E o Bloco, pá?


vidabreve,

 

O percurso trágico do Bloco de Esquerda nas sondagens revela-nos a que ponto o partido avaliou mal a situação. Louçã esperava ser o refúgio natural do voto de protesto, mas não é. A crise explica-o em parte: os votos de protesto são um luxo da democracia. Mas o erro da moção de censura a brincar e a recusa de qualquer diálogo com a troika agravaram a desconfiança dos eleitores. O Bloco está fora do sistema, numa altura em que era urgente a emersão de uma alternativa de esquerda para os socialistas. Perdeu a oportunidade de se transformar num partido de poder, e não é provável que venha a ter outra. Resta-lhe a aliança com o PC ou uma espécie de marginalidade envergonhada. Ninguém tem tanta sorte como Sócrates.

Ainda se lembram?


vidabreve,

 

Foi o dístico da saison. Três meses depois estamos assim:

 

PS: 36%
PSD: 34%
CDS-PP: 10%
CDU: 9%
BE: 5%
OBN: 6%

 

Muito se podia escrever agora sobre política feita com os pés, sobre idiotas úteis, etc. Mas este blog tem uma indisfarçável vocação para a caridade cristã.

Princesinhas.


vidabreve,

 

Alguém devia escrever sobre o estofo darwinista das consortes reais. Imaginem o talento de que necessitam estas mulheres para encantarem durante décadas um palerma mimado, afastarem as hárpias, persuadirem a família de Windsors ou Saxe-Coburgs, honrarem as instituições e comoverem o povo durante noivados sem mácula até à glória de uma boda triunfal. Ser doida na cama ajuda, mas não chega.

Dogmas para o próximo líder do PSD.


vidabreve,

  1. Toda a força vem de uma boa estratégia. Se não tiver uma, você já sabe o que acontece.
  2. Seja liberal, mas seja um liberal de esquerda. O Pedro Magalhães explica.
  3. Quando chegar a líder, corte cabeças. Ignore os compromissos. Não lance pontes aos barões. Não procure independentes. Não dialogue. O povo vai gostar.
  4. Torne-se hierático: não fale à imprensa, não se mostre com a mulher e com os filhos (muito menos com caniches) e não tente ser popular. O povo detesta líderes populares.
  5. O desprezo será a sua arma. O desprezo pelo boys. O desprezo pelo PS. O desprezo por quem nos trouxe aqui. Exiba abundantemente o seu desprezo. Se o condenarem por isso, exiba desprezo por quem o condenou.
  6. O sonho será a sua arma. Diga-nos onde vamos estar daqui a cinco anos. Faça o povo olhar para as estrelas. Termine as suas intervenções assim.
  7. A espada será a sua arma. Prometa-nos a espada e venha depressa.

A homilia.


vidabreve,

Portugal distingue-se por uma casta de pregadores que usam os dias santos para infernizar os raros prazeres mundanos dos seus compatriotas. Não há feriado móvel em que não saiam das caves, a espumar imprecações, dezenas de criaturas lívidas mobilizando-se contra as pontes, o consumismo, a ostentação e a alegria em geral.

 

A missa reproduz-se de dois em dois meses com a enjoativa previsibilidade do bulshit lusitano: que o país está em crise, mas ainda há quem consuma. Que muitos não têm pão, mas outros comem croissants. Que apesar da desgraça universal, o Algarve está cheio de novos-ricos, frangos da Guia e delícias do mar. Que os voos para Cancun, Varadero, Punta Cana, Tenerife, Porto Galinhas, Maceió, Recife, Pipa e Natal rebentam pelas costuras. Que uns dormem na valeta, enquanto outros esbanjam em mordomias, etc.

 

Talvez valha a pena colocar alguma ordem nas cabeças dos nossos ressentidos.

 

Em primeiro lugar recordando que o facto de existir uma crise não significa que algumas pessoas não possam viver melhor. Isso é uma injustiça? Para quem julga —como tantos portugueses — que a inveja é uma boa estratégia de ascensão social, talvez. Mas num país civilizado o triunfo de alguns é fonte de inspiração e progresso para outros.

 

Em segundo lugar informando os distraídos que Portugal já é o país europeu onde mais se trabalha. A improdutividade não se enfrenta com a anulação de pontes: enfrenta-se com gestores capazes, com gente bem formada e com um enfoque no médio prazo — ou seja, com tudo o que falta nas empresas que você conhece.

