Onde a poesia podia salvar


Patrícia Reis,

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Desde a adolescência que conhece esse poder da música, de algumas canções serem nossas sem sabermos como nasceram, de quem nasceram. Os códigos escondidos do amor também se fazem valer de suportes a que não podemos chamar nossos. Ela começou a publicar poemas. Todos os dias, pelo meio-dia, vai ao facebook e publica os poetas de que gosta, os que aprendeu a ler. Homens e mulheres que, num desvario qualquer, conseguem colocar nas palavras as emoções que Carmen acredita serem só dela. O sofrimento é só seu.

Crónica no DN


Patrícia Reis,

A avó de Schäuble sabia muito sobre os gregos

por ANA SOUSA DIAS

 

“A minha avó costumava dizer: a benevolência vem antes da devassidão.” Isto disse Wolfgang Schäuble e, vinda de quem vinha, a frase tinha tudo para me irritar. A bondade como primeiro passo para a bandalheira, ora aí está o que as minhas avós não me transmitiram e eu nunca ensinarei aos meus netos. Não é que as minhas avós fossem de complacências, nada disso. Ambas foram grandes disciplinadoras, ambas justas, uma católica, a outra mais interessada na leitura do que no Além. Mas confundir benevolência com devassidão, ui, nunca.

Vamos aos clássicos, já que falamos de frases do tempo das avós. Estar morto é o contrário de estar vivo, disse um dia Lili Caneças. Ser bom é o contrário de ser mau, digo eu à boleia do raciocínio. Os rebuçados de mentol que as minhas avós me deram ou o fechar os olhos às tropelias infantis não me levaram ao mundo do crime. Estou mesmo convencida de que a avó Filipa percebia de ginjeira que a casa se esvaziava mal se aproximavam as seis da tarde e o terço da Rádio Renascença, que ela tanto queria partilhar connosco. Não nos ralhava por preferirmos ir para a rua brincar. Fingia que não percebia. Era benevolente.

Schäuble conta que lá em casa eram três irmãos e, quando lutavam, o pai dizia-lhes que o mais forte devia recuar. Isto para dizer que aplicou esse princípio nas negociações com a Grécia. Vejam bem o que está implícito e explícito nesta conversa. Primeiro, “o mais forte”, leia-se, a Alemanha, leia-se, ele próprio. Segundo, “recuou”, quer dizer, foi ele quem recuou naquela longa noite e não o grego que voltou para casa com um saco de exigências em tudo opostas ao mandato que levava.

Destas coisas de lutas infantis tenho o dobro da experiência do ministro alemão. Lá em casa éramos seis irmãos e o mais forte não era sempre o mesmo. Entre derrotas, vitórias e nem uma coisa nem outra, aprendi muito e serviu-me para a vida. Recuava-se e avançava-se conforme as circunstâncias, a presença das diferentes autoridades, o sistema interno de alianças, a capacidade de persuasão e até as malfadadas botas para o pé chato, armas poderosas nos pés dos mais pequenos. Não saberemos nunca qual de nós foi o mais forte, nem isso interessa para nada.

No livro As Benevolentes (2006), Jonathan Littell faz e desfaz os circuitos sinuosos do poder militar na Alemanha de Hitler, numa extensa narração seca e de cortar a respiração. É uma autópsia do mal destituída de emoções. O autor foi buscar o título aos gregos, os antigos: deusas impiedosas e vingativas a quem chamavam Benevolentes por puro medo de dizer o verdadeiro nome. Ah, talvez seja isso. A avó de Schäuble era perita em mitos gregos.

Onde as canções são recados dos outros


Patrícia Reis,

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O barulho da porta foi apenas o ponto final, mas teimava em repetir-se, sempre o mesmo, um som que era a sua derrota.

