Isto não está fácil


jorgeassuncao,

A Sonae vai congelar os salários (com excepção para os salários mais baixos). A PT pretende também congelar os salários dos seus funcionários. Na Grécia, os salários vão ser congelados para os funcionários públicos que tenham remuneração superior a 1700 euros brutos. E Paul Krugman afirma que a solução para Espanha passa por uma descida dos salários. Por outro lado, o governo português garantiu aumento dos salários na função pública de 2,9% e Manuel Alegre afirma que “é preciso aumentar os salários para que não haja um colapso do comércio”.

Fora da realidade virtual do poeta Alegre e das necessidades eleitorais do governo Sócrates, Vitor Bento diz que os salários vão baixar "a bem ou a mal", Silva Lopes manifestou dúvidas "que o PIB possa não descer pelo menos 3%" e João Ferreira do Amaral diz que "é muito plausível que a taxa de desemprego em Portugal possa atingir um nível superior a 10% da população activa".

Quem assim pretender, pode sempre continuar a assumir esta postura:

 

15 comentários em “Isto não está fácil”

  1. Digam lá os entendidos na matéria,baixam-se os ordenados?Sobem-se os ordenados?Ou deixa-se de pagar ordenados?Afinal quem é que vai consumir o que se produz?Os trabalhadores não pois vão-lhe baixar os ordenados,devem ser os Bentos deste mundo.Eu gostava era de ver as soluções que esta gente tem para a crise.Não vejo ninguem falar da corrupção,isso é que não.Dos subsidios para aqueles que nada fazem,pior,que nunca nada fizeram.Quantos são os que recebem o subsidio em mais do que uma localidade?acab~e -se com esta pouca vergonha.

    1. Caro Vitor Nunes,

      “Digam lá os entendidos na matéria,baixam-se os ordenados?Sobem-se os ordenados?Ou deixa-se de pagar ordenados?”

      Recorrendo a um que deve ser entendido na matéria, o nosso ministro da finanças:
      http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1369752

      «O ministro disse, no entanto, que existe “um ‘trade-off’ [escolha] que temos pela frente entre desemprego e salários”»

      Não é diferente do que diz Vitor Bento. Agora é uma questão de escolha: ou você aceita maior desemprego ou procura uma redução dos salários.

      “Afinal quem é que vai consumir o que se produz?”

      O problema é que nem tudo o que consumimos é produzido cá. Bem como nem tudo o que produzimos é para consumo interno. Dado isto, somos recorrentes no mesmo problema, consumimos acima do que produzimos.
      http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1175820

      «Isto significa que os portugueses consomem mais do que produzem. O défice externo chegou aos 10,5%, um aumento de 28,9% em relação a 2007.»

      1. Não percebo nada de economia,por isso pergunto,estou inquietado.Se forem diminuidos os ditos ordenados e suponho que isto será ao nivel Europeu,a pergunta é a mesma.Quem consome?Eu acho que ninguem,as fabricas fecham ,o comércio para e voltamos ao tempo das cavernas?Ou será que a camarilha que governa esta Europa tem que pensar em baixar impostos as empresas para elas puderm sobreviver?Baixar impostos?Então como se pagam subsidios a quem não trabalha e nunca trabalhou?Então como se paga a bancos que derreteram o dinheiro dis seus clientes?Então o subsidio de inserção social?E aqueles que recebem o subsidio em três localidades diferentes com nomes diferentes sendo a mesma pessoa?Subsidios de 3000 € ?A corrupção ao nivel dos politicos?Os sobreiros ,os submarinos,o BPN,o Freeport,os tios eo primo e maia a mãe?Afinal quem paga impostos ?Quem sustenta esta malandragem?E cortam-se reformas ou só os ordenados?Veja a história de Portugal desde o meio do século XVlll e repará que os problemas de lá para cá são sempre os mesmos.Veja o fim da monarquia ,desde a revolução republicana até ao estado novo e descobrirá que o que falha são sempre os mesmos.A camarilha.Quem paga e sempre pagou foi o povo que trabalha e que se orgulha disso.É essa revolta que não sinto na blogosfera,porque na comunicação social não é possivel,é o medo.Veja o que aconteceu a um spot na Antena 1 a camarilha levantou-se em uníssono.A Sic e o Expresso andam calminhos,porque será?Então quem faz o Expresso da meia-noite?O Costa? Debrucem-se sobre os verdadeiros problemas e deixem gahar algum dinheiro a quem trabalha.

