4 comentários em “Mais 10 jornalistas de Abril (5)”

  1. Caro Pedro,
    tenho visto esta sua lista com alguma curiosidade e, permita-me que sublinhe uma particularidade de alguns destes jornalistas hoje extinta e completamente desconhecida para as novas gerações: estou-me a referir ao facto de trabalharem em jornais cuja publicação era à tarde – os vespertinos. Tenho eu 40 e poucos anos, acompanhei, como leitor o definhar das últimas dessas publicações: Diário de Lisboa, Diário Popular e A Capital.
    Fica a pergunta: seria hoje viável uma publicação vespertina?

    1. Faz uma excelente observação. É verdade: os vespertinos marcaram toda uma época. E dinamizaram muito a imprensa em Portugal. Mesmo em tempo de ditadura. A imprensa mais ágil, mais dinâmica, com uma linguagem mais acessível e menos gongórica, era a vespertina.
      Hoje – por sinal daqui a uns minutos – ressuscita a imprensa vespertina em Portugal. Com o início da edição diária do Expresso, às 18 horas. É a única imprensa do género viável nos nossos dias: em linha, não em papel.

  2. Acresce que muitos destes jornalistas trabalhavam em matutinos e vespertinos em simultâneo e não havia cá conversas de incompatiblidade. Havia mesmo quem tivesse no Século, na Capital e na RTP.

    1. Sim, Patrícia. Nessa altura os jornalistas eram poucos e os órgãos de informação eram muitos. Mesmo sem novas tecnologias e redes digitais.
      Hoje os jornalistas são muitos e os órgãos de informação são cada vez menos.
      Mais insólito ainda: apesar de serem muitos, os jornalistas não chegam para as encomendas pois passam o dia agarrados às “plataformas multimédia”, como se estivessem acorrentados a linhas de montagem. Tipo Chaplin em ‘Tempos Modernos’.
      Tão acorrentados que mal saem do local de trabalho. Como se não houvesse mundo fora das quatro paredes da redacção. O mundo real é substituído pelo mundo virtual. E a visão fica cada vez mais desfocada. E processa-se cada vez mais em sentido único. O que diz um, dizem todos. O que um mostra, todos mostram.
      Todos diferentes, todos iguais. O pluralismo é cada vez mais estreito. Outro paradoxo do nosso tempo, aparentemente tão livre.

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