Estiveram meses sem se cruzarem. Ela não o contactou. Ele não quis saber. Nenhuma mensagem escrita no telemóvel a anunciar má consciência. Durante dois meses, ele não escreveu nada no facebook. Manteve no mural um vídeo sem história de uma banda desaparecida. America. Não tem a certeza, a versão era qualquer coisa como I’ve been in desert with a horse with no name. Carmen ouviu várias vezes a canção para perceber. Às vezes, certas canções são mensagens. Ela sempre o soube.

Fictiongram primeiros capítulos


Patrícia Reis,

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onde se explica o começo desta história

 

Eu não sou o teu nome

Casámos há seis anos. Todos os dias penso em ti.
Carmen ouve-se e, na devolução do silêncio, sente que se perde como uma criança que larga a mão quente da mãe. Ainda pensa que pode o dia ser interrompido por outro som; aguarda. Ruídos da casa de banho, passos no andar de cima; fecha os olhos e deixa-se imaginar o barulho infernal da cidade condensado numa tortura que é só sua. Apenas sua.

Carmen.

Não pode perceber como o seu rosto chegou até ali. Por princípio evita os espelhos. Hoje não é um dia como os outros, qualquer outro dia em que consegue, apesar de tudo, consegue esquecer a solidão, a tristeza dos olhos… Como era que tu dizias?

Olhos de caramelo.

 

Onde a mulher é um desenho animado

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Sim. Olhos de caramelo.

Ao espelho, Carmen já não vê o caramelo, o dourado, a íris num rasgo de. Qualquer coisa. Não. Só vê o fundo escuro do castanho mais negro, cada vez mais negro. Tem tendência a repetir tudo várias vezes, é uma ajuda, para entender as palavras, para as ouvir. Fala alto. Baixinho, mas em voz alta. Para si. Por vezes, fala para os outros e parece que não a conseguem ouvir. Sente-se como um boneco animado, desesperada, incompreendida. Um boneco triste, de fazer rir de tão triste.

 

Onde o som rasga a pele

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Carmen fica ao espelho e, imprudente, acende um cigarro que não fuma. Ela diz que não fuma. Vê o fumo, pequeno, um rasgo apenas, quebrar a sua imagem. Não se reconhece. Passa a mão esquerda por água, com a direita segura o cigarro. Fica assim algum tempo. Ouve o gato. Atravessou o corredor. Depois de ficar sozinha começou a temer o bicho. O silêncio dele. Comprou-lhe uma coleira com um guizo. Considerou várias vezes se o barulho não o irritaria, se não o levaria à loucura. Um som metálico, um tilintar que podia ser de fada ou de duende. De bailarina exótica. O gato salta para o parapeito da banheira. Com a pata procura água junto à boca da torneira. Carmen observa-o, sente o fogo das cinzas a arder perto da pele, o cigarro que termina.

 

onde o útero materno não chega

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Decide que importa regressar. São oito e quinze da manhã. No andar de cima, os vizinhos falam alto. Não é habitual. Tenta não antever uma discussão. Não quer ter vizinhos que discutem às oito da manhã. Lá fora chove e esse atirar, essa agressão, é-lhe suficiente. Consegue antecipar os movimentos rápidos para evitar a chuva, a inutilidade de tudo, o corpo a ficar encharcado, apesar da gabardine, das botas. Andar depressa assusta-a, mas tudo a assusta de momento, já sabe. Corre para a boca do metro e imagina-se a entrar numa cápsula, num útero materno. Afasta a ideia.

 

onde a memória nos mente

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Há seis meses, talvez ainda te recordes, trocávamos ideias sobre crianças. Uma gravidez. Uma adopção. Seis meses. Não é nada, é muito. É um pesadelo.

