Oscar Pre-Party


jorgeassuncao,

"Li um artigo na Vogue sobre Kate Winslet, e eu gosto tanto dela, comecei a chorar, percebendo o quão fantástica ela é e o quanto ainda tenho de percorrer." Anne Hathaway

A menina da foto é das poucas coisas que podem tornar uma cerimónia que se espera previsível, interessante. Infelizmente, não tem os bastidores da indústria a trabalhar para a sua vitória, nem adivinhou que a Academia alguma vez tivesse em conta o seu desempenho brilhante em Rachel Getting Married (O Casamento de Rachel). Se o tivesse adivinhado, não teria certamente participado no medíocre Bride Wars (Noivas em Guerra), cuja estreia em Janeiro nos Estados Unidos, cortou todo e qualquer momentum que Anne Hathaway levava na corrida para a estatueta dourada.

Interesse próprio


jorgeassuncao,

"Os bancos devem agir no interesse de longo prazo dos accionistas e, portanto, da economia como um todo, não no interesse de curto prazo dos banqueiros. Essa deve ser a fundação sobre a qual se deve basear um novo sistema" diz Gordon Brown, o engraçado é que se substituirmos bancos por governos, accionistas por povo e banqueiros por politicos a frase assenta que nem uma luva ao actual sistema político. O que me preocupa neste momento não são os interesses dos banqueiros, mas muito mais os interesses de políticos com eleições para ganhar, tipo Gordon Brown ou José Sócrates…

Os críticos


jorgeassuncao,

No seguimento deste post do Pedro Correia, aproveito para deixar um apontamento sobre o tema. Em primeiro lugar para manifestar as minhas mais sérias dúvidas sobre a capacidade da maioria dos críticos de cinema afugentarem o público das salas de cinema e isto, tão só, porque a maior parte do público de cinema tem pouca consideração pela maioria dos críticos cá do burgo. Nesse aspecto os críticos são ineficazes. Mas não tenho dúvidas que o caso da Ípsilon do Público é o caso mais flagrante de má relação entre os críticos e os seus leitores.

Os críticos em sua defesa dizem que não faz sentido criticá-los só porque têm posição contrária à que é maioritária e nisso dou-lhes inteira razão, mas a questão está longe de ser só essa. Em primeiro lugar, em relação à opinião da maioria, e digo isto porque muitas vezes os assuntos misturam-se, importa distinguir o gosto maioritário do público por um filme do sucesso deste na bilheteira. O facto de Friday the 13th ter sido o mais visto no fim de semana passado nos Estados Unidos diz muito pouco sobre a opinião que os que o viram formaram dele. E não é menos verdade que alguns críticos misturam os assuntos porque sentem-se incomodados com o facto dos filmes que eles adoram, obras-primas na sua opinião, ficarem relegados a salas de cinema relativamente desertas. Nesse aspecto é notório em alguns a desilusão da sua opinião não ser maioritária. O que se compreende, se fosse maioritária, as obras-primas disponíveis seriam em maior número e em muitos casos poderiam passar a existir sem o recurso ao dinheiro dos contribuintes.

Mas, e este é um grande mas, ao contrário de outro tipo de opiniões individuais, a opinião sobre um filme é acima de tudo de gosto pessoal (há factores objectivos que podem entrar na análise, mas o subjectivo predomina). Nesse sentido, o que espero de um bom crítico é que transmita no seu texto o que o levou a apreciar, ou não, um filme. A maioria dos críticos portugueses, para além de serem maus a transmitir essa mensagem, fazem por parecer pertencer a uma escola de pensamento colectivo (o que só lhes diminui o valor individual da opinião).

Só por terrível coincidência é que a opinião individual dos críticos em Portugal entra tantas vezes em contradição com a opinião individual da maioria dos frequentadores de cinema. É como se a ascensão ao posto de crítico cá no burgo fosse feita à custa da separação de águas entre o gosto popular e o gosto do crítico. Motivada, talvez, por uma imperiosa necessidade destes se assumirem como parte integrante da elite. Mas, para mal dos seus pecados, poucos são os que lhes reconhecem enquanto tal. A opinião dos críticos de cinema tugas sobre um filme em poucos casos serve como argumento de autoridade.

