a gravidade das tarefas que temos pela frente ou dos obstáculos no nosso caminho. (…) Sempre acreditei que a esperança é esse sentimento obstinado dentro de nós que persiste em acreditar, apesar de todas as provas em contrário, que algo de bom nos aguarda enquanto mantivermos a coragem de seguir em frente, trabalhando, lutando, conseguindo.”

 

“Este país tem mais riquezas que nenhum outro, mas não é isso que nos faz ricos. Temos o exército mais poderoso da História, mas não é isso que nos faz fortes. As nossas universidades, a nossa cultura são invejadas no mundo, mas não é isso que leva o mundo a procurar-nos. O que torna a América excepcional são estes vínculos que mantêm unida a nação mais multifacetada do planeta.”

 

Soares: abecedário contra a crise


Pedro Correia,

 

Assisti, com a atenção devida e o proveito de sempre, a mais uma intervenção pública de Mário Soares. Desta vez no programa Hora de Fecho, da RTP informação, sexta-feira à noite.

Coligi os principais ensinamentos para sair da crise que o antigo Presidente da República deixou aos portugueses nesta sua mais recente aparição televisiva. Aqui ficam vários deles reproduzidos, com a devida vénia, em forma de abecedário. Enquanto aguardo ansiosamente pela próxima entrevista, que não deve tardar.

 

AUSTERIDADE. “A austeridade não serve para nada.”

BANCOS. “Como é que nós vivemos se não pagarmos? Vivemos! Não vamos morrer. Não é o caso de um país morrer assim de repente só porque não tem dinheiro… Vamos aos bancos, vamos a outras coisas… Há muita gente que tem muito dinheiro.”

DEMOCRACIA. “A democracia está em risco.”

ELEIÇÕES. “As eleições não interessam neste momento a ninguém num caso destes, de crise absoluta.”

GOVERNO. “Este Governo está a destruir o nosso País e por isso devia demitir-se.”

GRITAR. “É preciso gritar – não é só falar e escrever. E é preciso que o Governo mude.”

MANUELA. “Os mais ilustres sociais-democratas, a começar por Manuela Ferreira Leite, detestam o Governo. (…) Ainda há dias disse à Drª Manuela Ferreira Leite, vi-a a sorrir para mim (já a critiquei muito no passado…): ‘Ó minha senhora, eu estou a segui-la do coração porque está a dizer coisas que são absolutamente certeiras’.”

NOTAS. “Basta dar à manivela das notas e pôr o Banco Central Europeu a fabricar euros para tudo se resolver de um dia para o outro.”

OBAMA. “O Obama é um sinal de esperança. (…) Se há alguém que sabe de política internacional, é o Obama.”

PARALISIA. “O Governo está completamente paralisado em todos os domínios.”

PSD. “Os dirigentes máximos do PSD estão contra o Governo.”

QUERER. “Eu para já quero que o Governo se demita.”

RUA. “Os próprios ministros devem ter a sensibilidade de dizer: ‘Nós temos que ir para a rua’!”

SONDAGENS. “Agora já nem é [um Governo] de maioria absoluta porque os partidos do Governo baixaram muito [nas sondagens].”

TROIKA. “Esses tipos da troika não servem para nada.”

 

Para mais tarde recordar


Pedro Correia,

«Levamos com o maior aumento de impostos de sempre.»

 

«Isto é uma espécie de assalto à mão armada aos contribuintes.»

 

«Isto é para matar a classe média.»

 

«Mais impostos vão gerar mais recessão e mais desemprego.»

 

«Isto o que vai dar é mais economia paralela, mais fuga aos impostos.»

 

«Mais uma falha nas previsões e nas metas, e a credibilidade do ministro das Finanças é completamente destruída.»

 

«Tem que haver equilíbrio, moderação e bom senso.»

 

Marques Mendes, ontem, na TVI24.

O início da era Hollande (2)


Pedro Correia,

 

«Como é que alguém consegue governar um país que tem duzentas e quarenta seis variedades de queijo?»

Charles de Gaulle

 

Dados macro-económicos da França que François Hollande herda de Nicolas Sarkozy:

– crescimento médio do PIB entre 2009 e 2011: 1,5%

– crescimento do PIB em 2012 (previsão): entre 0,4% e 0,7%

– desemprego: 10,1%

– défice público: 5,2% do PIB

– dívida pública: 83% do PIB

 

Promessas eleitorais de Hollande:

– renegociação do tratado orçamental

– redução em 30% dos salários do Presidente e dos ministros

– equilíbrio orçamental em 2017 (défice zero)

– introdução na Constituição do princípio da concertação social

– concessão do direito de voto aos cidadãos estrangeiros provenientes de países extra-comunitários

– actualização do salário mínimo, indexado ao crescimento do PIB

– criação de 150 mil empregos para jovens: “contratos de geração”

– incentivos fiscais às empresas que contratem pessoas com menos de 30 anos e mantenham nos seus quadros pessoas com mais de 55 anos

