Neste país deveria ser
Patrícia Reis,
Completa hoje 90 anos. É uma das minhas “paixões”: de adolescente, de mulher, desenhadora de idade. Sempre foi um Homem bonito em todos os sentidos: como cidadão, como pensador, como “fazedor”. O fulgor da inteligência, a elegância da bondade, a simplicidade do génio. GONÇALO RIBEIRO TELLES, homem do mundo, defensor da Terra. (Texto de Helena Vasconcelos, fotografia de Bruno Simão)A Egoísta GANHA mais prémios (sim, no plural!). Na 24ª edição dos Papies, a Egoísta levou para casa o Grande Prémio na Categoria de Revistas com a edição Viagem, outra na edição Cartas e ainda menção honrosa com a Egoísta Traço. A Estoril Sol, proprietária da revista, e a equipa da 004, que faz a mesma publicação há quase 12 anos, estão FELIZES.
Os Prémios Papies são promovidos anualmente pela Revista do PAPEL (DP), uma publicação mensal da Pixelpower dedicada à comunicação gráfica.
Se não disser nada ninguém dirá nada. Posso ouvir o Caetano Veloso a cantar: alguma coisa acontece no meu coração… posso disfarçar e até esconder-me num ritual de consolo, pedir colo a quem mo dá, invisível, transparente, um pai fantasma que me leva nos dias. Se eu não disser nada ninguém dirá nada. E o recato, esse silêncio pelo qual anseio, é o melhor. O que me apavora é o amanhã de manhã. É ter sobrevivido a isto. Mas faço a vida de actriz. Porque não? Sou o avesso de tudo o que mostro hoje mas nada direi.
Alguém viu os Globos de Ouro? Eu confesso já que não vi, por isso este post é altamente suspeito, ok? Pronto. Feito o mea culpa, fui informada que o prémio de carreira foi atribuído a Francisco Pinto Balsemão, no palco, surpreendido, mas preparado de discurso, depois de um filme com fotografias do senhor em pequeno e, cereja no topo do bolo, os filhos a dar o prémio ao dono da estação.
Dizem-me, ainda, que a Bárbara Guimarães não foi simpática com Luís Miguel Cintra e que os vencedores foram todos meninos ou meninas com ligação à SIC. Salvaram-se as meninas das unhas, Rueff e Bola, sempre geniais. O texto da gala era de quem? Não me sabem dizer, mas é a sexta pessoa que me pergunta: tu viste aquela coisa ontem à noite? Quem é que escreve aquilo? E viste o Luís Miguel Cintra ao lado José Castelo Branco? Não vi nada e ainda bem.
Cada vez estou mais convencida de que o melhor do mundo são os livros.
O meu tio tentou explicar-me há muito tempo. Nós crescemos e as coisas que temos por certas vão desaparecendo, mesmo que sejam apenas bandas de música que fazem parte do nosso cenário musical por uma razão ou outra. Durante muito tempo não quis entender. Mais uma morte este mês e não sei se me aguento. Estou zangada com Deus. E eu nem sou pessoa de me zangar. Neste caso, o cancro levou a melhor e a palavra cancro parece-me, cada vez, uma sentença, uma fragilidade nossa. Vamos à Lua, mas não conseguimos dar cabo disto.
Espero que tenham um bom coiso, eu por acaso até tenho um coiso, ou espécie de coiso, que terei de fazer, mas cada um tem o que merece e, sendo sábado, os coisos não descansam. Pobre país cheio de coisos? Qual quê, é um coiso como outro qualquer, garantem-me. Seja. Cada um é como cada qual e o coiso nacional é aquilo que os outros não são.
Não, sou do Belenenses:) O Micas é uma colecção infanto-juvenil que começou por ser uma prenda para o meu filho mais novo. Depois comecei a escrever sobre o Museu da Presidência, Serralves, a Fundação Oriente, o Oceanário, a Casa dos Patudos e a Primeira República e, por fim, cheguei a este livro sobre o Benfica que, na verdade, é um sonho que nos leva à década de 60 do século XX e que faz uma homenagem a Eusébio e ao Bom Gigante. O Micas ficou contente. Não é um livro com tendências clubísticas, assim como os outros não são só sobre os museus ou instituições, são mistérios divertidos. O próximo será sobre o senhor Pessoa e depois vamos para férias. Já é tempo.
Passos Coelho decidiu ir, com um séquito desnecessário, ao último dia de feira do livro de Lisboa.
Além dos manifestantes que o assobiaram e apelidaram de ladrão, dos polícias com cara de mau, não lhe vi um livro na mão.
António Lobo Antunes demorou-se a sair da sua mesa para cumprimentar o senhor. Afinal, estava a trabalhar, a receber os seus leitores. Foi uma sorte, com tantas televisões e outros órgãos de comunicação social por perto, não ter dito nada de bombástico. No fim, já longe da confusão, ouvi um autor dizer: Já está em campanha. E outro: Boa sorte. E um outro: Bem precisa.
Ao almoço, uma mulher pontificou sobre sexo. Ao jantar, um homem, numa situação diferente, mais formal, terminou a fazer o mesmo. Separa-os qualquer coisa como 15 ou 20 anos, não sei ao certo. Para a mulher, o sexo é uma necessidade, precisa de quem lhe toque. Para o homem, a poligamia é o que faz mais sentido. Tudo explicado com muitos pormenores, o número de amantes, as fantasias, as frustrações. As pessoas não falam abertamente sobre a sua sexualidade. A maioria tem receio ou pudor. Aqueles dois são, decerto, mais felizez. Ou talvez não.
O homem que teve de despedir cinco pessoas passou sete dias ao telefone. O objectivo era arranjar emprego aos seus ex-empregados. Conseguiu quatro entrevistas. Informou quatro dos empregados. Um respondeu que não estava disponível para ir a entrevistas por ter férias marcadas. O homem continua a ansiolíticos.
As coisas pequenas são aquelas que importam, garantem-me pessoas mais espertas do que eu.
As coisas pequenas podem ser gestos ou palavras.
Em momentos de crise como este, para quem tem uma pequena empresa, uma coisa pequena passa a ser um gigante.
A responsabilidade face aos empregados e ao Estado é já do nível da ficção científica.
As decisões que se tomam são incompreendidas ou nem por isso, mas sabem sempre mal, a injustiça, a desilusão.
Ao fim de 25 anos de trabalho posso concluir que, apesar dos avessos da vida, tenho tido sorte nas pessoas que encontrei e encontro e até nas coisas pequenas. Quando estas se tornam gigantes eu tenho tendência a minguar. Foi o caso nas últimas duas semanas. Deixei de ter um metro e 64, para ter uns meros 50 cm. Depois aconteceram outras coisas, muitas coisas mais fortes, duras, profundas, coisas de uma vida, e comecei a voltar ao meu tamanho normal. Por isto tudo, aqui estou de volta ao Delito.
Não tenho por hábito comentar a vida política, como já devem saber, e tão pouco quero escrever sobre a vidinha (como diria Alexandre O’Neil “nunca contes a vidinha”), no entanto não me resta outra solução. Qualquer coisa que me possa ocorrer de momento está ligada à crise, ao desemprego, à falta de dinheiro para pagar subsídios, aos amigos que optam por ir viver para fora, aos filhos que querem saber do futuro, aos amigos que estão pendurados apesar de serem excelentes profissionais. Diria, para simplificar, que não estando zangada, estou frustrada e, como não me apetece mudar de país, tenho de arranjar alguma coisa para fazer. Refilar não está no meu feitio. Ir para a rua manifestar-me tão pouco, portanto optei por escrever cartas e emails a todos os responsáveis, eleitos ou nem por isso, que existem por aí e que afectam a minha vida e a dos meus. Não terei respostas, dirão. Se tiver alguma darei conta. Enquanto há vida, há esperança.