Blogue da semana


jorgeassuncao,

Na blogosfera económica, nenhuma universidade está tão presente como a George Mason. Não é de admirar, uma vez que, quer a blogosfera, quer a George Mason, partilham parte do código genético: a abertura à comunidade exterior, a necessidade de estabelecer um circuito aberto para troca de ideias. O tempo ‘perdido’ pelos seus professores a comunicar com o exterior, mais do que compensou. Entre outras coisas, promoveu a ascensão da universidade nos rankings de reconhecimento e nas preferências dos alunos. Talvez a academia portuguesa pudesse aprender alguma coisa com o exemplo, mas duvido.

 

A originalidade na forma de comunicar e pensar a economia – marca da George Mason e que deu origem ao termo masonomics – pode ser encontrada naquela que é a minha escolha para blogue da semana: o Econlog. Neste, Arnold Kling, Bryan Caplan e David Henderson, abordam os fenómenos económicos com aquele toque de liberalismo tão ausente do panorama lusitano.

Deus Pinheiro


jorgeassuncao,

Um não caso transformado em grande caso pelos que querem correr com Ferreira Leite da liderança do PSD. Tem um valor simbólico negativo? Certamente. Mas, objectivamente, qual é a diferença entre ter lá Deus Pinheiro ou Pedro Rodrigues? Nenhuma. Votei em Bacelar Gouveia quando decidi votar PSD aqui no Algarve? Obviamente que não. Ficaria muito incomodado se Bacelar Gouveia renunciasse ao mandato? Não, ficaria até agradado.

 

Estabeleçam círculos uninominais, deixemos de ter (na sua maioria) ovelhas na Assembleia da República, e depois logo falamos sobre questões relativas aos deputados como se fossem um assunto político muito sério neste país.

Paulo Rangel


jorgeassuncao,

A sua ascensão política no PSD terá sido das poucas coisas boas que a liderança de Ferreira Leite deixa ao partido. Num partido com tantas derrotas eleitorais no passado recente, ter alguém que já demonstrou saber ganhar eleições é uma mais valia. O PSD, nestes tempos difíceis e recheados de mediocridade, não se pode dar ao luxo de manter Paulo Rangel ‘exilado’ em Bruxelas. Se me é permitida uma última nota de solidariedade para com Manuela Ferreira Leite, a confirmação do cenário aqui retratado seria do meu agrado.

Novo ciclo


jorgeassuncao,

Sócrates perdeu a maioria e deverá necessitar do apoio do PSD ou do CDS/PP para governar. O BE deverá ter muito menos influência na decisão das questões fundamentais para o país do que aquela que Luís Fazenda assumiu quando fez a primeira declaração da noite.

O caranguejo e a tartaruga


jorgeassuncao,

Afinal de contas, se um país tem crescido a uma taxa anual média de 10%, uma queda de 10% traduz-se num recuo de apenas um ano, já se um país tem crescido à taxa média de 1% ao ano, uma queda de 5% no PIB representa quase 5 anos de atraso. […] Assim, lembrei-me de calcular um outro indicador. Usando os dados disponíveis para o PIB real, vejo quando foi a primeira vez que cada país teve um PIB trimestral igual ou superior ao do último trimestre. Isto dá-nos uma medida de quantos anos recuou cada país.

 

E com isto o Luís Aguiar-Conraria calculou o Índice Caranguejo. Mais preocupante é que a recuperação portuguesa será feita a passo de tartaruga.

Da independência judicial


jorgeassuncao,

Na conclusão de um dos estudos existentes sobre o assunto, relativamente às decisões do Tribunal Constitucional: The power in the government, of the constitutional judge’s party, seems to play an important role in both a judge’s decision to vote for constitutionality, and in his or her vote according to party interests. Our interpretation is that, not only does party affiliation matter in terms of aligned preferences, but some opportunism takes place. That is, party politics is more important when the stakes are higher. Therefore, we conclude that party conformity takes place frequently due to judicial preferences (albeit, ideologically biased), and occasionally due to direct political pressure (not necessarily active pressure).

É bom descobrir


jorgeassuncao,

Que neste país ainda existe quem sofra consequências de casos menos claros e há alguém com coragem para tomar a decisão que se impõe nesse contexto. Lopes da Mota, por outro lado, teve mais sorte. Por falar em represálias, acho estranho o pouco relevo noticioso dado à situação do juiz Rui Teixeira.

Foram-se os subsídios, foram-se os ‘empregos verdes’


jorgeassuncao,

In 2008, Spain accounted for half the world’s new solar-power installations in terms of wattage, thanks to government subsidies to promote clean energy. But late last year, as the global economic crisis worsened, the government dramatically scaled back those subsidies and capped the amount of subsidized solar power that could be installed. Factories world-wide that had ramped up production of solar-power components found that demand for solar panels was plummeting, leaving a glut in supply and pushing prices down. Job cuts followed.