Carmen vê os minutos que faltam para o metropolitano chegar. Sabe que precisa de contar sete paragens e obriga-se a não ver nada, a não olhar para um rosto que a possa surpreender. Importa não se distrair. Primeira estação, segunda estação…

onde o silêncio se fez de gritos


Patrícia Reis,

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Carmen não gritou, nem chorou. Lembra-se de ter inclinado a cabeça para a esquerda, como alguém que quer ouvir o coração e ouviu-o, com clareza, um cristal que se encolheu. Por fim, fez um gesto com a mão, um movimento apenas, o suor escorria pelo cabelo já, passou a mão na testa e, por fim, fechou os olhos. Deixou-se ficar ali até que sentiu que ele tinha recuado até à porta, os passos dele, o corpo a mexer, a mão que pegava no saco, a porta a fechar. Ela deixou-se ir até ao fim do mundo no chão da cozinha e então gritou.

a vida com os adolescentes


Patrícia Reis,

Frase do dia: “Eu é que sou teu filho a sério, não é ela!”, ou seja, Micas e Madalena a tentar perceber, há uma hora, quem é que tem razão e quando eu desempato é nisto que dá!  Micas e Madalena, vocês são o meu orgulho, mas, francamente, estão ligados à corrente.

“Ó mãe, dás razão à Madalena porquê?”

Resposta: “Porque ela é minha filha durante uma semana!”

Micas reclama, virado para a Madalena: “Admite que eu tenho razão, admite”.

E ela? “Não.”

Para fazer as pazes, o Micas pergunta a coisa do Forrest Gump:

“Mãe, achas que a vida é como uma caixa de chocolates?”

Dizemos a frase do filme em coro e pronto, acho que vão ver a Brave e falam em surdina:

“Vais parar com essa merda? acabou a brincadeira, se faz favor, sempre a insinuar, tens noção de que me imitas bué mal, não, por acaso imito bem, capto toda a tua essência, vai bugiar, chega para lá…”

Amanhã eles continuam o drama class, dentro e fora da escola, e eu estarei agarrada a mais um livro novo da Carolina. Life is like a box of chocolates, you never know what you are going to get.

 

P.S.: O Micas diz, depois de uns minutos de silêncio:

“Olá pessoa sem razão!”

Manuel António Pina


Patrícia Reis,

Amor como em Casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

in Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo.

Onde o medo passou a enjoo


Patrícia Reis,

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Recuou. Ouviu em silêncio – ela que não sabe escutar, quantas vezes lho disse? – sem desviar o olhar, sentindo que o coração podia desfalecer a qualquer segundo, de tanto bater, sincopado contra a sua pele. Sentiu o cheiro do desgosto, o suor a descer junto ao peito, a crescer nas axilas. Teve um ligeiro enjoo, uma tontura. O cheiro que se apoderava do seu corpo era violento, era a morte que chegava. Carmen pensou nisso assim. Não teve a capacidade de dizer nada. Ouviu:

“Ninguém merece viver assim, sabes? Ninguém.”

Onde os defeitos dela são como um menu de um restaurante


Patrícia Reis,

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Ainda o vê, o corpo dele a baloiçar, hesitante, à espera do ruído da voz dela, da avalanche das lágrimas reveladoras da intensidade de tudo. Ele a acusá-la de ser, todos os dias, demasiado. Carmen, ela. Demasiado tudo, dramática, obsessiva, estranha, compulsiva, nervosa, frenética. E o corpo dele, na despedida, mostrava como a temia, o embate que sabia ser capaz, a guerra que só ela podia provocar. Foi aquele gesto do corpo dele, um baloiçar no pé esquerdo, as mãos a esfregarem as calças, nervosas, suadas, brancas, esguias, despidas das mãos delas, o olhar cansado e as palavras esgotadas. Tudo isso a travou. Carmen não seria capaz de se transformar num furação. O medo dele fez-lhe medo.

onde o dia 17 se repete


Patrícia Reis,

 

O mesmo que lhe disse que não lhe podia oferecer um futuro. Como se o futuro viesse numa caixa. Com laço e fita, embrulhado num papel de seda. Carmen ouviu-o com a maior tranquilidade. O coração numa guerra nunca vivida. E ela, calada, a olhá-lo, fixamente, sem esperar mais do que a dor de saber que o saco e a mala eram o abandono. Seis anos. Passaram-se seis anos. Di-lo para dentro, como uma lengalenga infantil que se permite a cada dia dezassete, o dia em que ele se foi embora.

