A Megan McArdle a desmontar a possibilidade da frase que o Carlos Barbosa de Oliveira cita mais abaixo ser de Karl Marx, interroga-se sobre quem inventa estas coisas e porquê. Eu coloco as mesmas questões, algum dos leitores quer tentar responder?
Visão de passado
jorgeassuncao,

É simples. Como o capitalismo desembocou nesta crise global que obriga o estado a nacionalizar (Marx à vista), então a populaça (leia-se classe média), recuperou o velho filósofo do socialismo (nacionalizações). Não se cuidem não, que ainda aparecem por aí uns sovietes (associações de cidadãos enfurecidos) que resolvem fazer aquilo que os antigos sovietes fizeram (com desmandos e nenhuma liberdade de critica), ou seja, tomar em mãos a gestão que os gestores encartados tão maltrataram originando crise que vivemos.
Sejamos benevolentes. Eu próprio, inadvertidamente, atribuiria a Carlos Marx o que Karl Barbosa de Oliveira atribuiu. Hehehe…
🙂
Benevolente, sempre. Mas tendo conhecimento que a citação era mais do que duvidosa, teria de dizer algo. É que a crise já serve como desculpa para muita coisa, mas para reabilitar Marx é que não…
Não fui eu,João! Dei a fonte como boa e até alguém me dizer quem foi, continuo a acreditar…
De qaulquer modo, vou fazer uma revelação. Por outras palavras, escrevi isto mesmo em 1993 na Tribuna de Macau, num artigo sobre mercados e desenvolvimento. Explicando melhor: não escrevi esta frase, mas tracei o cenário que na altura era previsível e veio a acontecer. O endividamento excessivo levaria a uma crise financeira, independentemente dos criminosos que gerem algumas instituições financeiras. Era tudo uma questão de tempo…
Carlos,
“Dei a fonte como boa e até alguém me dizer quem foi, continuo a acreditar…”
Mais importante do que saber quem foi, é saber que Marx não o foi (uma vista de olhos pela obra de Marx em causa tira qualquer dúvida a esse respeito). Mas de resto, a frase está-se a espalhar de forma viral. No google em português encontramos facilmente mais de 10 mil referências à mesma (e na versão em inglês ainda são mais).
De resto, e para que fique claro, não digo em lado algum que foi o Carlos que inventou o que quer que seja. Mas gostava sinceramente de saber quem é que espalha estas coisas no sentido de induzir outros em erro.
“Explicando melhor: não escrevi esta frase, mas tracei o cenário que na altura era previsível e veio a acontecer.”
Isso é outro assunto a discutir. Uma coisa é saber se o que é dito na frase é verdade ou era previsível, outra é discutir tal partindo do pressuposto que foi Marx quem o disse (com a carga simbólica que tal representa).
E a propósito de previsões, que tal esta de Robert Higgs:
“Sabemos algo – pelo menos de forma abstracta – sobre o futuro. Sabemos que outras grandes crises virão. Se ocasionadas por guerras externas, colapso económico, ou terrorismo, ninguém consegue adivinhar com certeza. Contudo, de uma forma ou de outra, grandes crises surgirão certamente… Quando tal acontecer, os governos irão certamente ganhar novos poderes sobre as actividades económicas e sociais… Para aqueles que amam a liberdade individual e uma sociedade livre, tal prospecto é profundamente desencorajador.”
Num livro de 1987: http://www.amazon.com/Crisis-Leviat han-Critical-Government-Institute/dp/019 505900X/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1228508744&sr=1-1
Jorge,
Parte das previsões de Robert Higgs, assentes em algo de vago que o próprio não define, já itnham sido equacionadas com base em questões ambientais em 1964 por Rachel Carson no livro ” A Primavera Silenciosa”.
Quanto à frase “pirata” devo esclarecer que nunca li o Capital, mas acho curiosa a preocupação ( não sua, entenda-se…) em rejeitar a hipótese de ter sido escrita por Marx. Não lhe atribuo demasiado peso ideológico, embora compreenda que a tentação será essa.
Não foi por acaso que, no final do post escrevi ” aguardo ansioso os vossos comentários”. Sabia que iria criar polemica e essa intenção confirmou-se, servindo- na minha modesta opinião-para animar a discussão que, creio, é o sal de um blog.
“Sabia que iria criar polemica e essa intenção confirmou-se, servindo- na minha modesta opinião-para animar a discussão que, creio, é o sal de um blog.”
Quanto a isso, sem dúvida. 😉
Jorge, nunca li o Marx no original, preferi ler ensaios que o abordavam, mas pareceu-me mesmo “incrível”… foi uma partida do Carlos? Também gostei de ler o texto da Megan a desmontá-lo. De qualquer modo, foi giro estar a exercitar a memória. Se foi uma partida, está bem apanhada e leva-nos a procurar estar mais atentos.
Ana,
“Se foi uma partida, está bem apanhada e leva-nos a procurar estar mais atentos.”
Confesso que com Marx fico sempre de pé atrás… 😉
Partida naõ foi propriamente, Ana. No entanto, parece que funcionou como tal e gerou reacções acaloradas , o que me parece saudável.
Carlos, é verdade! Por mim, gostei do desafio!
http://www.elpais.com/articulo/espana/Ma rx/dijo/elpepiesp/20090222elpepinac_19/T es
MARX NO LO DIJO ASÍ
“Leyendo una cita supuestamente extraída de El Capital, de Karl Marx.
Decía así: “Los propietarios del capital estimularán a la clase trabajadora para que compren más y más bienes, casas, tecnología cara, empujándoles a contraer deudas más y más caras hasta que la deuda se haga insoportable. La deuda impagada llevará a la bancarrota de los bancos, los cuales tendrán que ser nacionalizados”.“
Obrigado pelo link cara Odete.