Ainda vale a pena votar? (2)


jorgeassuncao,

Mas alguma vez valeu? Quantos casos existem de votações no parlamento em que os deputados vão contra a posição do partido? Há quanto tempo o objectivo de quem lá está não é representar o povo que o elege, mas o partido a que pertence, na necessidade imperiosa de agradar à cúpula que detém o poder de elaborar a lista que garante novo acesso ao cargo?

E isto é mortífero para a democracia portuguesa, porque os deputados são reduzidos a marionetas aos olhos do eleitor comum e o pensamento político existente fica limitado às posições oficiais dos partidos.

Marionetas por marionetas, sejam os 244 deputados anteriores ou os actuais, o problema essencial mantém-se.

Sentido de humor


jorgeassuncao,

Sarah Silverman e o cão Doug – The Sarah Silverman Program

 

Foi em Janeiro de 2007 que Christopher Hitchens escreveu na Vanity Fair um artigo intitulado why women aren’t funny. A resposta, na mesma revista, chegou em Abril de 2008 pela Alessandra Stanley no artigo who says women aren’t funny?. Mais recentemente, nas páginas do Guardian, Germaine Greer apresentou a sua visão do porquê das mulheres serem percepcionadas como tendo menos graça que os homens. Ora, o fenómeno (a existir) poderá ter explicação complexa (existem estudos cientificos que atribuem à testosterona a explicação para tal), mas o facto de nos inquéritos as mulheres valorizarem mais o sentido de humor do sexo oposto do que os homens o fazem em relação às mulheres, será um bom ponto de partida para perceber o mesmo. Entretanto, independentemente da veracidade da tese, aproveito para dizer que foi com as mulheres que mais me diverti o ano passado. As responsáveis? A senhora da foto e a Sarah Palin Tina Fey.

Sobre mim


jorgeassuncao,

Desafiado pelo Pedro e a Teresa, ora aqui vão seis algumas particularidades minhas:

  • De todas as cidades que conheço, Nova Iorque é a que mais gosto e, blasfémia, não gostei de Paris. Lisboa não deixa de ser uma segunda casa a que retorno sempre com gosto e no Algarve sinto-me em casa em qualquer local.
  • Marco Pantani no ciclismo, Ayrton Senna no automobilismo e Pete Sampras no ténis foram as figuras que me fizeram apaixonar pelas modalidades em causa. Lance Armstrong, Michael Schumacher e Roger Federer foram desportistas que me conquistaram após resistência natural por estarem a ocupar um lugar que antes pertencia como que ao primeiro amor. No golfe estou em fase de namoro e a culpa é do Tiger Woods. De futebol gosto muito e cada vez mais à medida que a paixão pelo Benfica desvanece.
  • Se me obrigassem a optar por um dos escritores clássicos, seria uma decisão dificil entre Dostoiévski e Kafka, mas era por este último que muito provavelmente optava. Ao contrário de boa parte dos britânicos, eu efectivamente li o 1984 de George Orwell e esse é um dos livros da minha vida. Ficando pelos contemporâneos, Roth está no topo das minhas preferências.
  • Não gosto particularmente de música portuguesa, sou um fã confesso dos Beatles e há quem diga que o meu gosto pela música da Norah Jones é um tanto ou quanto exagerado (ao vivo, tive a felicidade de assistir ao Paul McCartney no Rock in Rio e à Norah Jones no Coliseu dos Recreios, ambos em 2004).
  • O primeiro filme que assisti no cinema foi O Parque Jurássico e o último foi o Watchmen. Tenho todos os filmes que vi, no cinema e fora dele, pontuados no IMDB, num total a rondar o milhar. De todos esses, as minhas pontuações que mais se distanciam da média dos restantes utilizadores do site foram para O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e As Virgens Suicidas. Um deles está sobrevalorizado, o outro subvalorizado – mais não digo.

Norte e Sul


jorgeassuncao,

No plano de resposta à crise existem duas visões muito distintas na União Europeia sobre o que deve ser a intervenção dos Estados nestes tempos dificeis. Por um lado os países do sul, liderados por uma França que vê no aumento brutal da despesa e no investimento público a resposta aos problemas que nos afligem, por outro lado os países do norte, liderados por uma Alemanha que se revê nas contas públicas controladas e questiona o que será de uma Europa super endividada em caso de crise prolongada.

Este artigo do International Herald Tribune explica na perfeição a batalha que ocorre nos corredores do poder europeu no momento actual. Portugal, para não variar, faz parte do grupo de países que, segundo o artigo, "apoiariam regras menos apertadas por parte da UE para acomodar as suas elevadas dívidas públicas ao invés de adoptarem reformas estruturais que seriam inaceitáveis aos olhos da opinião pública durante estes tempos de rápido desaceleramento da actividade económica".