 

Em terceiro lugar, apelando à solidariedade dos moralistas. Mas não é a solidariedadetacanha de quem repele o consumismo ou vocifera contra as férias dos outros. É a solidariedade de quem quer mesmo combater as desigualdades.

 

Um combate que se faz pela política fiscal em vez da caridade. Que assenta no voto em vez da admoestação. Que é feito a pensar no futuro, e não nas idealizações nostálgicas de uma qualquer miséria salazarista.

 

Portanto, no próximo feriado, poupem-me às vossas tretas: tirem umas férias. 

O problema.


vidabreve,

O problema é que o PSD, com mais ou menos asneiras, já não vê um político desde Durão Barroso. Não estou a falar de um génio, claro, mas de alguém com tacto e instinto de sobrevivência.

 

Depois de Durão, o dilúvio: eis uma frase que, aplicada à personagem, não deixa de ser extraordinária. De 2004 a 2011 o partido foi entregue a dois loucos varridos (Santana e Menezes, com Menezes a ganhar), a dois totós (Mendes e Coelho, mais o Coelho que o Mendes) e à drª Manela, que apesar da indiscutível santidade não foi exactamente um prodígio de agudeza estratégica.

 

Sete anos nesta merda.

 

Outra década nisto e podemos exumar o Suetónio, que ao menos já treinou com as biografias de Nero, Galba e Vitélio: não eram mais doidos que os nossos. Nem Calígula, que elevou um cavalo a senador, se lembraria de ir buscar o Fernando Nobre. Você não leu os Doze Césares? Então espere pelos Doze Palhaços, que custa apenas mais um euro na compra do DN.

 

Foda-se, é inacreditável que não haja um caralho com dois palmos de testa no maior partido da oposição. O país em ruínas, o Governo nas mãos de um Goebbels da esquerda gira e moderna e aquele atrasado mental desce nas sondagens a dois meses das eleições. Puta que o pariu!

Sondagem.


vidabreve,

Aqui. A recuperação do PS, com mais 0.3% desde as sondagens anteriores, é uma bela treta: o rescaldo do Congresso não o vai ajudar muito, pois este foi organizado para que o eleitor fiel não se ponha com ideias. Mais interessante é a descida do PSD. Qualquer totó no lugar de Passos Coelho já teria garantida a maioria absoluta, mas dizer isto é não conhecer o grémio dos diletantes. O PSD é uma miséria disfarçada de tristeza metida dentro de um logro e condenada ao fiasco. A única coisa que o motiva é a alegria sempre renovada de escorregar nas cascas de banana que o primeiro-ministro, com invejável desprendimento, lhe atira ao caminho.

 

Sobra Paulo Portas, que aumenta num décimo as intenções de voto e já se vê como líder da oposição. Faz bem: eu também veria.

O congresso do Amor.


vidabreve,

 

Testemunho de Jocelyne, 24 anos, Maceió:

Bispo José, antes de Seu Congresso eu passava muito tempo sem vida espiritual. Agradeço a Deus por Sua direção pois me renovei com as orações e hoje me sinto dentro do braseiro novamente, graças ao Senhor. Chorei muito quando cheguei lá em casa, mas o bispo falou para pôr a mão no rádio pra receber o Espírito Santo eu o recebi, e foi um choro com muita alegria.

 

Testemunho de Zulmiro Butica, 53 anos, Juribaquépapai:

Bispo José, estou vivendo como se fosse o meu primeiro dia todos os dias. Sinto uma alegria imensa dentro de meu ser que não tem explicação. Tenho pedido direto em minhas orações: quero o Senhor se apossando de todo meu ser. Estou envolvendo a todos, anunciando para todos, minha mãe e minha mulher pra buscar o que tenho transbordado, pois quero ver todos transbordando da presença do Senhor.

 

Testemunho de Sabrina Silva,  Rondonópolis:

Bispo José, quando cheguei ao seu Congresso sofria de síndrome dos ovários micropolicísticos e tinha meus hormónios desregulados. Sentia cólicas fortes, dores horríveis e precisava ficar deitada. Na sexta-feira participei de Sua corrente, exercitei a verdadeira fé, e logo no Sábado me apareceu a mestruação. Hoje não sofro mais como antes.

