Governo.


vidabreve,

O CDS fica com os negócios estrangeiros, essa orquídea na lapela, a lavoura e o ministério dos pobrezinhos. Paulo Macedo será o rambo da coligação — não vai ser fácil gerir os cortes na Saúde. Quanto ao PSD, varia entre o funesto (Relvas, Aguiar Branco) e o interessante (Paula Teixeira da Cruz). A escolha de Vitor Gaspar para as Finanças revela bom senso: é um homem da Europa, o que dá jeito nas horas difíceis. Ver o elenco aqui.

A marquetista brasileira.


vidabreve,

Alessandra Augusta, de 40 anos, veio do Leblon ajudar Passos Coelho na campanha eleitoral. Não deve ter sido fácil. Ela explica em entrevista ao Sol como se adaptou a uma campanha em directo, assente nos free media (por oposição aos anúncios pagos que dominam a política brasileira) e em que os debates incluem perguntas a sério do moderador (na terra do samba eles ligam o relógio e calam a boca).

 

Demonstrando uma inteligência rara na sua profissão, Alessandra percebeu que aautenticidade de Passos Coelho contrastava bem com o excesso de marketing, mistura de circo, bruxaria e sound-byting, de José Sócrates e Paulo Portas. Por isso recolheu-se e deixou-o falar. Teve muitos arrepios, dada a prolixidade do candidato, mas respirou de alívio quando ele ganhou o debate.

 

Esta entrevista ignora várias coisas: o contexto, muito favorável ao PSD, e o alcance limitado da vitória. Mas Alessandra revela mão segura, ao combinar as incertezas da visão estratégica com uma noção realista da sua própria importância.

 

Boas lições para quem anda por aí.

Reconciliação.


vidabreve,

O equilíbrio de forças que resultou das eleições agrada-me. O PSD tem a autoridade mas não tem maioria. Sócrates obteve menos votos que Santana em 2005. Paulo Portas não arrasou. O Bloco foi castigado por não ter feito, em tempo útil,  uma oposição decente à economia vodoo dos socialistas. O PCP — um anacronismo útil em tempos de crise — reforçou o seu mandato para defender os mais fracos, com ou sem Coreia do Norte.

 

Agora precisamos de sossego. O sossego que nos falta desde que o escândalo Casa Pia transformou o PS numa instituição acossada, raivosa, sectária, com delírios revanchistas. Foi esse o partido que pegou em Sócrates e o acompanhou no triunfo, na inconsciência, na pulsão de morte e na ruína do país. É provável que muitos socialistas despertem hoje estonteados e que sintam, para sua surpresa, um secreto alívio: como foi possível, perguntarão. Eis uma boa pergunta.

 

Por enquanto as perspectivas não são más: o pagamento das dívidas ocupará os vencedores, vexames vários entreterão os vencidos. O país terá um Governo, se se pode chamar governo à administração de um protectorado, enquanto o PS e o Bloco procuram novos líderes.

 

Sim, vai haver miséria: a miséria é o legado destes seis anos. Mas, sinal dos tempos, Francisco José Viegas foi eleito em Bragança, Daniel Oliveira está em reflexão (alguém esteja) e poucos, a começar pelos seus autores, levam a sério as promessas de luta de um blog com quatro deputados. Ontem, ao escutar o barítono técnico de Pedro Passos Coelho, aquela voz terrível que desafinava o hino de Portugal, não pude deixar de sentir o regresso, provavelmente ilusório, a uma espécie de normalidade.

Satisfação.


vidabreve,

Por ver que o PS se reúne no Altis de Lisboa. Um dia ofereceram-me um jantar no terraço, a mais de 60 euros por cabeça, e tive uma intoxicação. Se não houver sandes de pepino, recomendo o cocktail de camarão.

