«Como é que alguém consegue governar um país que tem duzentas e quarenta seis variedades de queijo?»
Charles de Gaulle
Dados macro-económicos da França que François Hollande herda de Nicolas Sarkozy:
– crescimento médio do PIB entre 2009 e 2011: 1,5%
– crescimento do PIB em 2012 (previsão): entre 0,4% e 0,7%
– desemprego: 10,1%
– défice público: 5,2% do PIB
– dívida pública: 83% do PIB
Promessas eleitorais de Hollande:
– renegociação do tratado orçamental
– redução em 30% dos salários do Presidente e dos ministros
– equilíbrio orçamental em 2017 (défice zero)
– introdução na Constituição do princípio da concertação social
– concessão do direito de voto aos cidadãos estrangeiros provenientes de países extra-comunitários
– actualização do salário mínimo, indexado ao crescimento do PIB
– criação de 150 mil empregos para jovens: “contratos de geração”
– incentivos fiscais às empresas que contratem pessoas com menos de 30 anos e mantenham nos seus quadros pessoas com mais de 55 anos
– criação de 60 mil postos de trabalho no sector da educação público da educação e cinco mil na justiça durante os próximos cinco anos
– diminuição da idade de reforma para 60 anos quando houver 41,5 anos de descontos
– reforma fiscal: novo escalão de 45% para rendimentos acima de 150 mil euros e de 75% sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros por ano
– taxa de IRC de 35% para grandes empresas, 30% para as médias e 15% para as pequenas
– renegociação dos acordos com Bélgica, Suíça e Luxemburgo que permitam cobrar impostos aos exilados fiscais
– reforma bancária, criando um banco público de investimento separado da banca comercial
– maior regulação do sistema bancário
– proibição de envolvimento da banca francesa em paraísos fiscais
– aumento de 15% do imposto sobre os lucros bancários
– congelamento durante três meses dos preços dos combustíveis e do gás
– redução da componente nuclear da produção de energia eléctrica dos actuais 75% para 50%
– manutenção do Estado nos sectores postal, dos transportes e da energia
– redução do preço dos medicamentos e maior comparticipação de genéricos
– redução para metade da taxa do insucesso escolar
– casamento entre pessoas do mesmo sexo, com reconhecimento do direito à adopção
Fica o registo. Para dentro de um prazo razoável verificarmos quantas destas promessas foram cumpridas – e em que termos. Cada vez mais os políticos devem ser confrontados entre o que propõem aos eleitores e aquilo que são capazes de concretizar assim que ascendem ao poder.
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Sempre é verdade que ele foi já hoje ter com Angela Merkel ?? Mas já estava a data marcada,independentemente de quem fosse o vencedor das eleições ? Ou será que não há assessores que lhes segredem ( sim, aos dois ) pssst, há mais dias na semana…
Le grand Charles avait une idée de la France…pas celle-ci j’en suis sûr …
«L’ autorité ne va pas sans prestige, ni le prestige sans l’ éloignement.»
(Charles de Gaulle)
Agora parece mais provável que o povo vai dar umas murraças…
É o que dá elevarem a mediocridade ao nível da média da opinião pública.
A democracia “social” é coisa para decidir em função do número de contribuintes, se os há, há…senão pede-se emprestado…
Agora a matlha popular não vai querer que lhe tirem o osso que vem roendo…
Nada de novo na História.
Bem, apesar de tudo houve um progresso. Em 1871, 1914 e 1939 alemães e franceses preferiram usar canhões em vez de palavras para efeitos de “diálogo”.
Acho verdadeiramente surpreendente que logo a seguir à posse como PR, o senhor Hollande se desloque à Alemanha.
Será que os seus assessores não lhe dizem que este gesto parece de subserviência e que seria bem mais natural que fosse a chanceler a visitar a França?!
Há quem diga que em política o que parece é, Helena.
Foi mal aconselhado por Mário Soares.
Consta que ele telefonou a “son ami” Mário e que o diálogo foi mais ou menos assim:
– Alô, Mario. Bonjour. Angela m’a demandé à aller tout de suite à Berlin, jusque après ma investiture. Ça te dérrange?
– Non, pá!!!!
– Merci bien, mon ami.
E desligou. Por vezes em política ocorrem estas dificuldades de comunicação.
Seria muito interessante, e certamente esclarecedor, fazer o mesmo relativamente às promessas do governo de Portugal.
Fica a sugestão.
Foi feito, aqui no DELITO.
Elenco de promessas eleitorais do PSD: ml
delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3048966.ht
Elenco de promessas eleitorais do CDS: ml
delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3047590.ht
François Mitterrand, depois de varias derrotas, em 1981 finalmente chegou ao Eliseu. Por acaso estive em França nessa altura, e havia no ar uma euforia parecida com o pós 25 de Abril aqui em Portugal, ao ponto de haver muito boa gente que se referia ao gaullismo como “l’ancient régime”. Como bem sabemos, o novo regime socialista em menos de tres anos transformou a França que era uma potencia de primeira grandeza, no país que conhecemos hoje.
Este socialista que diz frases como “sou normal mas não sou banal”, e nos continua a surpreender dizendo que o seu modelo politico é George Pompidou, não arranja nada melhor para fazer no dia da sua posse como Presidente da França, do que ir a Berlim sossegar a Sra Merkel. Nunca visto!
Quanto à listinha que publicou no seu post meu caro Pedro, ela fica para memoria futura e desconfio que ainda havemos de falar muito dela.
Havemos, com certeza, Alexandre. Eu não me esqueço.
“- reforma fiscal: novo escalão de 45% para rendimentos acima de 150 mil euros e de 75% sobre os rendimentos superiores a um milhão de euros por ano”
Mais vale proibir a riqueza.
Repare no pormenor da esperteza saloia: vai propor a renegociação dos pactos fiscais com os vizinhos Belgica, Luxemburgo e Suiça, para poder ir lá cobrar os impostos dos que não querem ser roubados. Este é mais um dos que para não acabar com os pobres, quer acabar com os ricos.
Desconhecia essa. Obrigado pela informação.
Realmente é de génio…
Veremos quando e como e se põe isso em prática.
Mais uma questão. O Obama não ambiciona também ir ao bolso dos ricos? E não tem do seu lado o Soros? Eu sei que as taxas Hollande são exageradas, mas não me digam que os Republicanos têm razão sobre os “Jobs creators”?
Veremos como, quando e se François Hollande concretiza estas promessas. De Obama teremos certamente muita ocasião de falar durante a campanha eleitoral do segundo semestre deste ano.
Tenho uma pergunta. O que são “contratos de geração”? (estou aborrecido com o Google)
O Google sussurrou-me que são uma hollandice…
Ok. 🙂