E o Bloco, pá?


vidabreve,

 

O percurso trágico do Bloco de Esquerda nas sondagens revela-nos a que ponto o partido avaliou mal a situação. Louçã esperava ser o refúgio natural do voto de protesto, mas não é. A crise explica-o em parte: os votos de protesto são um luxo da democracia. Mas o erro da moção de censura a brincar e a recusa de qualquer diálogo com a troika agravaram a desconfiança dos eleitores. O Bloco está fora do sistema, numa altura em que era urgente a emersão de uma alternativa de esquerda para os socialistas. Perdeu a oportunidade de se transformar num partido de poder, e não é provável que venha a ter outra. Resta-lhe a aliança com o PC ou uma espécie de marginalidade envergonhada. Ninguém tem tanta sorte como Sócrates.

11 comentários em “E o Bloco, pá?”

  1. Mas o Público tem alguma credibilidade para fazer sondagens? AHahah. Devem estar a gozar comigo. O Público neste momento é o orgão oficial do Partido Socialista.

  2. Uma grande fatia dos ELEITORES do bloco são jovens de 18 a 24 anos. Nesta idade há uma força interior para MUDAR o mundo, tudo é sonho de mudança… mas é uma força volátil…passa depressa. Os jovens que enfileiravam Sócrates na Grécia Antiga acabaram por apoiar a …tirania. Ora, os que existem com 18 a 24 neste momento compreenderam MELHOR que os pais o saldo deste país, e querem realismo. Assim, ou votam na CDU ou no CDS, não querendo mais do mesmo.

  3. De acordo com a análise do comportamento errático do Bloco, Luís. A democracia portuguesa continua coxa: à direita, há uma política clara de alianças; à esquerda, continua a não haver política nenhuma. Porque dois partidos que representam hoje 18% dos eleitores abdicam de qualquer solução governativa.

    1. Ou não abdicam de principios, bons ou maus.
      Não se pode ser de esquerda, ser crítico de Sócrates, e considerar que o PS tem governado por principios de esquerda ou que está aberto a tal. A retórica de esquerda está lá quando convém, claro.

      Parece-me que o eleitorado do BE é convictamente de esquerda, e vota PS quando há o perigo de uma maioria absoluta de direita. Serão talvez social-democratas, no sentido europeu da corrente que estão, para os devidos efeitos, orfãos de partido.

      (Há correntes no BE que se poderiam considerar como tal, mas para mim um dos problemas do BE é ter muitas correntes fundamentalmennte antagónicas, dificilmente a vertente Social democrata se tornará dominante, pelo menos enquanto alguns “históricos” permanecerem. Isto visto de fora, que algumas destas pessoas nem sei quem são.)

      1. Certo. Mas a questão central é a seguinte: abdicando de qualquer negociação com o PS, logo à partida, BE e PCP abdicam também sempre de influenciar qualquer solução governativa. Partem do princípio de que, não tendo tudo, também não estão dispostos a transigir em nada. Como se qualquer coligação governativa não se alimentasse de cedências mútuas. Veja-se o primeiro governo Mitterrand, empossado faz agora 30 anos, com socialistas e comunistas…
        Permanecer eternamente à margem do sistema redunda nisto: PCP e BE jamais ultrapassam o patamar reservado aos partidos de protesto, cheios de razão contra a “direita”. Que, logicamente, é tanto mais “direita” quanto mais eles abdicam de levar alguma “esquerda” para o governo.

  4. Realmente, é difícil de explicar a nova estratégia do Bloco. Eu, que não me considero de esquerda, sempre senti uma surpreendente simpatia pelo Bloco e acreditei que poderia crescer e, mesmo, tornar o PCP obsoleto. Parecia uma esquerda mais moderna, mais adaptada à vida real.

    Mas, enfim, estou mesmo desiludida. E continua a não haver alternativa…

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