País real.


vidabreve,

Ligo a televisão e vejo uma ama, filmada à socapa, a espancar bebés, um fuzileiro a receber sopapos na camarata, uma Kátia a esfaquear uma Vanessa com dezassete golpes de x-acto, uma menina dos olhos da sua avó pontapeada no YouTube e um bife sovado até à morte pela boa juventude do Algarve — aparentemente porque era turista e andava na rua, coisa rara em Albufeira. As caixas do multibanco não têm tido mais sorte: são arrancadas, arrombadas, esventradas e sequestradas com abandono por veículos de alta tonelagem. Na Buraca e na Paiã digladiam-se gangs rivais. Em Almargem do Bispo há velhinhas mortas perdidas em caves desde o primeiro governo de Cavaco Silva: a vizinha? Durante uns anos cheirou, sim senhoras, mas ósdepois habituei-me.

 

O Crespo faz beicinho e denuncia a violência das imagens, dos tempos, dos costumes. O convidado acena com beatitude: é a civilização do espectáculo, da crise de valores, da ausência de referências, de um vazio espiritual que só a religião preenche. Ou então: é a civilização da desigualdade, da segregação urbana, da pobreza abjecta e da ostentação das elites. Ou ainda: é a civilização da improdutividade, do desemprego protegido, dos calaceiros e dos drogados, dos desprezo pela ordem, das fufas e dos maricas. Ou a civilização da carne, que rejeita os vegetais; a civilização dos estrangeirados, que importa a violência da América; a civilização dos imigrantes, ciganos, pretos e brasileiros que corromperam a alminha branca e impoluta do pobre Zé Luis; a civilização do aqui e agora, do curto prazo, de uma mocidade que não conhece o sacrifício, do culto do corpo, do culto da imagem, do culto da Britney e da Lady Gaga, a civilização da bulimia e da anorexia, a civilização dos jogos de computador e do sexo por conveniência, por correspondência, por desfastio. Oh, a civilização do sexo…

 

Crespo faz beicinho e acena com a cabeça. Tanta, tanta civilização, meu deus.

O meu voto.


vidabreve,

Podemos convidar a ruína e elevar o cinismo a uma arte menor, mas só um país com uma doença moral profunda reelegerá Sócrates. Isto é importante, porque é a minha única certeza.

 

Como o meu campo ideológico natural corresponde à direita do PS, e como esse campo foi sequestrado pelo primeiro-ministro — um primeiro-ministro que traiu quase tudo em que acredito — restar-me-ia, em condições normais, votar no Bloco de Esquerda ou no PSD. Não vai acontecer.

 

Não votarei no Bloco, porque foi um aliado objectivo dos socialistas. Em momento algum o partido de Louçã denunciou o endividamento galopante ou o delírio das obras do regime — pelo contrário, apoiou-o muito para além do bom senso. Ainda hoje, em campanha, o BE dirige tantos ataques à direita como ao partido que durante seis anos nos conduziu à miséria. Eis uma estranha forma de responsabilização.

 

Não votarei no PSD porque há um excesso de alegria entre os social-democratas. A alegria de quem vendeu a alma por uns patacos e agora rejubila perante a perspectiva, auspiciosa, de criar dois ou três milhões de pobres. Este PSD despreza os mais fracos, os mais velhos e os que não se safaram. Um partido assim não merece o meu voto.

 

De resto: preferiria vestir calças vermelhas e calçar sapatos com berloques a eleger Paulo Portas. A demagogia deve ser limitada pelo pudor, o pudor deve subordinar-se a princípios e os princípios não são uma merda que um tipo enrole ao pescoço para exibir com aisance entre retratos de peixeiras e coquetéis no Estoril. A direita que tenha juízo.

 

Sobra o PCP? Não, não sobra. Mas respeito a devoção autêntica dos comunistas à gente humilde, e terão o meu apoio nas autarquias.

 

Em 2011, o ano em que eu mais queria que o meu voto contasse, vou votar em branco. É assim desde 2005, e já estou muito, muito farto.

