Rendido repentinamente


jmmcc,

O BPP constitui um quebra-cabeças que anda a tirar o sono a muita gente, quer a depositantes que lhe confiaram poupanças, quer ao governo, que não sabe como descalçar a bota que enfiou com a calçadeira que já perdeu.

No meio de todo o imbróglio, lembrei-me do antigo presidente do banco: João Rendeiro garantiu que ia fazer pagar caro aos que se atreveram a apontar o dedo à sua gestão. Entretanto, passou-se a falar claramente das fortes suspeitas de grandes irregularidades em operações da sua lavra. E o que é que tem acontecido? Rendeiro rendeu-se ao silêncio. Acho que faz bem.

Claro que é natural


jmmcc,

Há dias, referi-me aqui às provas de aferição de Língua Portuguesa, de modo igualmente válido para as provas de aferição de Matemática que hoje tiveram lugar. Os alunos voltaram a dizer que foi tudo fácil. Podemos, pois, estar tranquilos: é natural que continuemos a subir nas respectivas estatísticas.

Só falta começarmos a saber mais qualquer coisinha de Língua Portuguesa e de Matemática e a exigir programas de ensino decentes. Não é grave. É apenas urgente.

É natural…


jmmcc,

Aposto que os resultados das provas de aferição de Língua Portuguesa de ontem, destinadas aos alunos do 4.º e do 6.º ano, vão ser óptimos pelo segundo ano consecutivo. Os próprios alunos acharam as provas fáceis e fizeram-nas com uma perna às costas.

É natural: cada vez se fala melhor a nossa língua e a ministra não só pacificou o ensino como ignorou as estatísticas europeias e concluiu uma reforma educativa de se lhe tirar o chapéu. Ah! Já me esquecia: os habitantes da Lua andam a dizer que a Terra é que gira à volta deles.

É mesmo


jmmcc,

Lê-se aqui que o «Mestre Vital só sabe faltar». É o grande destaque na capa d’O Diabo de hoje, a que o João Severino dá relevo no seu blogue: «O cabeça de lista do PS às eleições há anos que não apresenta os sumários das lições na Faculdade de Coimbra e acumula vários cargos na privada», o que é mesmo o diabo.

Anúncios de bom gosto (16)


jmmcc,

«— Eu vinha comprar braçadeiras ‘Alfredo’, daquelas para ir ao mar e não ter medo…

— Ó amigo, não tenho. Só tenho braçadeiras ‘Guiomar’, daquelas para ir ao mar para quem já sabe nadar. Mas tem mesmo de saber nadar. É que rebentam muitas vezes… Bem, quase sempre… A bem dizer, sempre!!!»

 

(Post possível com a colaboração da nossa comentadora MACarvalho.)

Vampiros – 2


jmmcc,

Sobre o post abaixo, acho que o Carlos Barbosa de Oliveira discorre com seriedade. Acontece, porém, que Lopes da Mota, se bem percebi as notícias mais recentes, já deu uma inesperada resposta a uma pergunta que creio que ninguém lhe fez: afinal, invocou os nomes de José Sócrates e Alberto Costa. Indevidamente, conforme disse.

Aumentaram as suspeitas sobre o papel do magistrado que preside ao Eurojust nesta história ainda tão mal contada? É evidente que aumentaram. Com a agravante de permitir mais um chorrilho de interpretações, especulativas ou não. E as impressões pessoais de Ana Gomes sobre Lopes da Mota não vêm ao caso — só me espanta que ela misture a toda esta lamentável história aquele costume popularucho tipo "é bom rapaz".

Haja pachorra


jmmcc,

«Para Alegre, o discurso e a prática política são entidades que se devem opor para que tudo fique na mesma. Deve-se falar da esquerda alinhando com a direita, sair das listas para ficar no partido, não concorrer às legislativas para se candidatar às presidenciais…» Quando o autor desta profundíssima reflexão, Tiago Mota Saraiva de seu nome, acordar e abrir os olhos, haja quem tenha pachorra para lhe dar explicações. Sobre verbos reflexos também.

Inversão de valores


jmmcc,

Já aqui temos falado de valores (e da falta deles). Ainda há um mês, fizemo-lo a propósito de um inesperado manual de recomendações dirigido aos funcionários de uma nova Loja do Cidadão algarvia. Chegou agora a vez de uma escola no Pinhal Novo, que passou a impor limites de decência no vestuário.

O mais curioso é que a escola impõe regras aos alunos e a associação de pais apoia. Tenho de rever os meus próprios valores: sempre achei que os pais é que deviam impor regras aos filhos e que a escola nem precisaria de manifestar o seu óbvio apoio…

Os quadros das nossas vidas (3)


jmmcc,

[Modigliani,+A.+Little+Girl+in+Blue.+(la+fillete+en+bleu)+1918.JPG]Longe de mim garantir-vos que a obra de Amedeo Modigliani (1884 – 1920) me eleva no ar. Tão pouco vos direi que esta sua Fillete en bleu (1918) é realmente um dos quadros da minha vida, mas tenho um objectivo: apresentá-lo aqui como cumprimento a alguém que privilegia o DELITO DE OPINIÃO. Embora possa ser mais difícil mostrar idêntica gratidão a tantas outras pessoas que merecem a mesma atenção, esta foi fácil (espero um comentário comovido).

Quanto a Modigliani, o seu legado permite concluir que, se não tivesse apanhado tuberculose ainda jovem e a morte não lhe chegasse quando contava apenas 36 anos, estaria actualmente ao lado dos grandes mestres.

Prometo, entretanto, que regressarei a esta secção d’«os quadros das nossas vidas» com uma obra mais desenvolvida. Esta, hoje, é só um tributo – que gostaria de estender aos nossos comentadores regulares.

Escândalo: persiste a ‘isaltinice’


jmmcc,

A revisão legislativa sobre o financiamento dos partidos é institucionalmente escandalosa. A nova lei aprovada por todos os partidos com representação parlamentar ainda não saiu do Parlamento — a sua redacção final ainda nem sequer foi submetida aos deputados — e a líder do PSD já está disponível para alterá-la, o que é politicamente escandaloso.

O mais escandaloso, porém, é que se mantém uma notória lacuna da lei a revogar e ainda vigente. Objectivamente, o novo articulado continua a ignorar as sobras das importâncias entregues pelo Estado para as campanhas eleitorais. Este aspecto só intencionalmente é que se justifica que perdure. O que fazer com o nosso dinheiro que não for utilizado em campanha? Está na cara: perguntem ao ainda presidente da Câmara de Oeiras, o único a reconhecer abertamente que se abotoa com ele.

Em suma: aumenta escandalosamente o financiamento partidário privado sem controlo possível e, mais ainda, os dinheiros públicos vão continuar a servir para que uns quantos se isaltinem à grande! Já aqui o disse e repito: passo-me com isto! Depois não se esqueçam de promover profundíssimos debates sobre os motivos da abstenção e de perguntar com ar de virgens ofendidas por que razão a política atingiu o actual descrédito.

Querem dinheiro para as campanhas e para umas isaltinices? Vão ao Parlamento fazer peditórios aos deputados, que os nossos impostos e taxas já têm muito para onde ir. Pela minha parte, estou a ficar farto de andar a sustentar sobrinhos taxistas na Suíça.