Ecos


Pedro Correia,

«A verdade é que Passos Coelho cumpriu com o que lhe foi exigido pela troika e pela Alemanha, permitindo que Portugal faça hoje boa figura. (…) Em substância pouco ou nada mudou na organização do país. Portugal só aparentemente está mais forte. Por isso, não é certo que o passo em frente, dado ontem, afaste de vez a hipótese de se dar uns quantos para trás dentro de alguns meses, na sequência de uma eventual mudança de conjuntura internacional. Esperemos patrioticamente que não.»

Eduardo Oliveira e Silva, director do i

 

«Pedro Passos Coelho, e Vítor Gaspar, primeiro, e Maria Luís Albuquerque, depois, ficarão na história, são os governantes responsáveis pelo caminho que se fez, com muitos tropeções, enganos e erros, alguns deles deliberados. Deram a António José Seguro o que o líder do PS exigia, a saída limpa. Há três anos, pedimos ajuda externa, há dois ou há um, ainda se falava em risco, real, de segundo resgate. Hoje, estamos no mercado. Devolveram a credibilidade externa ao País, qualquer que seja o ponto de análise, mesmo tendo em conta os números que estavam na primeira avaliação e os que existem hoje, seja de crescimento económico, desemprego, défice e dívida.»

António Costa, director do Diário Económico

 

«Não se pode dizer que o Governo não fez o melhor que podia e que sabia. Pedro Passos Coelho tem sido determinado e corajoso. Mas teria sido uma vítima da política se a política europeia não tivesse mudado. É aí que António José Seguro tem razão. A saída do programa de ajustamento tem este sabor amargo de ser mais suja do que limpa. A paciência dos portugueses, o acordo por omissão do PS e a determinação do Governo foram necessários. Mas não teriam sido suficientes para evitar um segundo resgate. A ajuda, agora limpa, foi viabilizada pela Europa, por uma política menos dogmática e mais pragmática.»

Helena Garrido, directora do Jornal de Negócios

 

«Não deixa de ser irónico que o Governo que anunciou ontem a “saída limpa” esteja a dar sinais tão evidentes de desistência e de erosão. Aliviar a austeridade não é um problema – afinal, andámos a criticar o aperto brutal dos últimos anos. O problema é percebermos as motivações do alívio. A “transformação estrutural” do país, prometida no início do mandato, não chegou a tempo de mudar a natureza da política.»

Bruno Faria Lopes, editor do Diário Económico

 

«A “saída limpa” é um mero momento de pose para a fotografia que não vai mudar a política a ser seguida no futuro. Incidentalmente, cabe perguntar como tenciona o PS, quando for governo, inverter o “austeritarismo” que tanto denuncia agora, quando tem de cumprir o Pacto Orçamental que ele próprio aprovou no Parlamento. Tudo isto revela a grande confusão que sempre existiu sobre o Governo desde o início: a confusão entre um programa de reforma da economia e um programa de ressarcimento de credores.»

Luciano Amaral, colunista do Correio da Manhã

10 comentários em “Ecos”

  1. Se o (des)governo fez o melhor que sabia, então é o momento de aplicar tudo quanto aprendeu e corrigir o que há a corrigir.

    E é mentira que o governo tenha dado a Seguro o que ele exigia. Não existiu nenhuma saída limpa. Está por aí muita porcaria para limpar que os ditos (des)governos europeus também criaram e que não querem continuar a manchar-se.

    Mas quer queiram quer não o cautelar continuará a existir, como já começou com o fim das especulações dos juros graças à crise na Ucrânia. E a Alemanha sabe agora que a sua política de expansão para leste não só é contrariada pela Rússia como também pelos USA; e sabe que necessita de angariar maiores apoios a ocidente para readquirir o equílibrio que não encontra em mais nenhuma parte.
    E isto pode ser verificado não só pela política de alinhamento além Atlântico que os ingleses mantêm como também, agora, na aproximação da França aos EUA. A visita de Merkel aos EUA demonstra bem este desconforto, e a Europa volta a colocar-se sob o guarda-chuva protector dos EUA. O infantário volta a reconstruir-se e os pais de uma Europa una e livre dão voltas na tumba.

  2. Na sequência da lista das palavras detestáveis, apelo ao boicote das expressões “cumprir com”, “propor-se a”, “chamar de”. Isto para já não falar do “resgatar” e afins contemporâneos.

    Obrigado.

    A luta continua!

    🙂

  3. Um chorrilho de asneiras. 5% de défice existem, o que quer dizer que o Estado tem de pedir emprestado 10% do que gasta ou por outras palavras mais de 1 mês de ordenado da função publica ou de funcionamento dos ministérios.

    Nada mudou, apenas se reduziu os extraordinários 4 meses de ordenados/funcionamento públicos pedidos emprestado por Sócrates para os mais de 1 meses de hoje.

    Sai a Troika – ainda bem, provavelmente nem deveria ter aparecido para os portugueses perceberem onde se meteram devido à sua ignorância activista – e vai ver-se como vão desejar que volte.

  4. O melhor elogio que se ouve fazer a PPC e ao Governo, é ler este tipo comentários ! ( Ainda não ouvimos todos os 290 comentadores economistas residentes nas TVS)

    Ao principio, era e foi a incompetência… Passámos para a conjuntura e condescendência da Europa e do Mundo…

    Como se Portugal fosse um Oásis e um País de isolado do Mundo!

  5. Eu gostava era de ouvir / ler ecos do fundo do poço em que nos mergulharam, não ecos do púlpito em que se transformou a comunicação social portuguesa que presta vassalagem aos richelieuzinhos ” cá do burgo.

    Dizem que DEO perdoa tudo e todos e não é que é verdade!

  6. Há uma pergunta que ponho a mim mesmo diariamente:

    Se Portugal tem tão bons 10 milhões de economistas, porquê chegou a este estado.?

    Até Sócrates e Soares que chamaram o INEM 2 vezes !

    Esqueceram o Vale do Ave, Setúbal…

    Efetivamente, Portugal sempre foi melhor em Poesia do que economia!

    1. Se subtrair aos 10.500 milhões os economeses de plantão nos desgovernos e nas áreas ditas informativas verificará que, se aos restantes tirar os jogadores e gastadores compulsivos (que é enfermidade), são todos os demais os verdadeiros economistas desta nação. E no meio destes bons economistas estão aqueles que também caíram na pobreza por terem sido desgovernados por aqueles em quem confiaram, onde se incluem muitos patrões e ditos gestores ou directores de empresas privadas e públicas. Isto para não repetir a dose da área financeira que já vai cheirando mal.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *