as coisas pequenas


Patrícia Reis,

As coisas pequenas são aquelas que importam, garantem-me pessoas mais espertas do que eu.

As coisas pequenas podem ser gestos ou palavras.

Em momentos de crise como este, para quem tem uma pequena empresa, uma coisa pequena passa a ser um gigante.

A responsabilidade face aos empregados e ao Estado é já do nível da ficção científica.

As decisões que se tomam são incompreendidas ou nem por isso, mas sabem sempre mal, a injustiça, a desilusão.

Ao fim de 25 anos de trabalho posso concluir que, apesar dos avessos da vida, tenho tido sorte nas pessoas que encontrei e encontro e até nas coisas pequenas. Quando estas se tornam gigantes eu tenho tendência a minguar. Foi o caso nas últimas duas semanas. Deixei de ter um metro e 64, para ter uns meros 50 cm. Depois aconteceram outras coisas, muitas coisas mais fortes, duras, profundas, coisas de uma vida, e comecei a voltar ao meu tamanho normal. Por isto tudo, aqui estou de volta ao Delito.

Não tenho por hábito comentar a vida política, como já devem saber, e tão pouco quero escrever sobre a vidinha (como diria Alexandre O’Neil “nunca contes a vidinha”), no entanto não me resta outra solução. Qualquer coisa que me possa ocorrer de momento está ligada à crise, ao desemprego, à falta de dinheiro para pagar subsídios, aos amigos que optam por ir viver para fora, aos filhos que querem saber do futuro, aos amigos que estão pendurados apesar de serem excelentes profissionais. Diria, para simplificar, que não estando zangada, estou frustrada e, como não me apetece mudar de país, tenho de arranjar alguma coisa para fazer. Refilar não está no meu feitio. Ir para a rua manifestar-me tão pouco, portanto optei por escrever cartas e emails a todos os responsáveis, eleitos ou nem por isso, que existem por aí e que afectam a minha vida e a dos meus. Não terei respostas, dirão. Se tiver alguma darei conta. Enquanto há vida, há esperança.

9 comentários em “as coisas pequenas”

  1. Pois eh, Patricia, “esta gente que nos governa não sabe o que eh assinar uma livrança” citação “de ouvido” de Medina Carreira.

    Esta frase tem mais importancia do que parece.
    Se quem governa, se quem obtém cargos na Adm.Publica, nos partidos, nos sindicatos e nas redações de jornais soubesse o que eh “assinar uma livrança”, ou ter de pagar impostos mesmo quando se perde dinheiro, e se for preciso ter de pagá-los pra não ver a casa própria vendida em hasta pública, Portugal seria um país diferente pra melhor.
    Protegeria aqueles que arriscam, sobretudo quando perdem, ateh pra que pudessem arriscar outra vez.
    Mas como não eh assim, perdemos quase todos em beneficio do um neo-feudalismo (e dos seus suseranos) vulgarmente conhecido por “socialismo”.

  2. Egoisticamente satisfeito por a “ter” de volta.
    Quanto à substância do texto , permita-me adaptar Sólon : O maior mal é ter nascido…no “torrãozinho de açúcar”.

  3. Efeitos da crise grega, seguramente : Sólon em vez de Sófocles.
    O “show off” dá nisto…
    As minhas envergonhadas desculpas.

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