Ainda queres “restruturar a dívida”, Falâncio?


vidabreve,

 

  1. Orderly Greek restructuring a ‘fairytale’. Talk about Greece reneging on debt commitments “has been very damaging” and suggests “that investing in the euro area is unsafe,” (…) “a debt restructuring, or exiting the euro, would be like the death penalty – which we have abolished in the European Union”.
  2. Greece set for severe bail-out conditions. With political opposition to new loans to Greece growing in several northern eurozone countries and the European Central Bank adamantly against any restructuring of Greek debt, European leaders see the privatisation plan as the best hope of staving off insolvency. (…) But several diplomats and officials said repeated failures by Athens to start such sell-offs have convinced them of the need to impose new conditions on the programme, including the possibility of an international agency running the divestments. “The state is not functioning,” said one senior European diplomat.

Olhem, escrevemos a coluna de ontem do Manuel António Pina.


vidabreve,

Casualidade, causalidade

Talvez tenha visto mal mas não me apercebi de que, como vem sendo feito na Net, algum jornal se tenha ainda interrogado sobre a sucessão de três notícias em pouco mais de dois meses que, isoladas, talvez só tivessem lugar nas páginas de Economia mas que, juntas, e com um director ou um chefe de redacção curiosos de acasos, até poderiam ter sido manchete.

A primeira, de 16 de Março, a da renúncia – dois anos antes do termo do seu mandato – de Almerindo Marques à presidência da Estradas de Portugal (para que fora nomeado em 2007 pelo então ministro Mário Lino), declarando ao DE que “no essencial, est[ava] feito o [s]eu trabalho de gestão”.

 

A segunda, de 11 de Maio, a de uma auditoria do Tribunal de Contas à Estradas de Portugal, revelando que, com a renegociação de contratos, a dívida do Estado às concessionárias das SCUT passara de 178 milhões para 10 mil milhões de euros em rendas fixas, dos quais mais de metade (5 400 milhões) coubera ao consórcio Ascendi, liderada pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo. Mais: que dessa renegociação resultara que o Estado receberá, este ano, 250 milhões de portagens das SCUT e pagará… 650 milhões em rendas.

 

E a terceira, de há poucos dias, a de que Almerindo Marques irá liderar a “Opway”, construtora do Grupo Espírito Santo.

 

O mais certo, porém, é que tais notícias não tenham nada a ver umas com as outras, que a sua sucessão seja casual e não causal.

 

Aqui. São trezentos euros se faz favor, António.

A história secreta (2).


vidabreve,

A partir de agora, para satisfazer a minha curiosidade e talvez — no futuro — a curiosidade dos leitores, procurarei compreender um pouco melhor o relacionamento entre o grupo Espírito Santo, ou outros grupos económicos, e os governos da república. Estou interessado em aceder a notícias que nos permitam avaliar a influência política destas organizações: casos, esclarecidos ou por esclarecer, zonas de sobreposição entre os interesses dos grupos e as decisões de titulares de cargos públicos, contratações e nomeações — enfim, tudo o que, legitimamente, e dentro dos limites do interesse público, nos permita iluminar uma zona ainda opaca da nossa vida democrática.

 

O leitor está convidado a participar nesta tarefa, enviando notícias publicadas em jornais de referência, documentos oficiais ou reflexões originais (não rumores) para o emailluismjorge@yahoo.com. Este email estará afixado na barra lateral do Vida Breve nos próximos meses.

 

Nada me move contra qualquer grupo económico português. Mas, à falta de um jornalismo de investigação independente e corajoso, resta-nos confiar em recursos próprios para vigiarmos o destino dos nossos impostos.

A história secreta.


vidabreve,

Almerindo Marques vai ser presidente da Opway, uma construtora do Grupo Espírito Santo. Ocorreram várias coisas antes de lá chegar. O Rui Costa resume, eu adapto:

 

1. Almerindo Marques, presidente da Estradas de Portugal, renunciou ao cargo em Março de 2011.

 

2. Dois meses depois, o Tribunal de Contas audita uma renegociação de dívida entre as Estradas de Portugal e as concessionárias das SCUT:

  • A dívida do Estado às concessionárias passou de 178 milhões para mais de 10.000 milhões de euros;
  • A Ascendi (liderada pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo) garantiu mais 5400 milhões de euros em rendas, que não dependem do número de carros em circulação;
  • A Euroscut (liderada pela Ferrovia) garantiu mais 1186 milhões de euros em rendas;
  • Em 2011, o Estado recebe 250 milhões de euros em portagens e paga 650 milhões de euros de euros em rendas, com um prejuízo de 400 milhões de euros (62% do valor das rendas, 160% do valor das portagens)