        1. Caro Vitor,

          como se costuma dizer, a economia é um assunto demasiado importante para ser deixada só aos economistas.

          “Debrucem-se sobre os verdadeiros problemas e deixem gahar algum dinheiro a quem trabalha.”

          Mas ficando-me por esta sua última frase, nada digo que vá contra isso.

  2. Caros Amigos,

    Todos os dias vou lendo artigos comentando a necessidade de moderar ou até congelar salários.

    Curiosamente ainda não li ou ouvi ninguém recomendar que se estabeleça um limite para o lucro!

    Zé Muacho

    1. Caro Zé Muacho,

      e limites para o prejuízo já ouviu recomendar? Está satisfeito com a fase que atravessamos, uma vez que os lucros andam, de uma forma ou de outra, “limitados”? O nosso problema não é a existência de empresas com lucro, o nosso problema é que este ano vamos ter demasiadas empresas no vermelho.

      1. Caro Jorge Assunção,

        Ao contrário do que parece pensar, as empresas que sofrem prejuízos não fazem a minha felicidade.
        Eu sou apologista da justa remuneração do trabalho e do capital; quando me referi à limitação de lucros, por exemplo, estava a pensar nisto:

        EDP / REN: 1048 milhões de euros.
        Galp Energia: 521 milhões de euros.
        PT e Zon: 489 milhões de euros.
        SONAE: 53 milhões de euros.
        Jerónimo Martins: 121 milhões de euros.
        Cimpor: 151 milhões de euros.
        BRISA: 110 milhões de euros.
        CGD: 437 milhões de euros.
        Santander/Totta: 398 milhões de euros.
        BCP: 345 milhões de euros.

        Não me parece justo que empresas que estão no mercado na situação de monopólio, ou que agem em cartel, aufiram lucros que prejudicam o desenvolvimento económico de um país.

        Uma das causas da crise que estamos a viver foi a espiral do aumento de lucros que tendia para o infinito; até meados da década de 80, no plano de operações de qualquer empresa, o objectivo para o lucro variava usualmente entre os 12% e os 16%, antes de impostos; depois dessa época, os alvos passaram a ser o aumento dos lucros em relação ao exercício anterior com targets da ordem dos 30%, 40% e quem não os conseguia atingir era penalizado pelo mercado; partindo de uma base de 15% ao fim de cinco exercícios o lucro pretendido já rondava os 50%… e foi então que se começaram a inventar as engenharias financeiras que nos colocaram na situação actual.

        È contra estes que eu estou, não contra a remuneração justa do capital.

        Cumprimentos,
        Zé Muacho

        1. Caro Zé Muacho,

          “Eu sou apologista da justa remuneração do trabalho e do capital”

          Defina remuneração justa? Se definir um limite ao retorno do capital o que acha que vai acontecer ao investimento em Portugal, sendo certo que no estrangeiro terão onde investir com maior retorno?

          “quando me referi à limitação de lucros, por exemplo, estava a pensar nisto:”

          Eu cá ando mais preocupado com os prejuizos da TAP, CP, REFER e RTP.

          “Não me parece justo que empresas que estão no mercado na situação de monopólio, ou que agem em cartel, aufiram lucros que prejudicam o desenvolvimento económico de um país.”

          E quais são essas? Quem promoveu a situação de monopólio ou liderança do mercado que muitas dessas empresas usufruem? Eu nada tenho contra lucros elevados desde que obtidos de forma justa no mercado (nem vejo como se pode estabelecer um limite), já tenho mais problemas quando os lucros devem-se à protecção especial do Estado. E depois não acha estranho que a banca apresente lucros e mesmo assim necessite de ajuda estatal para sobreviver?