É certo que reformas estruturais neste período podem parecer impossíveis de levar a cabo, mas não é menos verdade que se já não as implementamos foi por irresponsabilidade dos actuais politicos que nos governam. Nada que se afigure como novidade na política nacional: na década de oitenta do século passado os políticos só conseguiram agir quando estavam a coberto das exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Bloomberg dá conta que a União Europeia está pronta para sair em socorro de qualquer país da zona euro em dificuldades antes destes terem de recorrer ao FMI. Reparem nos quatro países referenciados, são sempre os mesmos em quase todos os artigos sobre o assunto: Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda. Porque será?

A verdade é que se os políticos se afiguram uns incapazes e o povo não o percebe de outra forma, a intervenção externa no caso português poderá mesmo ser uma alternativa a que teremos de recorrer. A fuga em frente, de que este governo é perito, não é solução, mas tão só o adiar do problema. E quando o problema não pode ser adiado…

Vantagens


jorgeassuncao,

De um ensino superior maioritariamente público como o português face ao sistema norte-americano que promove o elitismo social com o elevado peso de instituições superiores privadas como as que compõem a Ivy League: Universidade de Lisboa: alunos com mais recursos são maioria nos cursos com médias mais altas. Para quando o fim do ensino superior público subsidiado para tudo e para todos, com a distorção de mercado que tal garante, para um ensino superior onde só os que realmente necessitam são ajudados?

No contexto


jorgeassuncao,

Ao cuidado do Vital Moreira e do Hugo Mendes: o relatório do desemprego do eurostat de Março de 2005 (para comparar com o de Janeiro de 2009 a que fazem referência). Com isto talvez possam verificar que desde o momento em que o querido líder passou a ocupar a cadeira do poder, a posição de Portugal em matéria de desemprego no contexto europeu piorou. De resto, no que parece ser a opinião de ambos, folgo em saber que a culpa da taxa de desemprego não é do governo. É coisa com a qual, dentro de certas condições, estou disposto a concordar (embora algo me diga que os dois teriam leitura diferente caso a situação fosse a inversa). Entretanto, ando a rever textos de ficção datados de Janeiro de 2005: Sócrates promete um país com mais empregos e menos pobres e Sócrates promete crescimento de 3 % e quer recuperar 150 mil empregos.

Bitola de sucesso ou insucesso


jorgeassuncao,

«Crescer mais ou menos do que a Europa é a bitola de sucesso ou insucesso. O crescimento económico acima da média europeia é uma questão essencial que sempre caracterizou em todos os governos a boa ou a má governação económica»

Rendimento médio mais longe da média europeia desde que Sócrates tomou posse. À luz da frase em causa como avaliar a governação económica do actual executivo?

 

Adenda: quem é o autor da frase?

Sobrevalorizado


jorgeassuncao,

Este ano seremos convidados a ir votar em três ocasiões, para as europeias, as legislativas e as autárquicas. Como o histórico sugere, o valor da abstenção será relativamente elevado em qualquer uma delas. O certo é que em muitos casos a decisão de não votar aparenta ser a escolha certa do ponto de vista racional. Isto é tão mais verdade quanto mais o benefício do voto individual restringir-se à possibilidade de decidir o resultado das eleições. Dado isto, o estranho não é tanto a quantidade de eleitores que não votam, mas antes o que motiva quem vota?

Paraíso de golfe


jorgeassuncao,

 (por: scotxx)

 

This is not going to be easy — it’s something like the father with 4 beautiful daughters, who is asked, which is his favorite? It’s an impossible question to answer. The problem is quite the same on The Algarve — you have over 30 courses to choose from and there isn’t a mediocre one among them. In fact they are all very good and those that aren’t, are either excellent or simply, out of this world.

Por Sinal


jorgeassuncao,

Vital Moreira diz, a propósito da compra do apartamento de José Sócrates, que este "pagou o mesmo que todos os demais compradores da mesma altura, havendo somente um comprador (por sinal um emigrante) que pagou uma quantia assaz superior, numa aquisição dois anos antes." Por sinal um emigrante isento do imposto de sisa, diria eu. E mais, quem lê a noticia do Público percebe que não há só um comprador: "Além da excepção verificada na compra do emigrante, há um outro negócio realizado por valores idênticos: foi realizado em 2001, quando uma empresa também isenta de sisa comprou um apartamento semelhante e declarou, para efeitos fiscais, que a aquisição foi feita por 375 mil euros. Este imóvel tinha sido adquirido à Heron dois anos e meio antes por um particular que fizera a escritura por 220 mil euros." É o estranho caso do prédio onde apartamentos desvalorizam 50% em dois anos e valorizam 70% em dois anos e meio. É um negócio muito sujeito à volatilidade do mercado e nada à isenção do imposto de sisa. Marcelo Rebelo de Sousa refere-se ao primeiro ministro como "chico esperto", verdade seja dita que na altura o que não faltavam eram chicos espertos, aliás, ainda não faltam…