Da simbologia dos cartazes


jorgeassuncao,

 

Muito tem dado que falar o novo cartaz do PSD por aqui. Inspirado pelo João Espinho, fiz-lhe umas pequenas modificações. Acho que agora sim, a avaliar pelo estado de espírito de muito português, este seria o cartaz ideal para uma campanha que se quer vencedora. Mais a sério, confesso que só procurava uma justificação para colocar aqui os momentos finais da Abertura 1812 do genial Pyotr Ilyich Tchaikovsky.

Quem falta?


jorgeassuncao,

 

Who’s missing from the G-20 photo op?, pergunta a Dana Goldstein.

 

Entretanto, Two women serve in Israel’s new Cabinet, but some Israelis would rather not see them. Newspapers aimed at ultra-Orthodox Jewish readers tampered with the inaugural photograph of the Cabinet, erasing ministers Limor Livnat and Sofa Landver. Ultra-Orthodox newspapers consider it immodest to print images of women. The daily Yated Neeman digitally changed the photo, moving two male ministers into the places formerly occupied by the women.

Ninguém sabe


jorgeassuncao,

 

Na RTP2, hoje, pouco antes da uma da manhã, é transmitido um brilhante filme japonês, baseado numa história verídica que aconteceu no Japão em finais da década de oitenta. Entretanto, o economista Nattavudh Powdthavee é autor de um artigo polémico sobre as crianças e a felicidade que elas (supostamente) não trazem: Think having children will make you happy? Think again, suggests Nattavudh Powdthavee – you’re experiencing a focusing illusion. Para a mãe das crianças do filme em causa, estas não eram muito mais do que isso: um entrave à sua felicidade. Eu cá, ilusão ou não, vou continuar a considerar que as crianças trazem felicidade, a história real que originou o filme é que não me causa mais do que tristeza.

A procura da felicidade


jorgeassuncao,

No Economix, Catherine Rampell tem dois posts interessantes sobre a correlação de algumas variáveis com a felicidade. No primeiro dá conta da correlação positiva entre rendimento e felicidade, no segundo remete para esta análise de Richard Florida, onde é identificada uma correlação positiva entre variáveis como o nível de escolaridade, a percentagem de homossexuais e a percentagem de estrangeiros com o grau de felicidade nos estados norte-americanos.

Sendo certo que correlação não significa causalidade – por exemplo, o facto dos estados norte-americanas onde existe maior felicidade terem maior quantidade de estrangeiro pode ser explicado pelos imigrantes procurarem deslocar-se para locais de maior felicidade – alguns dos dados não deixam de ser interessantes.

Sobre o tópico, o ano passado foi divulgado um estudo para o Reino Unido onde era dito que apesar do aumento da riqueza dos agregados familiares do país entre 1987 e a actualidade, os níveis de felicidade eram semelhantes para ambos os períodos. Conclusão: a riqueza não traz felicidade. Será?

Ao mesmo tempo que era divulgado este estudo britânico, Justin Wolfers e Betsey Stevenson divulgavam outro estudo onde chegavam à conclusão que as pessoas mais ricas eram mais felizes que as mais pobres; os países ricos eram mais felizes que os países pobres; e que à medida que um país enriquece, os níveis de felicidade tendem a aumentar [mais sobre o assunto aqui]. Vem isto contrariar aquilo que o estudo britânico sugeria? Sim, o caso britânico não será portanto a regra.

Mais do que isso, veio contestar o paradoxo de Easterling que tem dominado a ciência que estuda a felicidade, pondo em causa a ideia de que o bem estar dentro de uma sociedade, a partir de um determinado nível de rendimento, é motivado apenas pelo status quo e situações de desigualdade na distribuição do rendimento.

Mas o que verdadeiramente me interessa neste momento é: Can blogging make you happier? Parece que sim…

Isto não está fácil


jorgeassuncao,

A Sonae vai congelar os salários (com excepção para os salários mais baixos). A PT pretende também congelar os salários dos seus funcionários. Na Grécia, os salários vão ser congelados para os funcionários públicos que tenham remuneração superior a 1700 euros brutos. E Paul Krugman afirma que a solução para Espanha passa por uma descida dos salários. Por outro lado, o governo português garantiu aumento dos salários na função pública de 2,9% e Manuel Alegre afirma que “é preciso aumentar os salários para que não haja um colapso do comércio”.

Fora da realidade virtual do poeta Alegre e das necessidades eleitorais do governo Sócrates, Vitor Bento diz que os salários vão baixar "a bem ou a mal", Silva Lopes manifestou dúvidas "que o PIB possa não descer pelo menos 3%" e João Ferreira do Amaral diz que "é muito plausível que a taxa de desemprego em Portugal possa atingir um nível superior a 10% da população activa".

Quem assim pretender, pode sempre continuar a assumir esta postura:

 

Troca de rins


jorgeassuncao,

Um post muito interessante do economista Al Roth sobre a evolução do mercado de troca de rins [via Freakonomics]. A existência de um mercado de compra e venda de rins nos Estados Unidos é uma impossibilidade legal (coisa com a qual não concordo, mas isso é assunto para outro post), contudo existe a possibilidade de alguém doar o seu rim a outro. Um problema que surge frequentemente nestes casos é o da incompatibilidade do possível doador em relação ao receptor do rim (e, como é óbvio, o possível doador muitas vezes só existe perante um receptor específico – motivado por laços de amizade, familiares, etc…).

Dado isto, Al Roth desenhou um programa que visa pôr os diferentes pares incompativeis em contacto uns com os outros, sendo que com este cruzamento dos dados é possível criar combinações que de forma indirecta satisfaçam a condição que leva à existência da doação do rim.

Qual é o problema deste sistema? É o de que após alguém doar um rim para outro que não o receptor inicialmente pretendido a reciprocidade da troca seja garantida (ou seja, que quando um dos pares incompativeis já tenha recebido o rim pretendido, o doador de tal par não desista de doar o seu rim ao receptor de outro par). Dado que também é uma impossibilidade legal o estabelecimento de contratos com condições obrigatórias relativas a troca de orgãos humanos, a única forma de evitar este problema é fazer as operações de trocas de rins entre os diferentes pares envolvidos simultaneamente. Daqui, como se depreende facilmente, surge uma limitação ao sistema.

Mas o que Al Roth dá conta agora no seu post é de uma possível alteração com impacto no sistema. A simples existência de um doador altruista, ou seja, alguém que está disposto a doar o seu rim sem indicar um receptor específico, permite desenhar o sistema de forma a que o custo da desistência de um doador cujo parceiro já tenha recebido o seu rim seja reduzido.

O processo é simples de entender: se o primeiro elemento da corrente for alguém que não estabelece condição nenhuma para doar o seu rim, daí para a frente alguém só doa o seu rim após o parceiro ter recebido o rim compatível. Com isto as operações simultâneas deixam de ser necessárias e desaparece uma limitação forte ao actual sistema. Claro que é sempre possível, perante operações não simultâneas, a desistência de um doador com respectiva quebra da corrente, mas o que deixa de ser possível é verificar-se qualquer incumprimento das condições que levaram à participação dos restantes elementos da corrente.

E é assim que um único doador altruista pode ter um impacto muito significativo na vida de várias pessoas.