Pior:

“O Governo não só nomeou as comissões de negociação (ver aqui) , como criou condições para escapar ao controlo do Tribunal de Contas. Em 2006, a maioria socialista aprovou uma alteração aos poderes do tribunal que permite modificações a contratos antigos:

«Não estão sujeitos à fiscalização do Tribunal de Contas os contratos adicionais aos contratos visados», determina a Lei 48/2006, de 29 de Agosto.”

3. Almerindo Marques nega que as Estradas de Portugal tenham concluído um negócio ruinoso (0:53 no filme).

 

4. A 23 de Maio o Jornal de Negócios noticia que Almerindo Marques vai ser o próximo presidente da Opway, a construtora do grupo BES.

 

O que diz o PSD? Nada. O que diz o CDS? Nada. O que diz a blogosfera de Sócrates? Nada. O grupo Espírito Santo é a história secreta de Portugal.

Uma democracia.


vidabreve,

 

Fui mais vezes a Espanha em 2010 que nas quatro décadas anteriores. Fiquei a gostar muito daquela gente que come fritos, bebe cañas e fuma como se não houvesse amanhã. Acima de tudo, encantou-me trabalhar com espanhóis.

 

A quantidade de bulshit diminui consideravelmente mal se atravessa a fronteira. A conversa de merda, essa tradição portuguesa, nunca perturba as reuniões com nuestros hermanos. É um país que se revela a criar empresas, a fazer produtos e a obter resultados.

 

Pensei nisto hoje enquanto procurava notícias sobre as eleições regionais: Bambi perdeu em toda a linha. Ora, ao contrário da direita portuguesa nunca embirrei com Zapatero. Sei que o PSOE aprovou o casamento gay, como lhe competia, e que depois se dedicou a intervir nos costumes com algum exagero. Mas não consigo avaliar se corrompeu a economia, se tomou de assalto as estruturas intermédias do Estado, se manipulou a justiça ou se coarctou a liberdade de imprensa como fizeram os socialistas portugueses.

 

Uma coisa é certa: os espanhóis parecem acreditar que um mau Governo deve ser castigado nas urnas. É uma ideia exótica, difícil de exportar para o nosso lado da península. Nisto revelam concepções muito diferentes da eficácia política e do confronto democrático.

 

Que Portugal se arraste enquanto Espanha progride é apenas mais um sintoma da nossa escassa capacidade de regeneração.

Há comida? Chamem os gordos da Júlia.


vidabreve,

Seguem José Sócrates para todo o lado, de norte a sul do País, em autocarros pagos pelo PS. Depois são usados para compor os comícios, agitar bandeiras, e puxar pelo partido, apesar de muitos deles não perceberem uma palavra de português e não podem votar. Em troca têm refeições grátis. (…)


Trata-se de imigrantes provenientes da Índia e Paquistão, trabalhadores nas lojas do Martim Moniz, Lisboa, e na construção civil. Estiveram com José Sócrates em Beja, Coimbra e no comício de ontem em Évora, onde deram nas vistas ao exibir os seus turbantes. Até à porta da RTP, no dia do debate com Passos Coelho, realizado na sexta-feira, estiveram de bandeiras em punho.

 

O PS já não está em campanha, está em freak-show.