Nuno Júdice


Patrícia Reis,

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma, mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais – um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tato. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-te de ti, agora que
os dias que correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refração de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim – e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.

in Poesia Reunida, Dom Quixote

onde o desgosto é uma palavra


Patrícia Reis,

De todas as memórias que tem, Carmen aprendeu a desconfiar da veracidade dos pormenores. A sua cabeça mente-lhe, ela deixa que o faça. Tem noção de que pode aligeirar, embelezar ou o contrário. A memória deixou de ser fiável depois do esgotamento. Faz humor. Não se trata de um esgotamento, mas de um desgostamento, uma palavra que tem origem no desgosto. Aponta a nova palavra. Para não se esquecer. Consegue esquecer-se de quase tudo. Talvez o mais difícil seja esquecer o homem que, sendo seu, é agora de outra.

Manuel António Pina


Patrícia Reis,

 

Café do molhe

Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de León que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
esta tarde parada, por exemplo.

(1943-2012)

onde a cara fica cheia de sangue que não se vê


Patrícia Reis,

 

Sexta estação. Não se pode distrair. Afasta o olhar da mulher, de si, no vidro, encara a ponta das botas e percebe que as calças estão sujas. É a chuva. A chuva como uma zanga do céu que a alcança, aquela força desmesurada, um soco pode atingir a cara. Carmen passa a mão no rosto. Fecha os olhos. Ainda sabes quem eu sou?

onde a mulher saber que não é como as outras


Patrícia Reis,

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Não sabe se é uma mulher como as outras. Se fosse, talvez… e talvez não. Carmen sabe o que os outros pensam dela e o que ela pensa dela é igualmente mau. Mantém os gestos diários para não dizer que não vive. Ontem discutia a construção de uma família. Hoje, ao ver a mulher à sua frente com a criança ao colo, inveja-lhe o peito generoso, as tranças metidas na cabeça, miúdas, a pele luzidia, as unhas cuidadas que afagam o menino num sossego de chucha. Ela podia ser uma mulher assim. O corpo disforme, a generosidade do peito, a criança acabada de fazer uma birra.

Herberto Hélder


Patrícia Reis,

 

O DESEJO
(Canção)

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

 

Esta é uma versão dum poema da Grécia arcaica, originário de Epiro

onde o planeta desconhece o conceito de paz


Patrícia Reis,

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Em seis meses o mundo berrou a cada dois segundos. Mulheres violadas. Crianças a morrer de fome. Mais um conflito armado. Dos 207 países do mundo, crê que são tantos, Carmen suspeita que nenhum conheça o significado da palavra paz. Apenas em oposição à guerra. Estes pensamentos descansam-na. Quarta estação, quinta estação… Mas não são seis meses, são seis anos. O seu reflexo no vidro comprova o tempo. Deixou o cabelo crescer sem compromissos. Consegue ver, no vidro, consegue ver os brancos na raiz, mesmo ao centro da cabeça. Carmen sabe que era uma mulher bonita. Agora é uma espécie de mulher que em tempos foi bonita.  É ela quem se diz “espécie” para ajudar numa classificação impossível.

Píndaro (558-448 a.C.)


Patrícia Reis,

 

                                     O SONHO DE UMA SOMBRA

                        

                                     A sorte dos mortais

                                     Cresce num só momento;

                                     e um só momento basta

                                     Para lançar por terra,

                                     Quando o cruel destino

                                     a venha sacudir.

 

                                   Efémeros! Que somos?

                                   Que não somos? O homem

                                   É o sonho de uma sombra.

                                   Mas quando os deuses lançam 

                                   Sobe ele a sua luz,

                                   Claro esplendor o envolve

                                   E doce é então a vida.