O facto verdadeiramente novo do actual período eleitoral é a sucessão de tiros que José Sócrates e o aparelho socialista têm disparado contra os seus próprios pés. De facto, os últimos dias foram férteis em abalos de magnitude variável. Um primeiro sinal de descontrolo foi dado quando Sócrates repreendeu, de forma arrogante, o empresário Peter Villax. Depois, o debate com Passos Coelho veio demonstrar que o Primeiro-Ministro não é imbatível em duelos televisivos. E o certo é que esse não foi o único debate que Sócrates perdeu. Entretanto, o fim-de-semana prosseguiu na mesma toada. O fait-divers dos outdoors, mais do que ter importância por si mesmo, vale sobretudo como testemunho de desnorte (novidade) e incoerência de discurso (já tradicional) na caravana socialista. Mais grave foi o recurso a figurantes arregimentados na comunidade imigrante. Muitos deles, sem direito a voto, passaram a ser a imagem de um partido que não olha a meios para transmitir uma aparência de mobilização. Os sacos azuis do lanche, pousados no chão, constituem uma imagem que há-de perseguir José Sócrates sempre que este se auto-intitular campeão do estado social. Entretanto, Sócrates ainda teve tempo para invocar a doutrina social da igreja e para ameaçar os eleitores com o fantasma do regresso da educação da ditadura. Tudo sinais de uma fuga em frente própria de quem vê o tempo a fugir-lhe. E o Domingo não chegou ao fim sem mais um valente trambolhão. Questionado pelos jornalistas, Sócrates declarou que aceitaria Passos Coelho e Portas como seus ministros. Não faltarão fanáticos a defender que se trata de (mais) uma magistral jogada política de Sócrates. Em rigor, não é assim. Aceitar Passos como ministro implica uma contradição insuperável com o argumentário recente do PS. Das duas, uma. Ou Passos não é tão mau como Sócrates o pinta e tais argumentos são falsos, ou Passos é realmente mau e aceitá-lo no governo revela as intenções de um Sócrates capaz de tudo para se manter no poder. Em qualquer caso, o facto de não se declarar disponível para, na situação inversa, ser ministro de Passos Coelho certifica a arrogância de alguém que avalia as soluções tomando o seu interesse pessoal como único critério. Visto isto, a lenda do animal político não sobreviveu às primeiras situações em que foi realmente testada. Na verdade, o desempenho de Sócrates tem estado muito mais próximo do de um banal político. Preso numa teia de contradições e incompetência e incapaz de alterar um discurso estafado e repetitivo que, manifestamente, não está a funcionar.

Só discordo de… não, não discordo do que quer que seja. 😉
O desespero começa a ser evidente. Esperemos que isso se traduza nos resultados eleitorais.
De momento, vai traduzir-se em mais desespero…
São nos momentos mais difíceis que se conhecem os verdadeiros líderes. Daí Sócrates se ter revelado completamente inapto a gerir os destinos da nação num contexto adverso; e num país a necessitar de reformas. A sua prioridade sempre foi o seu umbigo (não é Luís?). E tem outra característica que não serve a quem quer ser lider: é forte contra o fracos e fraco contra o fortes (basta ver como responde a questões pertinentes que o incomodem).
Subscrevo, André Miguel.
Subscreve, claro… Mas não, decerto, o “São nos momentos…”. Porque “é” nestes momentos que se vê quem toca viola, não?
Quando o vejo chegar até tremo, Apau…
Um gajo já não pode dar um pontapé na gramática… 😉
Isto, Rui, tem sido e continuará a ser finalmente a clara epifania do que há de mais baixo, mais reles, mais torpe e indigno na vida pública. O descaramento do PS é infinito e não tem emenda.
Ainda têm o sex apeal do líder e pode haver algum truque de última hora ou qualquer rasteira que se decida fazer a Passos. Mas, mesmo assim, está toda a gente a olhar para os socialistas com asco e cansaço. Abraço.
Esta é a hora de todos os perigos, Rex. Um banal político não hesitará em lançar mão de todos os expedientes ao seu alcance para tentar inverter o destino. Apesar de tudo, confio. Abraço.
É isso, Rui. Um banal político, mesmo banal – como é o caso, é sempre um ser perigoso. Em desespero pode tornar-se muito perigoso!
É como ter à frente um frio criminoso profissional a apontar-me uma arma ou um tipo, mesmo que com cara de bom rapaz – o que também não é o caso – mas inexperiente, assustado e desesperado. É bem menos perigoso o primeiro!
Não tenho dúvidas, Eduardo.
PPPPPPPPPPPPPensem, a escrevatura vêm ai, antes eram negros agora são brancos. Viver com 480E pagar renda, luz, água e comida para poder viver. Esprimentem, depois dizem é preciso trabalhar mais ganhar menos. À trabalhar mas não pode fazer descontos, que é o que todas as empresas fazem se não vai para a rua. Isto os médias e os jornalitas não se preocupam. porque ganham mais 1500E assim sim pode viver e ter escravos. vejam a tvi chorudos salários aos seus colaboradores, para dizerem mais trabalho menos ordenado. Mas eles não vivem com 480E, mas os outros não interessa são escravos. PENSEM o que eles querem. podem até acabar com ministério do trabalho como já quiseram que as companhias de seguros agradecem, porque os senhores jornalistas tem dinheiro para pagar aos advogados, agora quem ganha 480E. ( proposta do Paulo portas). PENSEM PENSEM
AR
E se ganha 480 quem é o responsável? O Portas?