 

Recordo a minha opinião sobre o tema:

Não encontro nenhum optimismo nesta subida dos "empregos verdes". A explicação é simples: eles crescem porque os governos desviam recursos de outras actividades económicas para os subsídios às energias renováveis. Perante isso, não é de estranhar a criação de empregos no sector. Os empresários, lendo os sinais que são dados pelos governantes, encontram nessa área uma oportunidade de negócio. O problema está que o sector não é rentável por si: sem subsídio, dá prejuízo. Por outro lado, os subsídios têm origem nos impostos de outras áreas de negócios, certamente, rentáveis. Ao cobrar impostos a negócios rentáveis para subsidiar um negócio não rentável, o governo presta um péssimo serviço ao país. Isto porque o empresário do negócio rentável, a quem é cobrado o imposto, vê o seu negócio perder rentabilidade, o que por sua vez leva-o a investir menos na criação de postos de trabalho. O governo, com esta política, incentiva a criação de "empregos verdes" num negócio não rentável, ao mesmo tempo que desincentiva a criação de empregos noutras actividades de negócio que não precisam de subsídios para sobreviver. Quem pretende encontrar algum optimismo nisto, é livre de o fazer (publicado anteriormente aqui).

 

[Nota: Externalidades positivas? Sim, conheço o conceito. No caso em questão estão mais do que sobreavaliadas]

Swimming naked


jorgeassuncao,

“The ones that were swimming naked will be seen to have been swimming naked,” said Alex Allen, chief investment officer at London-based Eddington Capital Management Ltd., a fund of hedge funds, which manages about $155 million. He’s shunning the bonds of countries such as Spain, Greece and Portugal, partly because they will “have worse GDP figures and their spreads will widen back out.”

Periferia


jorgeassuncao,

La portavoz del PSOE en Extremadura, María Ascensión Murillo, reclamó hoy al Partido Social Demócrata (PSD) de Portugal "un poco de sensatez" respecto al AVE Madrid-Lisboa en tanto que "el discurso nacionalista y de aislamiento no va ningún lado", y porque dicha construcción es "muy importante" y "determinante" para que la Península Ibérica "salga de la periferia" y "se incorpore al proyecto europeo".

 

Confesso, é um orgulho assistir a tanta preocupação espanhola com o que nós fazemos ou deixamos de fazer. E deixa-me comovido a ideia que os espanhóis andam a defender os interesses portugueses, nomeadamente o da redução dos nossos custos de periferia. É que quando olho para o mapa da Península Ibérica, noto que Portugal está na ponta, os espanhóis podem, se acham que o TGV é solução para tal, diminuir os custos da sua periferia sem necessitar de qualquer ajudinha portuguesa.

Duas notas sobre a argumentação de Sócrates


jorgeassuncao,

1. José Sócrates não percebe a mudança de opinião de Manuela Ferreira Leite relativamente ao TGV entre 2003 e 2009. Eu explico:

 

 

2. José Sócrates acusou Ferreira Leite de oportunismo político pela posição desfavorável do PSD sobre as auto-estradas SCUT e a inexistência de qualquer proposta nesse sentido no programa minúsculo do PSD. Concordo com Sócrates, mas convém recordar que no seu programa de 2005, o PS dizia que as SCUT "deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as condições que justificaram a sua implementação, em nome da coesão nacional e territorial", mas em 2006 introduziu portagens em três auto-estradas SCUT do litoral norte. Oportunismo político? Claro, José Sócrates sabe do que fala.

Alberto João Jardim


jorgeassuncao,

Eu não diria que ir à Madeira é um crime, mas como alguém uma vez afirmou: "o PSD tem uma crise de credibilidade e uma parte desta crise deve-se ao facto de se ter permitido que alguns militantes enterrassem a imagem do partido a nível nacional, envolvendo-se em processos, em actividades ou tendo comportamentos que punham em causa a dignidade de homens políticos". Contudo, a coragem, ainda que moderada, que Marques Mendes revelou em 2005, faltou a Ferreira Leite em 2009. Não é a primeira vez que Ferreira Leite demonstra nada ter aprendido com Marques Mendes, a colocação de António Preto na lista de candidatos a deputados prova-o.

Sobre o tema, ler também este post do Carlos Abreu Amorim.

O dinheiro é do Estado, é do PSD II


jorgeassuncao,

Afinal, parece que a história não estava bem contada pelo jornalista Tolentino de Nóbrega. Apesar de tudo, como afirmava João Vasconcelos no blogue Activismo de Sofá, no início de 2008, Podemos sempre questionar a parcialidade das notícias de Tolentino Nóbrega. Questionar inclusive o facto de apenas as suas notícias de denúncia sobre as actividades de Jardim, do seu governo e do seu partido conseguirem amplo destaque num jornal nacional. De qualquer modo, o seu tipo de jornalismo de denúncia é muito importante em democracia. Embora com algum sensacionalismo, tende a ser um não desprezável mecanismo de controlo da acção governativa e dos seus responsáveis.