Equívocos de referência


Teresa Ribeiro,

Imagine-se a capa da Lux com títulos como: “Troika quer CGD fora das empresas cotadas” ou “PSD ultrapassa PS nas intenções voto”. A reacção de qualquer leitor seria, tenho a certeza, da mais absoluta estupefacção. Simplesmente porque este tipo de publicações não se desvia, e bem, do seu público alvo e sabe do que os seus leitores gostam.

Já da Imprensa não podemos dizer o mesmo. Se os tablóides, assumidos híbridos, nos falam tanto das fofocas de Hollywood como da morte de Bin Laden, não estranhamos. Mas se a Imprensa, dita de referência, reservar na primeira página espaço para títulos como “Biberão após um ano torna bebés gordos” e “Devíamos andar mais quatro mil passos por dia” é legítimo que nos interroguemos sobre a sua estratégia de vendas. É com estas chamadas de capa que querem vender jornais às pessoas que não compram tablóides, porque não gostam de lixo? Acreditam que com notícias sobre biberões vão conquistar aos poucos os consumidores da Maria? Fiquei a pensar nisto quando ontem li estes títulos no Diário de Notícias.

Um comentário em “Equívocos de referência”

  1. Ser um jornal de referência é apenas uma memória do passado. Há imenso tempo que o DN é um pasquim. E não reparou ainda nas duas ou três páginas de anúncios a cores que há lá pelo meio?

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