 

Testemunho de Sérgio Luíz, 48 anos, Guruiojó-Mirin:

Bispo José, antes de assistir no seu Congresso eu era uma pessoa perturbada com os vícios das drogas e alcoolismo, freqüentava um centro espírita, vivia apenas para a cocaína, bebidas e prostituição. Cheguei num ponto de ter principio de overdose, mais com muita luta e determinação conquistei minha liberdade. Hoje sou obreiro, casei com uma mulher de Deus e tenho um filhinho abençoado. Minha vida é somente para servir ao meu Senhor por tudo o que fez pla minha vida.

 

Testemunho de Dorival Béleza, 18 anos, Patimbirá do Pará.

Bispo José, antes do congresso eu passava muito tempo envolvido com os vicios eletrônicos e a internet, vivia com dor de cabeça o dia inteiro e estava sempre nervoso. Mas graças à direção do Senhor consegui enxergar o que estava me afastando de meu Bem. Hoje me sinto mais perto de Deus. Obrigado, bispo, por estar sempre tão sensível ao Espírito Santo.

Conheça na Rede Aleluia mais testemunhos de fiéis que também foram curados pelo congresso do amor.

Glossário da novilíngua: “azia de diversão”.


vidabreve,

Def:

 

Excesso verbal de quem fez uma grande merda, ou aplaudiu uma grande merda, dirigido a quem fez uma pequena merda, com o propósito de mudar de assunto.

 

Ex.:

 

– Mas como é que pudeste deixar o nosso filhinho Rubem ao sol dentro do carro durante quatro horas numa tarde de Agosto, homem?
– E tu, como é que pudeste dar-lhe um kinder chocolate antes do jantar, sua puta?

 

Outros:

 

– Isto já não é sujo. É simplesmente porco. Sim, porco.
– Javardo!

O detector de “bullshit”.


vidabreve,

O PSD fez publicar hoje as linhas de orientação para a elaboração do seu programa eleitoral. Alguns espíritos malévolos talvez observem que o líder social-democrata, ocupando o cargo desde 26 de Março de 2010, já teria tido tempo de nos proporcionar um documento maduro e definitivo em vez destes bitaites enjorcados.  Pura injustiça. Pedro Passos Coelho angustia-se com os reais problemas do país e está, como é seu dever, imerso no exame atento do Programa do Governo. Esse sim, já foi criado, e encontra-se desde há muito disponível aqui.

Sondagem.


vidabreve,

A Intercampus fez, a TVI revela: PSD 42,2%; PS 32,8%.

 

Mais ou menos o que se esperava: os socialistas descem para os mínimos da sua base de apoio (nem com um genocídio obteriam menos) e os social-democratas roubam 12 ou 13% ao centro — só Cavaco Silva conseguiu melhor. Com os 8,7% do CDS chega e sobra para uma coligação à direita.

 

Para o PSD foi uma oportunidade perdida. O desafio, neste momento, era alterar a distribuição sociológica do eleitorado — isto é, obter uma vantagem definitiva sobre o PS. Mas os laranjinhas são incapazes de elaborar planos a um ano, quanto mais a uma década.

 

Passos Coelho vai para o Governo aplicar o regime do FMI: um destino pouco invejável e, seguramente, breve.

Balancete (3).


vidabreve,

 

Todos os comentadores juram que Sócrates será um osso duro de roer. Sim, sim: há bons argumentos para defender estas merdas. Mas as coisas complicam-se no dia das eleições. Um chefe de família necessitará de muita coragem para votar, pela terceira vez, naquele tipo formidável que quase nos deu o TGV.

Balancete (2).


vidabreve,

 

Sócrates saiu no melhor momento — para Sócrates, evidentemente. Até um menino da Crinabel conseguiria perceber, e eu próprio o escrevi sem excessivo brilhantismo, que o primeiro-ministro devia ser forçado a mastigar umas côdeas antes de roer a corda. Nada feito. O PSD, empunhando bandeirinhas e autocolantes, resistiu, como resiste sempre, a todas as formas rudimentares de abstracção. Suponho que há alguma justiça cósmica nesta ópera bufa: matam-se dois coelhos até ao Natal. É para o lado que durmo melhor.

 

Balancete (1).


vidabreve,

Nada pode regenerar a nossa classe política como a abundância de eleições  – ou melhor, a abundância de derrotas. Que um Governo dure seis meses ou ano e meio perturba-me pouco. Pior são as coligações oleosas e o clamor dos pactos de regime. Temos um problema político com efeitos económicos; não o contrário.