Escândalo: persiste a ‘isaltinice’


jmmcc,

A revisão legislativa sobre o financiamento dos partidos é institucionalmente escandalosa. A nova lei aprovada por todos os partidos com representação parlamentar ainda não saiu do Parlamento — a sua redacção final ainda nem sequer foi submetida aos deputados — e a líder do PSD já está disponível para alterá-la, o que é politicamente escandaloso.

O mais escandaloso, porém, é que se mantém uma notória lacuna da lei a revogar e ainda vigente. Objectivamente, o novo articulado continua a ignorar as sobras das importâncias entregues pelo Estado para as campanhas eleitorais. Este aspecto só intencionalmente é que se justifica que perdure. O que fazer com o nosso dinheiro que não for utilizado em campanha? Está na cara: perguntem ao ainda presidente da Câmara de Oeiras, o único a reconhecer abertamente que se abotoa com ele.

Em suma: aumenta escandalosamente o financiamento partidário privado sem controlo possível e, mais ainda, os dinheiros públicos vão continuar a servir para que uns quantos se isaltinem à grande! Já aqui o disse e repito: passo-me com isto! Depois não se esqueçam de promover profundíssimos debates sobre os motivos da abstenção e de perguntar com ar de virgens ofendidas por que razão a política atingiu o actual descrédito.

Querem dinheiro para as campanhas e para umas isaltinices? Vão ao Parlamento fazer peditórios aos deputados, que os nossos impostos e taxas já têm muito para onde ir. Pela minha parte, estou a ficar farto de andar a sustentar sobrinhos taxistas na Suíça.

30 comentários em “Escândalo: persiste a ‘isaltinice’”

    1. É claramente um esquecimento fingido, compadre. Já pude perceber que a lei foi alterada em tantos e tais detalhes que este ‘esquecimento’ sobre o destino das verbas públicas atribuídas e não utilizadas é decididamente intencional, para proveito próprio de alguns figurões. Com que direito?

  1. Sr. João Carvalho
    Venho-lhe falar de uma proposta radical. Porque não acabar de vez com todo e qualquer financiamento estatal aos partidos. Nem subvenções, nem apoios, nada. Apenas os militantes, e apenas estes, poderiam financiar os partidos, com ofertas, estabelecido por lei o seu limite, e sempre por meios bancários comprováveis. Quanto ao Avante, os ganhos de eventos partidários, sendo em dinheiro vivo, deveriam ser colocados à guarda do Estado, até o Tribunal de Contas validar as contas desse evento e depois ficariam essas verbas disponíveis para os Partidos.
    Quanto a esta proposta, da receita dos eventos é fumo da minha chaminé, mas colocar um fim aos apoios financeiros do estado aos partidos é uma proposta de um partido: o Movimento Mérito e Sociedade.
    Fica aqui o link para o site e para o blogue:
    http://www.mudarportugal.pt/
    http://mms-mudarportugal.blogs.sapo.pt/

    Cumprimentos
    http://atexturadotexto.blogspot.com

    1. Meu caro Sérgio, a sua proposta parece-me interessante. Siga em frente com ela e com o presumível apoio do MMS.

      Pela minha parte, que não procuro responsabilidades legislativas, mas apenas contributos imaginativos, ainda me falta conhecer o que outras democracias fazem no que concerne ao financiamento partidário.

      Conheço superficialmente o sistema alemão sobre a matéria, que me parece sério e imaginativo, mas preciso de saber mais para ajuizar. Para já, o sistema nacional permite-me saber uma coisa importante: não é este que quero, definitivamente. Já não é pouco.

      1. Espero que quando tiver conhecimento sobre outros modelos o publique aqui. Aguardo com expectativa.
        Deste modelo definitivamente concordamos que não gostamos.
        Mas apesar de vários modelos possíveis creio que há, para mim pelos menos, um princípio base: não deve ser o dinheiro dos contribuintes, de todos, a financiar os partidos. É essa a ideia geral do MMS

        Cumprimentos

        1. Caro Sérgio, pensei que as vossas propostas já tivessem por base um conhecimento mais apurado sobre o assunto, tal como ele é encarado noutros países – designadamente, entre os nossos parceiros da UE.
          Se eu chegar lá primeiro, terei muito gosto em esclarecer o MMS.
          Um abraço.