O debate.


vidabreve,

Vai ocorrer à noite, mas suponho que podemos resumi-lo já. Sócrates acusa o candidato Passos Coelho e a irresponsabilidade do PSD. Passos Coelho, de olhar vácuo, lamenta que o senhor engenheiro nos tenha colocado na situação em que estamos. Sócrates castiga Passos Coelho pela crise política que o PSD provocou enquanto ele próprio tentava salvar Portugal.  Passos Coelho, compungido, recorda que o PSD ajudou o PS a atravessar as dificuldades, etc. Sócrates recorda ao país que o PSD quer acabar com o Estado Social e reduzir milhões de pensionistas a uma miséria escalavrada, ao opróbrio, ao Bangladesh. Passos Coelho responde que na actual conjuntura, e perde-se um bocadinho no seu argumento. Sócrates pergunta ao candidado Passos Coelho o que fez ele pelo país. Passos Coelho não responde à pergunta, Sócrates repete a pergunta, Passos Coelho fica um pouco emburrado com a pergunta e perdido nos seus pensamentos mas diz uma merda qualquer. Sócrates aponta para o homem que quer privatizar a água, criar uma saúde só para ricos e fazer subir o preço do pão. Passos Coelho diz que os portugueses o conhecem (não conhecem), que os portugueses sabem (não sabem, nem ele explica), e que o senhor Presidente da República. Nos minutos finais Sócrates jura ao país que precisamos de um líder capaz de enfrentar, e que a estabilidade e os tempos difíceis. Passos Coelho, num notável esforço de memorização, sustenta que Portugal está numa encruzilhada. Sócrates ganha o debate e Passos Coelho — o Zé Maria da política — ganha as eleições.

O “derby”.


vidabreve,

 

Com o alto patrocínio da nação que inventou a Via Verde e os cartões pré-pagos do seu telemóvel reunir-se-ão hoje em Dublin alguns milhares de pategos para celebrar outro evento histórico, outro marco reluzente da portugalidade: uma final europeia.

 

O que é uma final europeia? As oito primeiras páginas do Público esclarecem-nos: é um jogo de bola em que os bracarenses Alan, Vandinho e Paulão defrontam os portuenses Helton, Guarin e Sapunaru. Rapazes humildes de Nevogilde e Cedofeita, que molhavam o pé em Labruge ou conduziam juntas de bois em Tibães e que hoje revelarão, como é habitual nestas merdas, novos mundos ao mundo.

 

Nem a rainha Elizabete de Inglaterra faltará ao importante derby: pela primeira vez em cem anos a coroa britânica aterrou na Irlanda. Sempre prestimoso, Jorge Nuno Pinto da Costa recebeu-a ontem no aeroporto. Esta manhã um eclipse aterrorizou os indígenas do Gabão e um novo cometa foi avistado na Sibéria. As mãos da Pietá começaram a sangrar. O universo está suspenso por um duelo de titãs.

Pura ganância.


vidabreve,

O meu sonho de ver Sócrates agrilhoado a uma galera talvez não chegue a cumprir-se, mas se a oposição fizer o seu trabalho o PS acaba de perder as eleições:

A introdução de portagens nas Scut prejudicou os automobilistas, que passaram a pagar o que antes era gratuito, mas foi igualmente ruinosa para o Estado.

 

Antes, o Estado devia às concessionárias 178 milhões de euros. Agora, a empresa pública Estradas de Portugal ficou comprometida com um dívida superior a 10 mil milhões de euros. Com a renegociação de contratos, para introduzir portagens, as estradas ficaram 58 vezes mais caras.

 

O problema é que a receita de portagens fica longe dos novos encargos assumidos pelo erário público, com pagamentos por disponibilidade às concessionárias.

 

«As concessionárias passaram a beneficiar de rendas Avultadas», denuncia o Tribunal de Contas.

Na sua própria previsão, a Estradas de Portugal vai cobrar 250 milhões de euros de portagens em 2011, mas terá de pagar rendas de 650 milhões. Resultado: 62% de prejuízo.

 

(…) O consórcio Ascendi, liderado pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo tem garantidos, independentemente do número de carros a circular, mais 2532 Milhões de rendas pela da Beira-Litoral e Alta, mais 891 Milhões na Costa de Prata, mais 1977 milhões na concessão Grande Porto. Já o consórcio Euroscut, liderado pela Ferrovial, ganhou direito a um adicional de 1186 milhões pela concessão Norte Litoral.

Não deixem de ler o resto aqui e aqui. Veremos se a participação do grupo Espirito Santo neste tráfico miserável não inibe a direita de provocar os danos que a notícia e a decência justificam. Temo o pior.