– criação de 60 mil postos de trabalho no sector da educação público da educação e cinco mil na justiça durante os próximos cinco anos

– diminuição da idade de reforma para 60 anos quando houver 41,5 anos de descontos

– reforma fiscal: novo escalão de 45% para rendimentos acima de 150 mil euros e de 75% sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros por ano

– taxa de IRC de 35% para grandes empresas, 30% para as médias e 15% para as pequenas

– renegociação dos acordos com Bélgica, Suíça e Luxemburgo que permitam cobrar impostos aos exilados fiscais

– reforma bancária, criando um banco público de investimento separado da banca comercial

– maior regulação do sistema bancário

– proibição de envolvimento da banca francesa em paraísos fiscais

– aumento de 15% do imposto sobre os lucros bancários

– congelamento durante três meses dos preços dos combustíveis e do gás

– redução da componente nuclear da produção de energia eléctrica dos actuais 75% para 50%

– manutenção do Estado nos sectores postal, dos transportes e da energia

– redução do preço dos medicamentos e maior comparticipação de genéricos

– redução para metade da taxa do insucesso escolar

– casamento entre pessoas do mesmo sexo, com reconhecimento do direito à adopção

 

Fica o registo. Para dentro de um prazo razoável verificarmos quantas destas promessas foram cumpridas – e em que termos. Cada vez mais os políticos devem ser confrontados entre o que propõem aos eleitores e aquilo que são capazes de concretizar assim que ascendem ao poder.

Publicado também aqui

Legislativas (12)


Pedro Correia,

 

PARA MAIS TARDE RECORDAR

 

Toda a regra tem excepção. Lendo a imprensa de hoje, registo que apenas dois ‘analistas’ dão a vitória ao secretário-geral socialista no debate de ontem com Pedro Passos Coelho: o jornalista Manuel Tavares, director do diário desportivo O Jogo, e a escritora Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa.

Vale a pena registar os argumentos de ambos.

Diz Tavares, escrevendo no Diário de Notícias: “Passos Coelho preferiu uma estratégia assente na ideia de explicar por capítulos que toda a crise (em especial os 700 mil desempregados) é da responsabilidade do primeiro-ministro recandidato. E José Sócrates conseguiu colocar em xeque essa estratégia, lendo do relatório e contas de uma empresa assinado por Passos Coelho no ano passado a confissão de que Portugal se tinha portado acima da média de desempenho perante a crise, durante 2009.”

Diz Inês, ao Correio da Manhã: “Claramente ganha Sócrates, porque consegue dizer mais em menos tempo. Passos Coelho adoptou uma estratégia de ataque, mas não apresentou programa.”

Rendo-me à evidência perante tão poderosos argumentos. De tal maneira que vou guardá-los no meu caderninho de citações. Para mais tarde recordar.

Um partido sem emenda (8)


Pedro Correia,

«Não há um problema pessoal com um homem, há um problema político com um homem, José Sócrates. Não é com o PS, transformado em marioneta, nem com o Governo, inexistente, é com José Sócrates, político. Os puristas podem dizer que este é um terreno perigoso em democracia, a pessoalização das críticas, e repetir a lenda urbana construída pelo próprio Sócrates com a colaboração de Passos Coelho e dos seus amigos, quando estavam a combater Manuela Ferreira Leite, que atribuía as razões do seu falhanço eleitoral aos “ataques pessoais a Sócrates”. Tretas! O problema existe mesmo e queiram os autores da lenda no PSD ou não queiram, é exactamente a idiossincrasia do “homem” o que lhes perturba a possibilidade de terem sucesso com todas as vantagens a empurrar a seu favor. (…) Eu não estou a dizer que Sócrates seja um produto da televisão, embora também seja, mas que as suas qualidades pessoais, e o modo profissional como utiliza os media, lhe permitem uma enorme vantagem sobre os seus adversários, mesmo no pior dos contextos.»

 

José Pacheco Pereira, no Público de sábado. Faltam 33 dias para as legislativas.

Um partido sem emenda (6)


Pedro Correia,

«Nós não temos hoje à frente dos dois principais partidos pessoas que tenham capacidade e preparação para enfrentar a crise que temos.»

Pacheco Pereira, quinta-feira, na Quadratura do Círculo (SIC N)

 

«O PSD é um partido sem estratégia.»

Pacheco Pereira, ontem, em entrevista à Antena 1 e reproduzida na RTP

 

Faltam 36 dias para as legislativas.

Um partido sem emenda (5)


Pedro Correia,

«Morais Sarmento critica PSD por chumbar avaliação de professores.»

29 de Março

 

«Nuno Morais Sarmento considera que o PSD não devia ter posto em causa o PEC IV e votado contra o documento. Numa entrevista à Rádio Renascença, o social-democrata disse que o PSD errou ao colocar em causa a palavra dada por José Sócrates em Bruxelas.»

5 de Abril

 

«Morais Sarmento critica Passos Coelho pela escolha de Fernando Nobre.»

12 de Abril

 

 

Faltam 37 dias para as legislativas.