          1. Quis dizer que se trata de um desconhecimento meu, eu não tenho conhecimento de todos os quadros de financiamento de partidos políticos na Europa, não digo que no MMS não haja quem conheça, para se apresentar a proposta em questão certamente haverá, como não sei, falei em questão pessoal, talvez devesse ter dito limitação pessoal, ou desconhecimento pessoal. Não sei tudo, mas gosto sempre de aprender e se o Sr. João Carvalho conhecer e partilhar esse conhecimento, para mim será enriquecimento.
            Cumprimentos

  2. Gostei do verbo “isaltinar”. Como não conhecia, fui ao dicionário e encontrei os seguintes sinónimos: “felgueirar”, “avelinar”, “valentinar”. Deve haver muitos mais, mas já estou esclarecida.

    1. Bom trabalho de pesquisa, Ana. Entre todos eles, ‘felgueirar’ é um verbo transitivo: pode transitar de um lado para o outro. Chama-se-lhe também verbo ambulatório…

  3. Subscrevo tudo o que aqui está escrito. É uma vergonha a forma como todos nos sustentamos esta corja de políticos que nada de bom nos trazem. A forma que eu considero melhor para protestar é ir às eleições e votar em branco.

      1. Sim, nulo. Se todos votassem nulo tenho a certeza que isto ia dar uma grande volta. Uma grande bronca cá dentro e lá fora.
        Temos as armas na mão.
        Manuel Gomes

  4. João, adorei o seu post.

    E adorei ver todos os partidos, com assento na Assembleia, aprovarem uma Lei por unanimidade (só houve uma ‘ovelha ranhosa’ que votou contra)!!!!
    É lindo de ser ver… só espero que o nosso PR tenha o bom senso de a ‘reprovar’ e mandar essa ‘cambada’ toda ter JUIZO!!!!!
    Estão a ‘gozar’ com o Povo???!!!

  5. Superliga “incompetete-mor”: Pinho e Sócrates pontuam (http://mudaportugal.blogspot.com/2009/05/superliga-incompetete-mor-pinho-e.html)

    Tal como já disse várias vezes, em Portugal existem as empresas privadas, as públicas e as amigas do governo. Estas, costumam ser empresas que não têm qualquer valor para receber benesses do estado, mas como têm nos seus quadros compadres do PS, são apoiadas sem qualquer critério.

    Obviamente que isto muitas vezes acaba em asneira, como se vê neste exemplo da Energie. Já diz o povo que se apanha mais depressa um mentiroso do que um côcho, certo?

    É mais uma prova da incompetência, do compadrio, da falta de seriedade, da falta de exigência, da falta de critérios deste governo e destes ministros. Liderados por um primeiro-ministro que está permanentemente a atirar areia aos olhos dos portugueses.

    Mais 3 pontos para Sócrates e para Pinho na Superliga “incompetente-mor”

  6. Eu concordo plenamente que é assunto para ficar “ISALTADO”! Aliás, digo mais: acho que a aprovação desta lei por unanimidade é, em substância e simbolicamente, um sintoma inequívoco do funcionamento oportunista dos partidos. Sem que, mesmo os moralistas de serviço (seja do sistema seja do regime – BE e PCP) tenham tugido de forma diferente. Mas ainda fico mais perplexa com a caramunha da Drª MFL, como se, não pudesse ter exercido a sua magistratura de infuência junto do seu partido antes da votação. Vem agora “caramunhar” para parecer o quê? Ok. Já todos perceberam que está a criar lastro para aparecer na primeira fila dos adeptos das adaptações da lei que se vão seguir ao veto do sr. PR.
    E as “sobras”… Mas acha sinceramente que vai haver sobras?

    Ui…. que testamento.

    :))

  7. Os nossos deputados andam a “avacalhar” a política? Fazem-no de forma consensual e, nunca é demais lembrar, para proteger o PCP que recebe aqueles guitos da festa do “Avante”. Apesar de considerar um gesto bonito e comovente, preferia que deixassem a solidariedade partidária para outras ocasiões.
    Aproveitando a onda de comoção, acabei de enxugar uma lágrima, ao aperceber-me que MFL está disposta a rever a Lei. Presumo que, antes, vá telefonar a Cavaco para saber se o PR pensa usar o veto político.

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