Embora, e num aparte sobre argumentos de autoridade, nesse aspecto também me incomoda a valorização que muitos fazem de prémios como os óscares. Os óscares, na melhor das hipóteses, não são mais do que um apanhado de opiniões individuais. Na pior das hipóteses, não passam de um mero reconhecimento aos que melhor souberam trabalhar nos bastidores da indústria. A realidade estará algures entre estas duas possibilidades e portanto algum relativismo na sua valorização seria bem vindo.

 

Mas voltando ao tema principal do post, nomeadamente aos críticos do Público, o que mais foge à minha compreensão não é tanto que na maioria dos casos estes estejam em desacordo comigo ou, mais relevante para o caso, em desacordo com a opinião da maioria (que muitas vezes não coincide com a minha). A quem eu atribuiria uma bola preta seria aos responsáveis pela escolha dos críticos do Público. Porque se este tem leitores que o sustentem não é certamente graças aos seus críticos de cinema.

Ficando pelo meu caso pessoal, de que me serve a existência de quatro críticos no Público se raramente estou em acordo com qualquer um deles? Numa das suas principais funções, que é a de recomendação de filmes, são inúteis. E, digo-o absolutamente convicto de ter razão, são tão inúteis para mim como o são para a maior parte dos leitores do jornal que frequentam o cinema. Dito isto, longe de mim querer mudar a opinião dos actuais críticos, mas gostava muito de influenciar a escolha do jornal na próxima vez que decidir contratar um.

É que, como é facilmente verificável por uma visita à crítica que se faz do outro lado do Atlântico, combinar o gosto dos leitores com o gosto dos críticos de serviço não só é possível como é desejo de ambas as partes (jornal e leitores). Os jornais não deviam teimar em adaptar os leitores aos seus críticos, mas sim adaptar os críticos aos seus leitores. A incompreensão desta coisa simples é em boa parte explicativa do problema português nos mais variados campos de actividade. O cliente tem sempre razão, em Portugal há quem teime que não.

Credibilidade


jorgeassuncao,

Para o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, as críticas ao Banco de Portugal são "irresponsáveis", isto porque não contribuem no "esforço para reforçar a credibilidade das autoridades reguladoras", tão necessária perante a "turbulência" que os mercados atravessam (fonte). A crise actual já servia para justificar toda e qualquer asneira promovida pelo actual governo no campo económico (a tal lógica da necessidade de fazer algo), agora parece que também serve para tentar calar aqueles que, mesmo de forma justa e baseados em dados concretos, criticam o governador do Banco de Portugal.

Um começo


jorgeassuncao,

"Se todos os seres humanos, menos um, tivessem uma opinião, e apenas uma pessoa tivesse a opinião contrária, os restantes seres humanos teriam tanta justificação para silenciar essa pessoa como essa pessoa teria justificação para silenciar os restantes seres humanos, se tivesse poder para tal." John Stuart Mill, Sobre a Liberdade

O primeiro post teima em não sair. Como começar? Citando Mill. Sim, citar Mill é uma óptima opção para quem quer abrir o seu primeiro post com palavras sábias. E a seguir? Parece-me correcto começar por agradecer a oportunidade de partilhar esta casa com um grupo de tão elevada qualidade, cujas opiniões são minha leitura regular desde o primeiro dia. Não tendo o prazer de conhecer pessoalmente qualquer um dos meus colegas de blogue, conheço-lhes as opiniões, tal é mais do que suficiente para saber que estou muito bem acompanhado.

 

Nos dias que correm, a verdade é que são cada vez menos os espaços onde as pessoas podem expressar livremente a sua opinião sem que, de uma forma ou de outra, alguém tente restringir o que lhes é permitido dizer. Quando aceitei o convite para aqui escrever, fi-lo na convicção absoluta que aqui a minha opinião não será silenciada. E essa possibilidade, que devia ser norma num país verdadeiramente livre, é um luxo que não aceito perder tão cedo e que importa valorizar onde é praticada.

 

Dito isto, para quem quiser saber o que esperar da minha presença por estas bandas, o máximo que posso fazer é recomendar visita ao meu blogue pessoal (que farei por continuar a manter actualizado). Entretanto, ultrapassada a barreira psicológica do primeiro post, o segundo segue logo que algo me ocorra.