          “Uma das causas da crise que estamos a viver foi a espiral do aumento de lucros que tendia para o infinito”

          Aqui, discordamos obviamente. A causa da crise foi o acesso ao crédito fácil. De resto, não percebo porque culpa quem tinha como objectivo o lucro e não culpa quem pretendia, sem capacidade para isso, ter casa? Ou quem pretendia, por motivos politicos, promover a compra de habitação para todos?

          Cumprimentos.

          1. Caro Jorge Assunção:

            A partir de um simples comentário, que não era mais do que um desabafo, levar esta discussão para águas mais profundas como está a pretender, através deste meio, é tarefa complicada; até porque tal desiderato levar-nos-ia a percorrer ruas menos claras que nos iriam levar a travessas escuras que desembocariam em becos esconsos e sujos que nos levariam a cair em esgotos infectados de ratazanas e a desembocar, depois, em alguma pocilga dourados onde porcos gordos e luzidios se refastelam e engordam alimentando-se, não da gamela, mas sim de lautos banquetes servidos em serviços de prata.

  3. Uma boa medida congelar os salários mais elevados, por isso os nossos representantes na UE vão ver os seus ordenados AUMENTADOS em 100%!
    Acabar com as alcavalas e mordomias – carro topo de gama cada dois anos, despesas de oficina, como pneus de seis em seis meses (!); gasolina com custo mensal para dar a volta ao mundo (abastece-se os carros dos familiares!); prémios escandalosos com dinheiros dos contribuintes (até nos U.S.A)!
    E depois vêm estes senhores pedir contenção de despesas e poupanças a quem ganha o miserável ordenado mínimo(!) e a quem está desempregado!
    “O colapso do comércio” ficou muito visível (escancarado) nos anos oitenta quando, em força, as máquinas que até aí serviam para AJUDAR os trabalhadores, começaram a SUBSTITUIR os trabalhadores!
    Agora, temos muita produção industrial, com as máquinas (que não são potenciais compradores) e temos as pessoas sem trabalho, que não têm possibilidades de comprar; e o comércio está a colapsar!!!!

    1. Virgínia,

      “Uma boa medida congelar os salários mais elevados”

      Não dúvido.

      “E depois vêm estes senhores pedir contenção de despesas e poupanças a quem ganha o miserável ordenado mínimo(!) e a quem está desempregado!”

      Não vi ninguém pedir isso – ninguém está a pedir nada, o que se diz é que a diminuição dos salários vai acontecer (seja bonito, não seja bonito, será uma inevitabilidade). Mas muito havia a dizer sobre o assunto. O aumento recente do salário mínimo (mesmo que continue miserável) foi um erro, porque, especialmente nesta altura, é mais que certo que terá efeito negativo sobre o nível de emprego.

      “Agora, temos muita produção industrial, com as máquinas (que não são potenciais compradores) e temos as pessoas sem trabalho”

      A realidade não combina com isso. Aliás, não fossem as máquinas e a inovação tecnológica e o nosso nível de desenvolvimento seria bastante inferior.

      1. Desculpe, mas vou comentar o seu ultimo parágrafo.
        Não vivo no passado, sou apologista das novas tecnologias; comecei a trabalhar com computadores em 1982 e tenho muito orgulho nisso.
        O que eu acho é que vivemos séculos sem luz eléctrica e, no ultimo século tivemos um desenvolvimento galopante a todos os níveis.
        Somos mais felizes? Eu acho que não. Somos mais escravos e dependentes de máquinas; deixamos de ter tempo para olhar para aqueles que nos rodeiam!

        1. Virgínia,

          “Somos mais felizes? Eu acho que não. Somos mais escravos e dependentes de máquinas; deixamos de ter tempo para olhar para aqueles que nos rodeiam!”

          E como é que se mede a felicidade? Por natureza acho que o homem é um eterno descontente (e, de certa forma, ainda bem que assim é), nos dias que correm podemos não nos sentir felizes com o estilo de vida que adoptamos, mas se nos dessem como alternativa um regresso ao passado, dúvido que muitos aceitassem.

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