Fui mais vezes a Espanha em 2010 que nas quatro décadas anteriores. Fiquei a gostar muito daquela gente que come fritos, bebe cañas e fuma como se não houvesse amanhã. Acima de tudo, encantou-me trabalhar com espanhóis.
A quantidade de bulshit diminui consideravelmente mal se atravessa a fronteira. A conversa de merda, essa tradição portuguesa, nunca perturba as reuniões com nuestros hermanos. É um país que se revela a criar empresas, a fazer produtos e a obter resultados.
Pensei nisto hoje enquanto procurava notícias sobre as eleições regionais: Bambi perdeu em toda a linha. Ora, ao contrário da direita portuguesa nunca embirrei com Zapatero. Sei que o PSOE aprovou o casamento gay, como lhe competia, e que depois se dedicou a intervir nos costumes com algum exagero. Mas não consigo avaliar se corrompeu a economia, se tomou de assalto as estruturas intermédias do Estado, se manipulou a justiça ou se coarctou a liberdade de imprensa como fizeram os socialistas portugueses.
Uma coisa é certa: os espanhóis parecem acreditar que um mau Governo deve ser castigado nas urnas. É uma ideia exótica, difícil de exportar para o nosso lado da península. Nisto revelam concepções muito diferentes da eficácia política e do confronto democrático.
Que Portugal se arraste enquanto Espanha progride é apenas mais um sintoma da nossa escassa capacidade de regeneração.


Nós somos como a aldeia de Astérix, só que em relação a certas ideias e não ao exército romano: inexpugnáveis. Apesar do céu nos estar mesmo a cair em cima da cabeça.
Ah, uma coisa estranha sobre as eleições espanholas: Zapatero admitiu a derrota. Por amor de Deus, que amador!
É verdade. Não me parece que Bambi padeça da patologia vigarista do Bimbo que abandalhou tudo por cá; impossível detectar no PSOE a mesma luxúria pelo poder do PS.
Eu trabalharia em Madrid com muito prazer. A merda é aquela taxa de desemprego.
Tens razão, Luís. Os espanhóis vão “al grano”. Nós fazemos tudo “cum grano salis”. Uma nota adicional: os escândalos mais recentes de apropriação indevida da esfera pública vieram, sobretudo, de pessoas ligadas ao PP.
Isso não é um bom augúrio, mas enfim, há que remexer sempre.
imagino que o mesmo pudesse acontecer por cá…
Só precisamos de uma alternativa credivel.
Detalhes tramados…
miguel